São poucos os treinadores que conseguiriam cativar o torcedor do clube que treinam com uma simples bufada. Luiz Felipe Scolari é um deles. Faz parte do seu estilo retórico. Sempre com a aparência meio irritada, como se ninguém estivesse entendendo o que ele está falando, solta o ar pela boca, reabastecendo a energia para continuar a sua resposta. Também compõem um dos personagens mais importantes do futebol brasileiro, que completa 70 anos nesta sexta-feira, declarações espirituosas, engraçadas, bonachonas e, de vez em quando, agressivas um pouco além do limite. Reunimos algumas delas a seguir para prestar uma homenagem ao treinador do pentacampeonato mundial e que lidera o Campeonato Brasileiro – e que, infelizmente, levou 7 a 1 da Alemanha em 2014.

“Chega de jogador mandioca, que fica plantado no meio de campo”, disse Felipão, em 1999, cruzando seus interesses em futebol e agricultura.

“Precisa ter raiva dessa porra de Corinthians”, na preleção mais emocional do que educada que deu antes de o Palmeiras eliminar o grande rival na Libertadores de 1999, em um áudio vazado.

“Dou um doce para quem conseguir chutar a bola no gol”, desabafou, depois de um treinamento com a seleção brasileira, em 2001.

“Pode errar dez vezes que será dez vezes convocado”, garantiu a Rivaldo e foi retribuído com as atuações do craque na Copa do Mundo de 2002.

“Acredito que Pelé sabe nada sobre futebol. Não fez nada como treinador e suas análises são erradas. Ele é um ídolo, mas suas análises não valem nada”, cutucou, em 2002.

“Sou uma pessoa de bom humor. Gostei, achei divertido. Tenho bom humor, apesar da cara feia”, respondeu, depois da notícia falsa de que havia sido demitido da seleção de Portugal ter sido a piada escolhida pela imprensa portuguesa para o 1º de Abril de 2004.

“Eusébio tem mais jeito para meter bolas na baliza do que para tirar bolas da jarra”, reclamou, depois da lenda portuguesa sortear Portugal em um grupo difícil no Europeu sub-21 de 2006, que o país europeu sediou.

“Agi errado. Tive uma atitude intempestiva, mas estava protegendo meu atleta, como um bom italiano! Eu me arrependi até certa parte”, ponderou, De Frente com Gabi, sobre o entrevero com o sérvio Dragutinovic, nas Eliminatórias para a Eurocopa de 2008.

“Dezoito (minutos) pra mim está ótimo. E se amanhã for 10, está melhor ainda. Vocês estão de palhaçada. Entrevistem o médico ali. Todos vocês de palhaçada e tu é um dos mais palhaços”, perdendo a paciência ao ser questionado por que Valdivia jogou apenas 18 minutos em um empate por 1 a 1 contra o Atlético Mineiro, em 2010.

“Eu acho que ele achou que foi tão pênalti que escorregou e caiu no chão. De tanta vontade de dar o pênalti. Que tesão para dar aquele pênalti ele teve. E aí chegou a escorregar. Ixi, Maria. Pronto, tô satisfeito. Deve ter sido isso, o êxtase. Ele deve ter…gozado”, foi a maneira que Felipão escolheu para reclamar de um pênalti do árbitro Antonio Schneider na derrota do Palmeiras para o Bahia por 2 a 0, em 2012.

“Se formos campeões juntos, vou ficar junto também se formos rebaixados. Vou estar junto”, assegurou Felipão, que, porém, foi demitido meses depois de conquistar a Copa do Brasil de 2012 e antes de o Palmeiras ser rebaixado pela segunda vez.

“Se não tiver pressão quem joga futebol, então é melhor ir trabalhar no Banco do Brasil, senta lá no escritório e não faz nada”, disse, na sua apresentação como técnico da seleção brasileira em 2012, irritando o Sindicato dos Bancários – ignore o Tite, foi o o vídeo que deu para achar com a declaração.

“Em 2002, era fácil porque era fora do Brasil. Aqui é um inferno. O grande problema do Brasil na Copa do Mundo é que a Copa é no Brasil. Era muito mais fácil jogar lá fora”, afirmou, ao programa Bem Amigos, do SporTV, cometendo um leve sincericídio.

“Eles foram sete vezes no primeiro tempo e fizeram cinco gols. Nos dez primeiros minutos do segundo tempo, se eu mostrar o teipe, criamos quatro chances de gol. Se nós tivéssemos acertado as quatro, ia estar 5 a 4 em dez minutos? Isso é coisa de louco”, explicou Felipão, sem convencer muita gente, sobre a derrota para a Alemanha na semifinal da Copa de 2014.


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