Brasil e Argentina é muito mais do que um clássico entre duas fortes seleções da América do Sul. É um confronto imerso em história e tradição no futebol, o que, consequentemente, exala rivalidade e o torna um dos maiores eventos esportivos do mundo. Nesta quinta, o Mineirão será palco do jogo de número 104 entre a Amarelinha e a Albiceleste.

Mais uma vez, Belo Horizonte receberá as seleções brasileira e argentina para mais um duelo que tem tudo para ser enérgico. Será o quinto da história na cidade mineira, que mesmo tendo ficado marcada por ter sediado o trágico acontecimento na Copa do Mundo de 2014, nunca outorgou seu solo para uma derrota do Brasil diante de sua maior rival. Relembre a sequência invencível do Brasil no Mineirão:

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O ano era 1968. O Brasil recebeu a Argentina no Mineirão pela primeira vez em 11 de agosto. Embora o encontro não valesse classificação, tampouco pontos em algum torneio, era válido por ser o duelo de número 50 da história do clássico. Mesmo sendo amistoso, aquele jogo valia muita coisa. Valia honra, valia moral, valia dignidade. Sempre valeu, e não só se tratando de futebol, já que questões históricas envolvendo ambos os países também explicam como surgiu a rivalidade.

Naquela partida de 48 anos atrás, a Seleção contou apenas com jogadores que atuavam no futebol de Minas Gerais. E o placar de 3 a 2 sobre os argentinos foi construído com esforço cruzeirense, com Evaldo abrindo o marcador e Dirceu Lopes, meia e estrela também do Cruzeiro nas décadas de 60 e 70, anotando um golaço.

Sete anos depois, no reencontro entre a Amarelinha e Albiceleste no Mineirão, a Seleção também só teve jogadores do futebol mineiro a representando. Coincidentemente, a Argentina trouxe ao Brasil um time também formado por atletas de uma única região do país. Não tinha um acordo quanto a isso, nem nada estabelecido, como no caso dos brasileiros. Mas foi mesmo uma grande coincidência que a maioria dos argentinos que vieram jogar a Copa América de 1975 fosse da província de Santa Fe.

E as semelhanças com o amistoso de 1968 não pararam por aí. O placar também foi favorável ao Brasil e também com um gol de diferença. Dessa vez, Nelinho, que faria o antológico gol de curva sobre a Itália na Copa do Mundo de 1978. Edição esta, aliás, que contou com boa parte dos argentinos que enfrentaram o Brasil no Mineirão pela fase de grupos da Copa América de 1975, como Mario Kempes.

Custou muito tempo para que Belo Horizonte voltasse a ser palco de um dos maiores confrontos de seleções do planeta. Quase 30 anos. Mas em 2004 lá estavam o Brasil de Carlos Alberto Parreira e a Argentina de Marcelo Bielsa no Mineirão. Naquela ocasião, já com jogadores de diversas regiões de ambos os países. E, como na desta quinta-feira, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo.

O duelo de 12 anos atrás, no entanto, teve certa afinidade com os dois outros acontecidos no mesmo lugar anteriormente pelo responsável pelo único gol argentino, bem como Evaldo e Dirceu Lopes, também ter atuado no Cruzeiro. Juan Pablo Sorín diminuiu a vantagem brasileiro naquele jogo, que, por sinal, e de maneira muito curiosa, foi erguida por um hat-trick de pênalti de Ronaldo.

Apesar do resultado a seu favor, o Brasil não fez uma boa partida. Não teve uma atuação aplaudível, apesar do ritmo do jogo ter sido frenético. As jogadas trabalhadas, a reprodução do toque de bola no meio-campo e a característica de jogo coletivo das partidas anteriores foram por água abaixo naquela noite de 2 de junho. Mesmo assim, a Seleção (quer dizer, o Fenômeno), passou por cima da Argentina dos três Javier (Mascherano, Zanetti e Saviola), de Walter Samuel, de Hernán Crespo e companhia para assumir o topo da tabela de classificação para a Copa de 2006.

Em 2008, só que pelas Eliminatórias da Copa do Mundo da África do Sul, o Brasil voltou a apresentar um futebol abaixo do que se esperava diante da Argentina. No Mineirão, a seleção canarinho teve outra péssima atuação coletiva. O problema é que nem as jogadas individuais ajudaram a equipe de Dunga a abrir o marcador.

Esse foi o primeiro jogo de Lionel Messi em terras tupiniquins, e nele o craque do Barcelona foi um tanto aplaudido pela torcida presente no estádio ao abandonar o gramado. Ao contrário do técnico da Seleção, que entrou e deixou o campo sob vaias e diversos tipos de comentários hostis vindo das arquibancadas. Nessa partida, algumas mudanças foram feitas na escalação do time. Luis Fabiano deu lugar a Adriano no ataque, enquanto Josué e Diego saíram para que Anderson e Julio Baptista assumissem o meio-campo. Mudanças que para aquele jogo, particularmente, não foram úteis, uma vez que o placar terminou 0 a 0.