A Copa da Ásia tem um campeão inédito. O Catar levantou a taça pela primeira vez na sua história, com uma vitória por 3 a 1 no estádio Zayed Sports City. Foi a sétima vitória em sete jogos do Catar no torneio, melhor time na primeira fase e que confirmou o bom momento nos jogos eliminatórios. O país que sediará a Copa do Mundo de 2022 chegará ao torneio como campeão continental, no seu melhor resultado em um grande torneio, com um aproveitamento perfeito de pontos e sofrendo apenas um gol. Um trabalho que coroa o alto investimento que o país tem feito na formação de jogadores. Mais do que isso, impõe a primeira derrota do Japão em uma final da Copa da Ásia, sendo o grande vencedor deste torneio.

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O grande destaque do Catar foi Almoez Ali, autor de um dos gols da final, e que chegou a nove tentos no torneio. O maior artilheiro de uma só edição da Copa da Ásia fez não só um gol. No jogo decisivo, marcou um dos seus gols mais bonitos. O nono gol significou também quebrar o recorde de Ali Daei, do Irã, que em 1996 tinha marcado oito gols na Copa da Ásia daquele ano. Curiosamente, a sede daquele torneio também foi os Emirados Árabes. Naquela edição, o Catar sequer conseguiu se classificar.

O jogador, de 22 anos, nasceu no Sudão e mudou para o Catar ainda criança, com seus pais fugindo da guerra no seu país. Ele frequentou a famosa Aspire Academy, criada em 2004 pelo governo do Catar para observar e desenvolver talentos esportivos do país. Passou pelas categorias de base do Eupen, da Bélgica, mas se profissionalizou no LASK Linz, da Áustria. Jogou pouco por lá, assim como também jogou pouco no Cultural Leonesa. Em 2016, chegou ao Al-Duhail, do Catar, onde faz sucesso. Jogou pelas seleções sub-10 e sub-23 do Catar, além de jogar pela seleção principal desde 2016.

No primeiro tempo, os dois times chutaram três vezes a gol. O Catar acertou os três no gol, marcando dois gols. O Japão não acertou nenhum. O time do Oriente Médio foi melhor em toda a primeira etapa, sendo mais perigoso o tempo todo. Foi assim que o time catariano foi para o intervalo com uma imensa vantagem de 2 a 0 no placar, que foi crucial para o desenvolvimento do jogo.

Tocando bem a bola, o Catar mais uma vez mostrou ser um time que gosta de trocar passes, trabalhar a bola e, assim, chegar ao campo de ataque. Foi dessa forma que o time chegou à jogada do primeiro gol. Akram Hassan Afif recebeu um bom passe na ponta esquerda, dominou bem e tocou, pelo alto, para Almoez Ali. O atacante dominou bem, de costas, e virou bonito para chutar em uma bicicleta: 1 a 0. E um gol que sai como um golaço assim sempre dá muita moral.

Almoez Ali, do Catar, marca seu nono gol na Copa da Ásia (Foto: reprodução).

O Catar continua chegando com perigo e aos 26 minutos, veio mais um gol. Em outra troca de passes pelo meio, Abdelaziz Hatim recebeu e, de fora da área, chutou bonito para o gol: marcou um golaço e saiu para o abraço. Os 2 a 0 no placar surpreendiam pelo que são as duas seleções, mas não pelo que os times apresentavam em campo. O Catar vencia atuando bem, melhor que o adversário. A posse de bola acabou bastante dividida no primeiro tempo, com 53% para o Japão e 47% para o Catar. Foi o panorama do primeiro tempo.

No segundo tempo, precisando de gols para voltar ao jogo, o Japão alojou o campo de ataque do Catar. Como esperado da postura de um time que é favorito, houve pressão, bola na área e muito mais posse de bola para os japoneses, muito diferente do que se via no primeiro tempo. O time do Catar passou a ficar acuado. O time do Japão ameaçou em uma cabeçada com uma cabeçada de Muto, no meio da área.

Aos 23 minutos, uma bela jogada japonesa levou o time ao gol. Takushi Minamino recebeu no meio da área e tocou com muita categoria, por cima do goleiro. Foi o primeiro gol sofrido pelo Catar em todo torneio. O jogo ganhou um pouco mais de emoção. O Catar, ainda mais na defensiva, raramente ameaçava. Mas eventualmente, chegava ao ataque.

Em um contra-ataque, o Catar perdeu a chance de ampliar o placar, em um chute de fora da área de Abdelaziz Hatim. Foi o primeiro lance perigoso do time catariano. Logo depois, em um escanteio, os catarianos reclamam de pênalti de Yoshida, em uma cabeçada que bateu no braço de Yoshida. A princípio, o pênalti não tinha sido marcado, mas o VAR chamou o árbitro. Depois de olhar no vídeo, o árbitro decidiu marcar o pênalti. Akram Hassan Afif cobrou, marcou e ampliou: 3 a 1.

Com esse gol, o título ficou muito mais perto do Catar. O Japão, desanimado, tentou pressionar nos minutos finais, mas não criou mais chances. Os jogadores reservas do Catar, à beira do gramado, já pareciam ansiosos, de pé. O apito final do árbitro foi uma festa. O Catar pode gritar, pela primeira vez, que é campeão da Ásia. Um trabalho que tem muito do mérito do técnico Felix Sánchez, que, assim como muitos jogadores do time, passou pela Aspire Academy. Dá moral ao treinador e inspira os torcedores do Catar, um país tão pequeno, a não serem um time fraco eliminado facilmente na primeira fase da Copa. Ao menos dá um pouco de esperança.

Jogadores do Catar comemoram (Foto: reprodução)