A Coreia do Sul possui uma representatividade indiscutível no futebol asiático. O país se classificou a todas as Copas do Mundo desde 1986, com direito à caminhada até as semifinais em 2002. Porém, na Copa da Ásia, os sul-coreanos representam um fiasco contínuo. A equipe é bicampeã do torneio, mas não ergue a taça desde 1960. Desde então, acumulou quatro vice-campeonatos. E não será desta vez que o time poderá pleitear pelo título continental. Apesar da presença de Son Heung-min, a Coreia do Sul não justificou o seu favoritismo e sucumbiu ao Catar. Principal surpresa entre os semifinalistas do torneio, os catarianos conquistaram a vitória por 1 a 0 e registram sua melhor campanha na história da competição. Uma enorme motivação a quem receberá o próximo Mundial.

O Catar é treinado por Félix Sánchez, espanhol que trabalhou por dez anos nas categorias de base do Barcelona. O treinador chegou à península em 2006 e se transformou em um dos mentores da Academia Aspire, projeto bancado pelo governo catariano para a formação de jogadores. A partir de 2013, o comandante ascendeu em diferentes categorias nas seleções de base, até assumir o time principal quatro anos depois. Chegava a uma equipe com moral baixo, depois da participação fraca nas Eliminatórias para a Copa de 2018. Embora a naturalização tenha sido prática comum na seleção durante algum tempo, o elenco atual conta apenas com estrangeiros que chegaram ao país no início de carreira e atuam na liga há anos. A maior virtude de Sánchez foi aproveitar os frutos que a Aspire oferece. Não à toa, a espinha dorsal deste Catar é extremamente jovem e com as pérolas do projeto se tornando estrelas na campanha continental.

No jogo desta sexta, Paulo Bento realizou algumas modificações na Coreia do Sul e as novidades não se encaixaram. Mesmo Son acabou limitado, atuando pelo lado direito do campo. Melhor para o Catar, que aproveita melhor a virtude de seus jogadores. Em um primeiro tempo morno, raras foram as chances de gol a ambos os times, muitas vezes limitadas a chutes de longe. O duelo só melhorou na volta do intervalo, com uma postura mais agressiva dos oponentes.

O goleiro Saad Al Sheeb logo começou a ser exigido pela Coreia do Sul e fez uma boa defesa em contragolpe de Hwang Ui-Jo logo nos primeiros minutos. Lee Chung-yong também desperdiçaria uma chance claríssima de botar os sul-coreanos em vantagem. Aproveitando o apoio pelos lados, o Catar cresceu aos poucos, equilibrando as oportunidades. De qualquer maneira, as emoções ficariam restritas aos minutos finais. Aos 32, Kim Jin-su triscou a trave em uma cobrança de falta. Um minutos depois, saiu o gol catariano. Abdulaziz Hatem recebeu na intermediária, limpou a marcação e arriscou de longe, vencendo o goleiro Kim Seung-gyu.

Logo no instante seguinte, a Coreia do Sul comemorou o empate. O problema é que o VAR, presente na Copa da Ásia a partir destas quartas de final, flagrou a posição irregular milimétrica de Hwang Ui-jo. O centroavante, aliás, foi o responsável pelos últimos suspiros dos sul-coreanos, com uma cabeçada que seguiu para fora nos acréscimos. Ao final, lamentação dos comandados de Paulo Bento. Em uma campanha pouco convincente, a seleção até melhorou após a chegada de Son, mas não exibia tanta qualidade como conjunto. Bastou uma tarde apagada de seu craque para o sonho ruir. Melhor ao Catar, que realmente apresenta um futebol de qualidade na Copa da Ásia e poderá ambicionar com a final, sustentando o favoritismo nas semifinais.

O adversário do Catar será os Emirados Árabes Unidos. Os emiratenses têm como grande vantagem o fato de realizarem o torneio em casa e contarem com o apoio de sua torcida – ainda mais considerando o imbróglio diplomático que praticamente impediu a presença dos torcedores catarianos no país. O problema é que o time comandado por Alberto Zaccheroni apresenta um futebol pobre, garantindo a classificação às semifinais aos trancos e barrancos. Há alguns valores no elenco, mas não que isso garanta boas atuações. Mais uma vez aconteceu nesta sexta, contra a Austrália. Os donos da casa conquistaram a vitória por 1 a 0 em cima dos atuais campeões graças a um erro clamoroso da defesa australiana. Os Socceroos, por outro lado, também não engrenaram no torneio, entre a mudança de comando e os muitos desfalques entre seus principais jogadores.

Após quase sucumbir ante Quirguistão, os Emirados Árabes vieram com cinco mudanças em sua escalação, enquanto o suspenso Tom Rogic era desfalque sentido aos Socceroos. O primeiro tempo contou com um jogo aberto. Os dois times arrematavam a gol e poderiam construir a vantagem. Faltava um pouco mais de precisão. Nos 15 minutos finais, as oportunidades se tornaram mais constantes à Austrália. Jamie Maclaren chamava a responsabilidade e arriscava bastante, mas parou nas defesas de Khalid Eisa e em uma bola na qual Fares Juma Al Saadi salvou na hora exata. Mat Ryan, menos exigido, levou um susto nos acréscimos, em cabeçada livre que Ali Mabkhout não aproveitou da melhor maneira.

Durante o segundo tempo, a Austrália parecia pronta a conquistar a vitória. Começou a pressionar no ataque e a ameaçar. Apostolos Giannou até balançou as redes, mas o lance foi corretamente anulado por impedimento. Depois, seria a vez de Chris Ikonomidis arriscar com perigo. Mas o erro fatal aconteceu logo depois, aos 23 minutos. Milos Degenek fez um recuo de bola horrível a Mat Ryan e deixou Ali Mabkhout na cara do gol. Desta vez, a referência ofensiva dos emiratenses não perdeu. Assim, os minutos finais guardaram a tentativa de empate dos Socceroos. O time pressionou, mas encontrou dificuldades para romper a marcação de Emirados Árabes. Apesar dos longos acréscimos, os australianos não conseguiram reagir.

Pela quarta vez, Emirados Árabes alcançam as semifinais da Copa da Ásia. Seu maior sucesso aconteceu em 1996, quando justamente eram anfitriões, mas perderam a decisão contra a Arábia Saudita. A atual geração tem bons valores e já vinha de semifinais em 2015, eliminados justamente pelos australianos. O futebol pragmático exibido até aqui, todavia, precisará de mais para superar o bem montado Catar.