A escalação de árbitros envolve vários cuidados para evitar relações entre os homens de preto (ou de tantas outras cores, como ficou comum) e um dos times. Por exemplo, evita-se que um juiz ou bandeirinha trabalhe em partida de um time de seu estado contra um de outro. Ainda que o trio de arbitragem seja sério, fica sempre a suspeita. Mas, para a CBF, ser parente de um jogador não merece o mesmo cuidado.

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Segundo matéria de Francisco de Laurentiis para o ESPN.com.br, o bandeirinha Bruno Boschilia, que apita pela federação de Santa Catarina e é do quadro da Fifa, pode ser afastado pela CBF do jogo entre Atlético Mineiro e São Paulo nesta quarta, no Mineirão, por ter relação de parentesco com o meia Gabriel Boschilia, do time paulista. Tirá-lo da escala faz sentido, mas é incrível como a entidade ainda não trata com cuidado essa questão. Até porque ela já aconteceu e deu problema.

Em 2011, a auxiliar Márcia Bezerra Lopes Caetano validou um gol irregular do Bragantino, onde jogava Junior Lopes, seu irmão. O Leão venceu o Náutico naquela partida, disputada em Bragança Paulista, por 2 a 1. No lance irregular, o segundo gol paulista, Junior participa diretamente, tocando de cabeça a bola, o que deixou o atacante Lincom em posição de impedimento. O erro pode ter sido acidental, mas ficou a situação desagradável. O clube pernambucano entrou com uma representação na CBF contra a decisão, mas o resultado foi mantido.

Bruno Boschilia tem relação de segundo grau de Gabriel Boschilia. Os dois são parentes de Dulcídio Wanderley Boschilia – Bruno é primo de segundo grau do ex-árbitro, enquanto Gabriel é sobrinho-neto. Segundo Sérgio Corrêa, presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, os árbitros que são os responsáveis por informar à entidade parentesco com jogadores. Mas isso não aconteceu em 2014, quando Bruno Boschilia foi o árbitro-assistente de três jogos do São Paulo, como levantou a reportagem do ESPN.com.br.

Parece que a CBF só se preocupa se alguém apontar que está errado. Se não, tá tudo bem.