Relatos de casos de racismo no futebol inglês cresceram 43% na última temporada em relação à anterior, de 192 a 274, aponta um relatório da Kick it Out, organização que promove a igualdade e luta contra a discriminação. Incidentes de discriminação em geral pularam 32%, de 319 para 422, mostrando o quanto o futebol ainda precisa fazer para combater o preconceito.

Segundo a BBC, é o sétimo ano consecutivo em que há aumento. Juntando ofensas por redes sociais, o total chegou a 581, aumento de 12% em relação à temporada anterior, e mais do que o dobro de cinco anos atrás. Relatos de ofensas preconceituosas com bases religiosas, contra muçulmanos ou judeus, por exemplo, registraram o maior aumento de todos: 75%, de 36 para 63. Discriminações por orientação sexual pularam de 61 para 68 (12%) e por gênero permaneceram iguais (oito).

À BBC, a chefe da Kick It Out, Roisin Wood, relacionou o aumento agudo dos casos de discriminação ao processo do Brexit, por meio do qual o Reino Unido tenta se separar da União Europeia. “Eu acho que não dá para separar as duas coisas. Estamos vendo muitos relatos de ‘volte para onde você veio’, o que não víamos há algum tempo e que parecem ser puxados pelo Brexit”, disse.

“O futebol reflete a sociedade em que ele é jogado e assistido, e esses números infelizmente não são surpreendentes”, acrescentou Wood, ao Guardian. “O fato de que relatos de racismo cresceram 43% claramente mostra o trabalho gigantesco que todo o futebol ainda precisa fazer para enfrentar isso. Em 2019, precisamos fazer a pergunta: o que podemos melhorar e o que não está funcionando?”

As instituições inglesas não parecem estar. A Kick It Out relatou que a Federação Inglesa não a informou sobre o que aconteceu (multas ou sanções) com 79% dos 109 casos de discriminação relatados nas categorias de base, metade dos quais no futebol sub-18. No futebol profissional, o crescimento foi de 46%, para 313, e apenas 62% deles chegaram a algum lugar até onde a organização está ciente.

Casos notórios de racismo aconteceram contra Pierre-Emerick Aubameyang e Raheem Sterling, que se tornou um dos líderes do movimento, com fortes declarações públicas. Os dados foram compilados pela Kick it Out em todos os níveis do futebol inglês, da Premier League ao non-league (abaixo da quarta divisão), na Superliga Feminina e nos torneios de base.