Quanto mais o tempo passa, mais controversa fica a escolha pelo Catar como sede da Copa do Mundo de 2022. Às denúncias de trabalho escravo, de exploração da mão de obra de imigrantes e de possível corrupção no processo de votação do palco do Mundial, adicione agora o fato de que o Ministro dos Esportes do país não garantiu que os homossexuais serão bem-vindos durante a competição.

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Isso mesmo. No Catar, é proibido ter relações homossexuais, o que cria um problema para potenciais turistas, de culturas não proibitivas, durante o Mundial. Quando a questão foi levantada em uma entrevista da agência de notícias AP com o Ministro dos Esportes catariano, Salah bin Ghanem bin Nasser al-Ali, o político afirmou que as pessoas precisavam respeitar o sistema do país. “Não queremos criar a impressão de que não nos importamos com nossa tradição e nossos valores éticos. Estamos estudando todas essas questões. Podemos adaptar, ser criativos para que as pessoas venham e desfrutem dos jogos sem perder a essência de nossa cultura e respeitando a preferência das pessoas que venham para cá. Acho que tem muito o que podemos fazer”, disse Nasser al-Ali.

Pode até ser “loucura” minha, “devaneio”, mas esse meio termo que o ministro quer encontrar não poderia ser facilmente resolvido com a solução óbvia? Imagine o cenário em que o que as pessoas fazem com seus parceiros, em sua intimidade, seja respeitado e não tenha a interferência do governo? Certamente isso não afetaria a cultura e a tradição catarianas, que ficam da porta dos quartos de hotel para fora.

Pouco após a escolha do Catar como sede da Copa do Mundo, Joseph Blatter foi bastante infeliz ao sugerir, em tom jocoso, que os torcedores gays “se abstivessem de qualquer relação sexual”. Pressionado imediatamente após a declaração, se retratou, mas parece que nada de relevante foi discutido em relação ao tema, já que, quatro anos depois, ainda estamos em um estágio em que o ministro do Esporte do país não garante uma recepção justa aos homossexuais.

Venda de bebidas alcoólicas também é problema

Antes da pergunta sobre a receptividade aos gays, a AP havia questionado Nasser al-Ali sobre a proibição de bebidas alcoólicas. Atualmente, a venda de álcool só é permitida dentro de determinados hotéis em Doha, com a apresentação do passaporte, e alguns moradores com um tipo de licença especial também podem comprar bebidas em uma loja do governo. O ministro não garantiu que as bebidas serão liberadas durante o Mundial, mas quer, assim como no caso dos homossexuais, encontrar um meio termo.

“Como  concorremos para 2022, vamos respeitar as regras e regulamentações da Fifa. Podemos estudar isso e minimizar o impacto em nosso povo e em nossa tradição. Acho que podemos ser criativos, encontrando soluções para tudo isso. Mas respeitamos as regras”, disse. Como, exatamente, isso será feito, Nasser al-Ali não explicou. E a questão é bem delicada para a Fifa. Patrocinada por uma cervejaria, a entidade fez uma pressão para burlar a regra do Estatuto do Torcedor que proíbe a venda de álcool nos estádios, deixando-a de fora da Lei Geral da Copa.

Com posições tão controversas como essas, situações tão desagradáveis como as diversas denúncias citadas no início do texto e problemas até mesmo de calendário, haja esforço para manter o Catar como sede da Copa do Mundo de 2022.