Luca Toni se consolidou como um dos maiores ídolos recentes do Verona. Mesmo beirando os 40 anos de idade, o centroavante viveu belíssimos momentos com os gialloblù. Foi artilheiro da Serie A e atravessou duas temporadas excelentes no Estádio Marcantonio Bentegodi, apesar do rebaixamento em seu último ano de carreira. E o impacto do matador seguiu orientando a política de contratações dos veroneses. Giampaolo Pazzini foi seu herdeiro na Serie B, primordial ao acesso. Permanecerá na elite do Campeonato Italiano, mas será acompanhado por uma baciada de medalhões: durante as últimas horas, o clube anunciou as contratações de Antonio Cassano e Alessio Cerci.

VEJA TAMBÉM: Liderado por Pazzini, o tradicional Verona volta à Serie A um ano após a queda

Aos 29 anos, Cerci vem para a enésima chance de recuperar a carreira. Depois de sua ótima passagem pelo Torino, que o levou à Copa do Mundo de 2014, o ponta nunca mais foi o mesmo. Não se encaixou no Atlético de Madrid, onde desembarcou como aposta alta, antes de ser emprestado a Milan e Genoa, causando impacto quase nulo. Nos últimos meses ainda sofreu com as lesões, ao menos participando da reta final da temporada com o Atleti – e, curiosamente, se tornando um dos xodós da torcida, talvez por pena. Nada suficiente para que permanecesse no elenco de Diego Simeone. Vai aos gialloblù sem custos e com lenha para queimar, pensando na idade e no potencial. Resta saber qual será a vontade.

Já o nome de Cassano é o que mais chama atenção. O atacante de 34 anos mal jogou nos últimos anos e chegou a cogitar a aposentadoria. Já tinha ficado seis meses parado após deixar o Parma, em janeiro de 2015. E, apesar da alguns bons momentos, sua última passagem pela Sampdoria foi repleta de percalços. Permaneceu a maior parte do tempo encostado, diante de vários imbróglios arranjados nos bastidores – especialmente com o presidente Massimo Ferrero, após a chegada do técnico Marco Giampaolo. Além disso, independentemente da qualidade técnica inegável, demonstrava uma capacidade física ainda pior, para quem já tinha atravessado a carreira inteira lutando contra a balança. Suas condições são uma incógnita, considerando que sua última partida oficial aconteceu em maio de 2016.

O ressurgimento com a camisa do Verona talvez seja a chance derradeira para Cassano mostrar que ainda pode render em alto nível. Pelas primeiras imagens, o atacante parece disposto a deixar os velhos fantasmas para trás. Posou sorrindo e enfatizando sua vontade em seu primeiro dia nos corredores do Verona. Faz sentido: durante os últimos meses, FantAntonio deu várias declarações na imprensa implorando por uma chance, afirmando que seguia com bola para a Serie A e que não aceitaria propostas vultuosas de ligas menores, como a MLS e a Super League Chinesa.

Sem medo de se oferecer, Cassano conversou com diferentes clubes durante o primeiro semestre, até se acertar com o Verona – algo que já vinha se desenhando desde maio. Jura que está bem fisicamente (algo comprovado por sua aprovação nos exames físicos) e promete se comportar. A questão é saber até que ponto dará para confiar no veterano – talentosíssimo, mas com prazo de validade curto. Para quem sempre diz que rendeu menos do que poderia por sua própria culpa, o comprometimento de Cassano quase sempre fica na lábia. Mais do que falar, é preciso fazer diferente. O nível de cobrança será alto. Para tentar ajudar, formará outra vez a parceria com Pazzini, de grandes momentos na Sampdoria durante a virada da década.

Com Cerci e Cassano, o Verona adiciona renome e tarimba no elenco em seu retorno à Serie A. Mas será que vai ser suficiente? Que a política de contratação de veteranos tenha dado certo nos últimos anos, soa um bocado de exagero esta baciada de medalhões para um período de reconstrução. Quando os gialloblù deveriam pensar no futuro, parecem presos ao passado – em reforços que, a princípio, não devem render muito a longo prazo. Bola não falta aos dois ex-jogadores da seleção italiana, isso é fato. Todavia, neste primeiro momento, a dúvida que paira é outra: o empenho, algo fundamental não apenas para o próprio sucesso, mas também para que os figurões entrem em campo juntos. O profissionalismo de Luca Toni deveria servir de norte.

A visão da diretoria do Verona, sobretudo, coloca em xeque o planejamento para a permanência na Serie A de forma duradoura. Tudo bem que os gialloblù deram passos acelerados em seu acesso anterior, mas souberam montar um elenco competitivo para a elite. O problema é que a durabilidade foi relativamente curta. E depois do investimento alto para os padrões da Serie B, em busca do acesso instantâneo, o imediatismo permanece ditando as regras. Enquanto clubes como Sassuolo e Atalanta viveram boas temporadas apostando na juventude, os Mastini vão pelo caminho contrário.