Quando Casemiro deixou o São Paulo para jogar pelo time B do Real Madrid em janeiro de 2013, poucos imaginavam que ele poderia ser um dos pilares do time dois anos depois. Quem acreditava era justamente quem mais precisava: ele mesmo. Confiante, Casemiro disse que se tivesse a chance de jogar, ele provaria que poderia ser titular. Era 2013, seis meses depois de ter chegado ao time B, por empréstimo, ser comprado em seguida e incorporado ao time principal. Ele confiava que poderia fazer diferença. Mas só ele acreditava.

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Casemiro foi contratado pelo Real Madrid em janeiro de 2013, de forma surpreendente. O jogador vinha em baixa no São Paulo e era considerado um caso perdido pelos dirigentes. Foi por empréstimo para jogar no Castilla, o Real Madrid B. De forma ainda mais surpreendente, foi chamado para jogar pelo time principal em abril. Jogou os 90 minutos como titular contra o Betis, em vitória por 3 a 1. Jogou outros 15 jogos no time Castilla, que fizeram o clube exercer a cláusula de compra do seu contrato de empréstimo do São Paulo: € 6 milhões.

Foi incorporado ao time principal do Real Madrid na temporada 2013/14. “Sempre teve um problema, que era ele ser um Mauro Silva, mas só ele sabia”, disse, brincando, José Ángel Sánchez, diretor geral do Real Madrid, segundo relata o El País. Aos 21 anos, ele era confiante na sua capacidade. Em 2011, no Mundial sub-20, foi destaque do time campeão. Tinha se perdido com o deslumbramento, a fama, o dinheiro, e não conseguiu se firmar no São Paulo. Já tinha passado por isso. Sabia que aquela era uma chance única.

“Me deem cinco partidas e demonstrarei que posso ser titular”, disse, em 2013, para a comissão técnica, comandada na época por Carlo Ancelotti. Não teve sequência, mas teve um jogo que marcou a sua carreira. Teve uma atuação magnífica contra o Borussia Dortmund, na Alemanha. Uma partidaça. “Esse jogo mudou a minha vida”, disse Casemiro ao Marca. Contribuiu para o time ser campeão da Champions, ainda que do banco.

Foi reserva daquele time, mas atuou com frequência: 42 jogos, marcou seis gols e fez quatro assistências. Mesmo assim, acabou emprestado para o Porto. Sua temporada incrível o trouxe de volta a Madri, mas agora em um outro patamar. Teve uma sequência de jogos com Rafa Benítez, mas acabou perdendo a posição quando o técnico tentou jogar de forma mais ofensiva. Com a queda do técnico, continuou na reserva com a entrada da Zidane. Isso até março de 2016, quando entrou no time e fez jogos em sequência como titular. Para não sair mais.

No vestiário do Real Madrid, o chamam de “Case”. Quando querem falar sério com o brasileiro, o chamam por algo que poderia soar como uma ironia até dois anos antes: Casemito. Sua importância é ressaltada por membros importantes do elenco, como Cristiano Ronaldo e Bale. Os dois apostaram no brasileiro um dia antes. Casemiro estava preocupado porque Massimiliano Allegri tinha citado o seu nome na coletiva de imprensa. Tinha medo de não conseguir fazer o seu trabalho diante de uma Juve organizada. Não só exerceu o seu papel de importância tática como ainda marcou o gol do 2 a 1 em Cardiff.

Sánchez, diretor do Real Madrid, conta algo curioso. Quando Kroos chutou e a bola rebateu e sobrou mais para trás, ouviu um grito entre os torcedores madridistas: “Onde você vai, Casemiro?”. Tinha sido assim também quando, no Santiago Bernabéu, o volante apareceu perto da área para acertar um chute no ângulo e marcar contra o Napoli, nas oitavas de final. Foi assim também em Cardiff: chutou forte, contou com um leve desvio e correu para comemorar. Ele tinha dito um dia antes que sentia que ia marcar um gol. Bale e Cristiano Ronaldo tinham dito a ele que seria “sua final”. Pensou em em como comemoraria e queria algo que mostraria seu carinho pelo clube, beijar o escudo, apontar para a camiseta. Mas, na emoção do gol, correu para a torcida, abriu os braços e se ajoelhou.

Pilar defensivo, um jogador tático, recuperador de bolas, mas não só isso. A temporada mostrou um Casemiro que inicia as jogadas para Kroos e Modric. Um jogador que é duro, às vezes até violento, mas que permite que o Real Madrid tenha equilíbrio mesmo com um dos laterais mais ofensivos do mundo pela esquerda, Marcelo. Caseiro, junto a Sergio Ramos, ajuda a preencher os espaços. Não dá chances para o adversário explorar as costas de Marcelo. Eme teve seus cinco jogos de titular para não sair mais do time.

Casemiro, assim, é o “herói não falado” de Madrid. Ou, ao menos, não era tão falado. Talvez seja cada vez mais. Tite, por exemplo, já sabe disso. A camisa 5, titular no meio-campo da Seleção, é dele para 2018, a não ser que aconteça um desastre. O Casemito saiu de escanteado em 2013 para compor o que alguns chamam de melhor meio-campo do mundo no Real Madrid e titular da seleção brasileira.

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