Santi Cazorla atravessou um calvário ao longo dos dois últimos anos. O meio-campista fez sua última partida oficial em outubro de 2016. Desde então, batalhou para se recuperar de diferentes lesões no pé. O veterano correu o risco até mesmo de uma amputação, enquanto os prognósticos durante algum tempo indicavam que talvez sequer pudesse voltar a caminhar normalmente. O espanhol lutou muito para se recuperar e, hoje, no local onde sofreu uma infecção que “comeu” oito centímetros do tendão de Aquiles, carrega uma tatuagem de pele transplantada do braço que serve de marca à sua luta. O fato de voltar a treinar com o Arsenal em abril, não apenas andando, mas também correndo, já valia como uma vitória. E nesta quarta, mais um triunfo na vida do maestro: levado pelo Villarreal para seguir sua recuperação, Cazorla disputou 15 minutos do amistoso contra o Hércules. Depois de tudo, o simples já representa demais.

“É difícil expressar o que se passa por sua cabeça depois de tanto tempo fora dos gramados. Voltar a me sentir como um jogador de futebol é muito especial. Receber este carinho das pessoas, este acolhimento que me deram. Apenas isso já vale a pena, pelo sofrimento do tempo em que fiquei fora”, apontou o veterano.

Quando anunciou o retorno de Cazorla, ídolo do clube na década passada, o Villarreal não foi incisivo quanto a datas e prazos. Não trouxe detalhes sobre o tempo de permanência do veterano. O club afirmou apenas que ele se juntaria ao elenco durante a pré-temporada, fazendo sua preparação com a equipe. Mais do que um período probatório para mostrar como está apto, seria também uma maneira de evitar cobranças sobre o meia. O veterano, aliás, não esconde sua gratidão pela maneira como o processo vem sendo conduzido pelo Submarino Amarillo.

“As pessoas no Villarreal me trataram bem desde o primeiro dia, é como se eu não tivesse deixado o clube. O relacionamento com os companheiros e com o técnico me deixam à vontade, e isso é importante para a minha progressão. Tomara que possa recompensá-los deste trato pessoal, voltando a jogar. Realmente, não se pode pagar e nem retribuir o que o Villarreal tem feito por mim. Não apenas quando cheguei, aos 18 anos, mas sobretudo por abrir as portas depois de dois anos parado. Eles me deram calma no dia a dia, sem pressão. Só o Villarreal pode fazer isso. A diretoria me chamou porque queria ajudar que eu voltasse a ser um jogador. Minha única obsessão tem sido devolver este carinho”, apontou.

Além disso, Cazorla falou sobre a relação de adoração que possui com a torcida do Villarreal, muito pela idolatria que construiu em sua principal passagem pelo clube, antes de se transferir ao Málaga: “Quando saí, em 2011, sempre disse que não era um adeus, era um até logo, porque desejava voltar. Hoje estou aqui e tomara que possa jogar novamente, defender estas cores, porque me sinto um a mais nesta grande família”. Revelado pelo Submarino Amarelo, após ser trazido da base do Oviedo, o meia defendeu a equipe por sete temporadas. Foi protagonista em boas campanhas ao final da década, especialmente no vice-campeonato espanhol em 2007/08, que o impulsionou à seleção espanhola, com a qual conquistou duas Eurocopas.

Por fim, Cazorla falou sobre as próprias cobranças que se coloca, apontando que precisa aproveitar mais o momento de alívio: “As pessoas me dizem que preciso valorizar onde estou agora e onde estava 20 meses atrás, mas só penso em me livrar da dor e estar em campo o quanto antes. Não aproveito o que estou fazendo, como os treinamentos com os companheiros ou a sensação de voltar a ser um jogador. Realmente, era impensável jogar uma partida como a de ontem e não desfrutar. Sou muito exigente e quero melhorar a cada dia, mas preciso saber onde estou e curtir o momento”. Depois de tantas dificuldades, o veterano de 33 anos merece o descanso da mente enquanto trabalha o corpo, finalmente são.