A semana do Cruzeiro aponta que, mais do que a mudança de técnico, o clube necessita de uma mudança de mentalidade no elenco para se recuperar. A equipe de Rogério Ceni ofereceu muito pouco no Beira-Rio para fazer frente ao Internacional na Copa do Brasil e as declarações dos jogadores já indicavam certa insatisfação com as escolhas. Neste domingo, foi pior. A Raposa teve outra atuação frágil e pagou o preço com uma derrota incontestável. Melhor ao Grêmio, muito mais consistente no Independência. Os tricolores souberam se reerguer da queda no meio de semana e, impecáveis nos contra-ataques, construíram o merecido triunfo por 4 a 1. Mais um show de Everton Cebolinha, que alargou a goleada com duas pinturas.

O Cruzeiro tenta praticar um futebol diferente com Rogério Ceni. O treinador prioriza o toque de bola e uma postura mais controlada da posse no ataque. E não foi um começo ruim dos celestes no Independência, criando as primeiras chances da partida. Fred quase abriu o placar aos sete minutos, em cabeçada que exigiu grande defesa de Paulo Victor. O problema do time é que a retaguarda permanecia extremamente exposta. Os cruzeirenses certamente sentiram falta do lesionado Dedé e, talvez, até de Mano Menezes, pela maneira como o Grêmio conseguiu envolver os adversários em seu contragolpe. Cada avanço tricolor era um perigo imenso.

O primeiro gol gremista, aos 18 minutos, já incomodou bastante a torcida do Cruzeiro. Não só pela maneira como foi construído, com Galhardo recebendo a bola livre na direita. O cruzamento rasteiro veio em direção à pequena área e Tardelli emendou de letra. Na comemoração, o veterano provocou os antigos rivais e indicou que o Independência é sua casa. Os mineiros sentiram o gol e, nove minutos depois, saiu o segundo. Depois de um passe errado no meio, o Grêmio armou o contra-ataque. Alisson cortou pela intermediária e Everton foi muito inteligente na tabela, ao aguardar a passagem do companheiro. Mesmo com pouco ângulo, Alisson finalizou por baixo de Fábio e preferiu não comemorar contra o antigo clube.

Os erros afundavam o Cruzeiro e Ceni realizou sua primeira mudança logo depois do tento, ao trocar David por Pedro Rocha. O time reagiu no final do primeiro tempo. Paulo Victor voltou a trabalhar em chute de Pedro Rocha e o gol saiu aos 36, através de uma cobrança de pênalti. Henrique sofreu a falta na área, para Fred converter a cobrança. Neste momento, o duelo parecia aberto a qualquer resultado, com os celestes mais despertos. Mas uma cabeçada de Everton para fora, pouco antes do intervalo, lembrou que a Raposa estava fragilizada demais em sua marcação. Qualquer erro parecia fatal.

O segundo tempo começou com um lance muito perigoso de Tardelli pela direita, mas com uma preocupação bem maior ao Grêmio, quando Geromel sofreu lesão e precisou sair de campo amparado, aparentemente sentindo muitas dores. O Cruzeiro, de qualquer maneira, não parecia ameaça suficiente e retomou a letargia. O time trocava passes e não encontrava espaços na defesa gremista. Os visitantes até poderiam ter feito o terceiro antes, quando o árbitro decidiu não dar um pênalti por toque de mão de Léo dentro da área. Mas isso não foi problema, quando Cebolinha começou seu show particular aos 18. Reforçou como realmente fez falta na Baixada.

Mais um contra-ataque do Grêmio se tornou fatal nos pés de seu melhor jogador. Matheus Henrique deixou um marcador no chão e arrancou pela direita, antes de inverter com o companheiro. No mano a mano, Everton bailou para cima de Cacá e chutou firme, longe do alcance de Fábio. O Cruzeiro até tentou acreditar que estava vivo e buscou o segundo gol, enquanto a torcida vaiava. Na melhor chance, Paulo Victor pegou o arremate de Ezequiel. No entanto, a goleada do Grêmio estava mais próxima e o quarto gol saiu aos 31. Everton recebeu de Jean Pyerre e aplicou um drible da vaca em Léo, antes de bater Fábio. Mais uma linda obra.

O Grêmio parecia disposto a aplicar um massacre. Renato Portaluppi foi ousado o suficiente para tirar o volante Michel e promover a entrada de Luan. O Cruzeiro se via entregue e, enquanto a torcida xingava, até mesmo Ceni dava sinais de descontrole. Haveria outra defesa de Paulo Victor, em ótima cabeçada de Fred, mas quem mandava na tarde eram os tricolores. Se o placar não ficou mais elástico, Fábio tem grande parcela de responsabilidade. O veterano realizou duas intervenções vitais no final e ainda deu sorte ao ver a tentativa de cobertura de Luan seguir para fora. Maneira pouco honrosa de completar 576 partidas e superar Ceni como o atleta que mais entrou em campo na história do Brasileirão.

A bronca do Cruzeiro é condizente ao futebol pobre do time. Até houve certa ofensividade e bons lances, evitados por Paulo Victor. Isso, porém, não minimiza a falta de equilíbrio e a maneira como os celestes expuseram sua defesa aos visitantes. O sinal de alerta permanece ligado ao clube, com 18 pontos, somente três acima da zona de rebaixamento. Já o Grêmio se recupera após a decepção na Copa do Brasil. Foi muito mais time e viu a permanência de Cebolinha na Data Fifa fazer a diferença, enquanto a única preocupação é mesmo com a gravidade da contusão de Geromel. Com 25 pontos, a equipe aparece na décima colocação. Precisa tirar o prejuízo e tentar se aproximar da zona de classificação à Libertadores. Bola não falta.