Caro Roberto Frizzo;

Ontem penseiem você. Bastante. Porisso, escrevo. Fui ao cinema assistir Elefante Branco, filmaço do argentino Pablo Trapero, com o genial Ricardo Darín emocionando como o padre Julián. Vale a pena, Frizzo.

Mas, não vamos falar de cinema. Quando terminou o filme andei um pouco pela Augusta, em direção à Paulista e….como milhões de paulistanos já fizeram, parei no Frevinho. Parabéns, Frizzo, que maravilha. O beirute é o mesmo de sempre, espetacular, o melhor da cidade. Pão sírio crocante, queijo, tomate e orégano. No filme que vi pouco antes, havia uma música chamada “Las cosas que no se tocan”, com o grupo Intoxicados. Muito boa, mas tocar aquele beirute, sentir seu sabor, seu cheiro tem gosto de saudade.

Me lembrei da minha primeira vez lá no Frevinho, há mais de 30 anos. Estava passando uma semana aqui na capital, vindo lá de Aguaí, me diverti com amigos e, no último dia, antes de voltar, fui ao Frevinho. Ineaquecível beirute. E arrematei com um choco lamour. Ontem, não. Era segunda e eu estava iniciando um regime. Se fosse amanhã, comeria, porque regime bom não dura mais que dois dias.

Mas não vamos falar de comida. O seu restaurante (ou lanchonete) é um marco cultural na cidade. Se você for vender um dia, haverá movimentos como aquele que lutou contra o fim do Belas Artes. Tomara que com mais sucesso. Já pensou quantas e quantas pessoas não foram até o Frevinho bater papo, encontrar amigos, quantos namoros não começaram ou terminaram aí? Ele está na memória afetiva da cidade.

Mas, vamos falar de futebol.  Caro Frizzo, você há de concordar comigo que não obteve como dirigente de seu querido Palmeiras um milionésimo do que fez no Frevinho. Toda sua competência e tirocínio está ligada ao ramo da comida. Não sei se futebol é mais difícil, não sei se negociar o preço de um Beirute é mais fácil do que contratar bons jogadores, não sei o motivo, mas caro Frizzo, se você fizesse no restaurante o que faz no Palmeiras, ele não manteria a freguesia por tantas décadas.

A freguesia de um clube de futebol é movida a amor e não à orégano. Apesar de tanta humilhação, o palmeirense continua amando o Palmeiras. Até o fim. Na primeira, segunda ou terceira. No título ou na queda. No amor ou na doença.

Respeite esse amor que você também tem, Frizzo, e pede para sair. Agora, não, espera a agonia terminar. E saia. Abra novos restaurantes. Talvez uma franquia – mas sem perder a qualidade, sem mexer na farofa doce do choco lamour – ou então ouse. Crie algo novo. Ganhe prêmios, seja reconhecido, seu nome está na história da cidade, mas deixa o Palmeiras viver sua vida em 2013. Com alguém que não contrate Fernandão e Ricardo Bueno. Frizzo, isso corresponde a colocar tomate azedo e queijo rançoso no Beirute.

O Palmeiras precisa de união para superar o trauma da queda. Ou, caso a desgraça não aconteça, em montar um bom time para a Libertadores. A sua melhor ajuda, Frizzo, é sua ausência nesse novo projeto.

 

P.S para Arnaldo Tirone

Caro Tirone, eu nunca fui no Yellow Girafa. A rua Amauri me assusta, sou mais do Sujinho ou do Nellos, láem Pinheiros. Então, não pude falar de suas qualidades de restauranteur, então só posso lhe dar um conselho. Acompanhe o Frizzo. Tudo o que falei para ele vale para você também.