Alguns dias depois de terem surgido notícias que relatavam a prisão de dois pesquisadores sobre trabalho escravo no Catar, o governo do país confirmou o ocorrido, dizendo que os dois foram detidos porque “violaram leis”. O Catar é acusado de ter trabalho escravo e usá-lo nas obras relativas à Copa do Mundo de 2022 e a pressão fez com que o país anunciasse medidas para combater essa questão. A situação é mais uma a aumentar as preocupações – e as pressões – em relação à realização do torneio mais importante do mundo do futebol em um país sob tantas suspeitas de corrupção e trabalho escravo.

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Krishna Upadhyaya e Ghimire Gundev, que trabalham para a empresa norueguesa Global Network for Rights and Development (GNRD, em português, Rede Global por Direitos e Desenvolvimento), foram presos no dia 31 de agosto em Doha. Segundo o ministro do exterior do Catar divulgou em nota oficial, os dois “estão sendo interrogados por terem violado previsões da lei” no país, mas não explicou quais são elas. A GNRD diz que um representante da autoridade britânica mandou uma mensagem de um dos presos, Upadhyaya, dizendo à família que está bem, que está preso, mas irá sair em breve. “Nós fomos presos por problemas de documentação”, disse um dos pesquisadores.

A GNRD comunicou na quarta-feira que dois integrantes britânicos da sua equipe desapareceram em Doha depois de reclamarem de serem seguidos e sofrerem com abuso de autoridade dos policiais. A Anistia Internacional classificou o desaparecimento como “extremamente preocupante” e disse que acreditava que eles tinham sido detidos por causa do seu trabalho. Segundo a agência de notícias AFP, o consulado britânico está dando assistência aos dois cidadãos britânicos, mas não revelou detalhes.

Segundo a GNRD, os dois estavam pesquisa sobre as condições de trabalho de trabalhadores imigrantes, depois das denúncias feitas pelo jornal inglês Guardian, que desencadeou investigações sobre essa questão no país. Os pesquisadores investigavam quais eram as reformas feitas pelo governo do país para impedir que o problema continuasse acontecendo no país.

Os problemas para o Catar só aumentam desde o anúncio do país como sede da Copa de 2022. As denúncias de compra de votos se empilharam desde o inesperado anúncio do país asiático como sede do principal evento do futebol mundial, em dezembro de 2010. Com a investigação do FBI e suborno de ex-vice-presidente da Fifa envolvido no escândalo, é difícil acreditar que a Copa do Mundo acontecerá mesmo no Catar. A Fifa sabe que brinca com fogo ao deixar que o Mundial continue por lá.

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