Cavani se tornou o herói da resistência do PSG, mas vem aí tempos de tormenta

Criticado por suas atuações discretas na Ligue 1, Cavani se alimenta dos comentários de seus detratores para manter o PSG vivo na Champions. Por enquanto

Na Ligue 1, Edinson Cavani colecionou críticas ao longo das últimas rodadas. Participações discretas, gols em extinção e uma quase preguiça de jogar bola faziam chover mais e mais reclamações quanto à utilidade do uruguaio. Eis que veio o duelo de ida das oitavas de final da Champions League contra o Chelsea. E se não fosse Cavani, o Paris Saint-Germain nem ao menos teria a oportunidade de manter vivo o sonho de passar de fase.

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Esperava-se que os holofotes ficassem para Ibrahimovic. Eles foram para Cavani, escalado para jogar pelos flancos, algo do qual ele definitivamente não gosta. Mas foi com posicionamento de centroavante que ele fez o suado gol do PSG e evitou um resultado ainda pior no Parc des Princes. E ele já havia exigido uma daquelas defesas de cinema de Courtois no primeiro tempo.

Cavani foi o elemento ofensivo mais perigoso dos parisienses diante dos Blues. Os números comprovam que o Uruguai se transforma quando o assunto é LC. Nesta temporada, ele disputou 22 partidas na Ligue 1, com oito gols marcados (na média, um gol a cada 204 minutos) e três finalizações (em média) por jogo. Na Champions, Cavani entrou em campo sete vezes (em todas como titular), com seis gols feitos (um a cada 105 minutos) e média de 3,7 finalizações a cada duelo.

O atacante mostra sua eficiência quando realmente o time mais precisa – nas vezes quando Ibrahimovic está mal. Cavani parece movido pelas críticas dos jornalistas – quanto mais falam mal dele, mais energia ele acumula para calar seus detratores em momentos decisivos na LC. O céu quase caiu na cabeça do uruguaio em 2015 e até motivou uma conversa particular com Laurent Blanc. Deu resultado.

Vale lembrar que Cavani sofreu arranhões em seu prestígio pela esticada nas férias do fim do ano. Ele ainda ficou quatro jogos sem marcar, a sua pior em um ano e meio no clube da capital. No decisivo duelo contra o Lyon, ele ainda desperdiçou duas chances daquelas chances de gol imperdíveis, e que seriam cruciais na acirrada disputa pelo título. Blanc chamou a atenção para a falta de confiança do jogador. Cavani soube ouvir e tirou desta reunião com o técnico sua grande motivação para voltar a brilhar.

Tanto foi que Cavani deixou o gramado do Parc des Princes ovacionado pelos torcedores, os mesmos que lhe direcionaram algumas vaias por sua atuação desastrosa diante dos lioneses poucos dias antes. O uruguaio teve uma onipresença incontestável e um inegável espírito combativo diante do Chelsea. Se o PSG ainda respira na LC, deve muito desse fôlego ao seu contestado atacante.

E agora?

O PSG pressionou, dominou e teve a chance de vencer o líder do poderoso Campeonato Inglês, mas ficou no 1 a 1 em casa. Sinônimo de eliminação à vista? Sem dúvida, os parisienses perderam a oportunidade de, ao menos, oferecer alguma resistência aos Blues, pouco inspirados ofensivamente no Parc des Princes e que tiveram em Courtois a figura de salvador com uma série espetacular de defesas.

Sem Thiago Motta, lesionado, o técnico Laurent Blanc preferiu escalar David Luiz no meio-campo pela primeira vez nesta temporada ao lado de Verratti e Matuidi. Marquinhos entrou no miolo da zaga. O que poderia se apresentar como uma formação mais cautelosa se mostrou bastante equilibrada e permitiu ao time da casa se arriscar mais no segundo tempo, mas sem que isso significasse uma tática kamikaze.

Nos primeiros 45 minutos, o Chelsea esteve mais tempo com a bola nos pés, mas sem criar grandes ocasiões para marcar. O PSG, por sua vez, apostava nos contragolpes e esbarrou em um inspirado Courtois. Os milagres do goleiro belga contrastavam com a falta de poder de fogo dos Blues. E foi na primeira oportunidade efetiva de gol que o clube londrino abriu o placar com Ivanovic.

Na volta do intervalo, o PSG subiu o tom. Transfigurado por disputar um jogo da LC (em contraste com a apatia vista nos seus duelos pela Ligue 1), o time da capital encurralaram o Chelsea em seu campo de defesa. Não demorou para Cavani igualar, Azpilicueta salvar quase sobre a linha uma bola de Lavezzi e Courtois operar mais milagres. O PSG diminuiu o ritmo nos 20 minutos finais, mas ainda levou algum perigo.

Apesar do discurso do tudo é possível em Stamford Bridge, a eliminação bate às portas do PSG. Uma realidade cruel se compararmos o momento das duas equipes com aquele vivido por ambas na última temporada, quando também se enfrentaram na LC. O PSG venceu o primeiro duelo por 3 a 1 em casa diante de um Chelsea mais fraco do que este de 2014/15. Perdeu por 2 a 0 em Londres e se despediu.

A provável queda prematura na LC já vai provocar uma caça às bruxas mais intensa do que todas as vistas desde que os catarianos assumiram as rédeas do clube. E questões como “o ciclo de Ibrahimovic no PSG terminou?”, “qual o futuro de Cavani?” e “quem será o novo técnico?” serão bastante comuns. Um novo fracasso na menina dos olhos da diretoria não será curado “apenas” com os títulos nacionais, que também estão bem difíceis de serem conquistados. Melhor se preparar para tempos de tormenta das bravas.