Cech é uma lenda do Chelsea, um dos jogadores mais importantes da sua história, mas o tempo não perdoa ninguém. Na temporada 2014/15, sob o comando de José Mourinho, perdeu a posição de titular debaixo das traves, sua desde que chegara ao oeste de Londres em 2004, para Courtois, que vinha de ótima temporada pelo Atlético de Madrid. E não ficou nada feliz.

Cech tinha 33 anos e depois faria quatro temporadas em bom nível pelo Arsenal. “Eu conseguia ver na pré-temporada o quanto estava trabalhando duro. Não havia nada óbvio indicando que eu não estaria pronto para manter minha posição, mas um time de futebol pode ter apenas um goleiro jogando todas as semanas e infelizmente foi como aconteceu. Thibaut era considerado o futuro do clube, com todo seu potencial e qualidade. Eu entendi a escolha que foi feita, mesmo pensando que ainda não era a minha hora (de perder a posição)”, disse, ao site do Chelsea.

O ex-goleiro imaginava que encerraria sua carreira no Chelsea, ou que pelo menos sairia apenas nos últimos anos dela, mas teve que mudar de planos. “Sair do Chelsea foi a decisão mais difícil que tive que tomar. Ter jogado neste clube por tanto tempo e ter me tornado uma parte tão grande do clube. Naquele momento, não pareceu que eram os últimos anos da minha carreira. Não foi daquele jeito que eu imaginei na minha cabeça. Mas estava claro que minha jornada havia chegado ao fim e eu decidir que iria embora tenta algo em outro lugar”, acrescentou.

Na mesma entrevista, Cech lembrou alguns títulos marcantes pelo Chelsea, como a Premier League com Carlo Ancelotti e, em especial, a Champions League em 2011/12. A equipe não vinha bem na liga, e terminaria em uma baixa sexta posição, mas, segundo ele, se transformava nos palcos europeus, o que ficou muito claro na vitória sobre o Barcelona de Guardiola, então campeão.

“Toda vez que jogávamos no mata-mata, começando pelo Napoli (oitavas de final), parecia que éramos um time diferente. As coisas aconteciam naqueles jogos que não estavam acontecendo na liga. Tínhamos problemas, lesões, e poderíamos ter pensado que era um desses momentos”, disse, quando o Barcelona fez 2 a 0 no jogo de volta no Camp Nou, após 1 a 0 para o Chelsea no Stamford Bridge. “Mas não pareceu assim em campo. Dissemos no intervalo que se fosse para perder por 6 a 1, perderíamos por 6 a 1, mas não facilitaríamos para eles. Se eles fossem nos matar, teriam que trabalhar duro para isso”.

“O gol de Ramires (ainda no primeiro tempo) nos deu uma impulsão e mostrou que não seria fácil para eles, mesmo com dez homens (Terry havia sido expulso) e com todas as mudanças que tivemos que fazer. As pessoas nos descartaram antes do jogo de volta contra o Napoli (após perder por 3 a 1 na ida) e nós conseguimos. Aquela experiência e a experiência de torneios anteriores, significavam que sabíamos que faríamos tudo que estivesse ao nosso alcance para que fosse um pesadelo para eles. No fim, eles não conseguiram nos vencer”, disse.

“Foi o tempo mais longo da minha carreira. Pareceu três jogos em um. Nós afastávamos a bola, tirávamos da área, e ela voltava. Olhava para o relógio e parecia que ele havia parado. Segundos pareciam minutos. Não conseguíamos ficar com o controle da bola. Mas quanto mais sobrevivíamos, e mais chances eles perdiam, mais confiança nós tínhamos”.

“Eu vi quanto esforço e energia cada um gastou. Nós dissemos no intervalo: ‘minuto a minuto, vamos jogar o máximo que conseguirmos e sobreviver quanto tempo conseguirmos, antes que eles nos matem’. Com essa mentalidade, sabíamos que poderíamos conseguir. A satisfação depois do jogo foi fantástica. Havíamos eliminado possivelmente o melhor time daquele ano. Na casa deles, com um homem a menos. Ninguém teria colocado um centavo na gente”, disse.

A classificação épica encheu o Chelsea de confiança para outro tremendo desafio, no qual também seria azarão, não apenas por ter um time teoricamente mais fraco que o do Bayern de Munique, mas principalmente porque a final seria no estádio dos bávaros.

“Contra todas as probabilidades havíamos chegado à final e, contra todas as possibilidades, sabíamos que poderíamos vencer. Eles jogavam em seu estádio, em seu vestiário. Estava escrito nas estrelas para eles. Ninguém esperava nada da gente. Os defensores estavam machucados há duas semanas e talvez não pudessem jogar. Tínhamos quatro jogadores suspensos”.

E o jogo teve também proporções épicas. O Bayern fez 1 a 0 aos 38 minutos do segundo tempo, Drogba empatou de cabeça, aos 43, e Cech precisou salvar um pênalti de Robben, na prorrogação, eleita por ele a melhor defesa da sua carreira, por ter sido também a mais importante.

“Era um momento de vitória ou derrota. Fizemos nosso melhor. No fim, em jogos como aquele, a força, resistência e união do time são mais fortes do que qualquer coisa. Estávamos mortos, de novo. Estivemos quase mortos, na prorrogação. Mesmo quando sofremos gol a alguns minutos do fim, em campo sabíamos que tínhamos uma chance. Quando conseguimos o primeiro escanteio, todos concordaram que era a nossa chance, com caras altos pelo ar”.

“Em mim, voltou o sentimento do jogo contra o Barcelona de que conseguiríamos. Estávamos superando obstáculo atrás de obstáculo, a cada minuto. A positividade e a confiança de que conseguiríamos foi compensada na disputa de pênaltis”, disse.

Olic e Schweinsteiger erraram, e o Chelsea foi campeão europeu pela primeira vez.