Quando Santi Cazorla voltou ao Villarreal, era normal desconfiar se ele ainda seria capaz de jogar em alto nível. O espanhol jogou no dia 19 de outubro de 2016 e fez uma cirurgia no tornozelo. Seria apenas a primeira. Em novembro de 2017, contamos o calvário do jogador para se recuperar de um problema muito grave no tornozelo que ameaçava não só a sua carreira, mas inclusive que ele voltasse a andar. Não só voltou, como está na seleção espanhola e está no grupo que pode ir à Eurocopa 2020. Aos 34 anos, é um símbolo que restou da geração passada que ainda está ativo e jogando bem, liderando uma nova seleção espanhola.

Depois de deixar o Arsenal ao final do seu contrato, em junho de 2018, já depois de quase dois anos sem jogar, ele foi acolhido pelo Villarreal. Aos 33 anos, retomava a carreira depois de agruras que seriam difíceis para qualquer pessoa. Em julho de 2018, Cazorla contou sobre os 363 dias sem jogar futebol. Em maio de 2019, em meio a uma temporada excelente pelo Submarino Amarelo, voltou a ser convocado para a seleção espanhola.

Em entrevista ao El País, o jogador contou um pouco sobre a sua volta à seleção espanhola, os momentos difíceis da recuperação e também sobre a mudança de geração na Espanha, com a pressão de um grupo que conquistou duas Eurocopas e uma Copa do Mundo, marcando época como a melhor de todos os tempos daquele país.

Seleção espanhola

“Eu não pensei nisso, não esperava muitas coisas, mas muito menos sobre a seleção, foi a coisa mais remota que poderia acontecer. Jogar futebol novamente já era um sucesso. Imagine poder ir a uma Eurocopa agora! Era impensável, estou gostando, mas também tenho que assimilar”.

Volta ao Villarreal

“Estava fazendo a recuperação entre Vitoria e Salamanca e o Villarreal jogaria em Mendizorroza. Entrei em contato com [Marcos] Senna e Fernando [Roig] para ver se podia ir ao jogo e eles me chamaram para jantar. Me perguntaram como estava a minha lesão e me disseram que se precisasse de algo eu teria as portas abertas. Estarei eternamente agradecido a eles e ao clube. A partir daí, começar a ter mais contato e me oferecer ir treinar lá sem nenhum tipo de pressão e, então, segundo o que eles vissem, decidiriam se ofereceriam ou não um contrato”.

O clube ofereceu um contrato por metas, com um valor fixo e mais um variável por número de jogos. “É normal. Quem iria colocar a mão no fogo por um jogador que estava há dois anos sem jogar por uma lesão tão grave e com uma idade importante? Era consciente de que se esse era o contrato que eu poderia esperar. Eu tinha que demonstrar a todo mundo que poderia voltar a jogar”.

“Quando comecei a treinar, eles esperavam ver um jogador em piores condições, meio aleijado, ou com muitos problemas, mas eu vinha treinando sozinho e estava em boas sensações. Acredito que se surpreenderam desde o primeiro dia de ver o quão bem eu tinha chegado. Isso foi bom para o clube e para mim”.

A rotina de recuperação

“Em dois anos, há momentos de todos os tipos, de querer jogar a toalha porque não avança, mas querer demonstrar que às pessoas que, como é normal, davam por certo que eu não voltaria a jogar, era uma motivação extra. O esforço dos meus filhos e da minha mulher, da minha família, também queria compensá-los voltando a jogar”.

“Meu filho é um doente por futebol – minha filha gosta um pouco menos – e me perguntava por que não jogava e que problema tinha. Era difícil explicar a ele, só tinha oito anos e não entendia. Era uma motivação que ele me visse jogar e agora aproveita”.

“O mais difícil foi me separar dos meus filhos. Passava de segunda a sexta fora de casa, no fim de semana voltava a Asturias e na segunda voltava a ir. Foi muito duro quando eles entenderam como uma rotina. Meu filho me dizia: ‘Você vai e não te vejo até sexta’. Nesses momentos que me perguntei se valia a pena seguir adiante. Foram uma ou duas horas, mas logo eu troquei o chip e voltei a trabalhar para voltar”.

Mudança de geração na seleção espanhola

“Eu não sei, é verdade que a idade influencia os pensamentos direcionados se as coisas estão sendo bem feitas, mas a idade é um número e o treinador não olha para isso. Não acredito que por virem jogadores como eu, como Jesús [Navas], ou como Raúl [Albiol], queira dizer que o treinador não está escolhendo bem. Os jovens têm que trazer algo à seleção. A transição aconteceu, o que acontece é que não conseguiram títulos. O problema é que o que foi conquistado antes faz com que as novas gerações tenham mais pressão”.

O meio-campista também falou sobre a comparação da atual geração com as vencedoras. “É um erro, porque cada geração tem o seu estilo. Estes são outros jogadores e compará-los com uma geração que conquistou algo que vai demorar a voltar a se conseguir é colocá-lo em uma pressão aos que estão chegando. Temos que dar confiança, agora também há jogadores de qualidade”.

“Está claro, cada jogador é diferente e o estilo dos jogadores que tínhamos antes não é o mesmo de agora. Vimos jogadores como [David] Silva, [Andrés] Iniesta, Xavi, Xabi Alonso… Agora temos Fabián, que é um jogador espetacular, mas com outras características, Saúl, que é a mesma coisa. Então, o estilo muda, mas não precisa ser melhor ou pior. É uma seleção mais física, mas a filosofia é a mesma. O treinador quer incutir que a base do sucesso é jogar com a bola, que é o que sabemos fazer. Temos esses jogadores físicos com chegada, mas o estilo segue sendo o controle da bola e criar um perigo jogando saindo de trás. A ideia não mudou, mas é preciso se adaptar ao tipo de jogadores que temos”.

Futebol mais físico

“O futebol mudou, o aspecto físico igualou tudo muito mais. Antes, a equipe mais técnica fazia a diferença. Agora, quando não iguala no físico, você sofre”, analisou ainda o jogador. “Ëu tive que mudar, ser mais inteligente para ler melhor as partidas no individual e no coletivo. Tenho uma idade e o físico fica cada dia pior”.

O jogador foi perguntado sobre ter se adaptado a jogar como meio-campista central, diferente do seu início de carreira. “É uma posição que me adaptei. Eu costumava jogar mais na ponta ou como segundo atacante. Me sinto confortável porque entro muito no jogo”, afirmou. “Na ponta só podia vir para dentro porque estava na linha. No centro tenho como sair pelos dois lados”.

Espanha x Malta
Quinta, 15/11, 16h45
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