Caro amigo, talvez seja desnecessário, mas quero reforçar o carinho e a admiração que tenho por ti. Pela tua seriedade e honestidade profissional, pelo teu respeito a todos os colegas, independentemente do tamanho do veículo em que trabalham, pela tua humildade em entender que não é melhor do que ninguém porque trabalha na maior, mas sim que só será melhor que alguém se continuar fazendo seu trabalho (muito) bem feito.

Isto dito, preciso te dizer que discordei da tua decisão de não participar do “tuitaço” contra Ricardo Teixeira. Respeito, também não sou melhor nem superior a ninguém para querer julgá-lo, mas discordo. Discordo dos dois principais argumentos: 1- trabalho em uma empresa que tem regras, cumpro-as; e 2- gosto de futebol, se gostasse de política trabalharia nessa editoria.

Entendo que há regras que empresa nenhuma pode obrigá-lo a respeitar. Ninguém espera que você participe de um movimento “Fora Rede Globo”. Ricardo Teixeira, entretanto, embora fortemente apoiado por ela, não é a Globo. Assim como a ditadura militar não era a Globo, nem a Folha. E a Folha, que a apoiou, foi obrigada a mudar de posição. Não é de se supôr que os jornalistas da Folha tenham participado dessa mudança de rumo?

Ninguém é obrigado a gostar de política, mas ela está em tudo em nossa vida, e o impacto que tem em nossa profissão, em nossa missão de vida, que é o futebol, é enorme, determinante. Não é como se lhes pedissem para se posicionar contra o ridículo João Sorrisão. Isso seria um desafio frontal a quem os emprega, além de não ter nenhum efeito na vida de ninguém. Deixar de se posicionar contra Ricardo Teixeira, entretanto, é deixar de se posicionar contra desonestidade, favorecimento, desmandos e bandidagem. Contra gente que usa e ainda vai usar o futebol, que é nosso, que é do povo brasileiro, para enriquecer muito e, no processo, deixar o país mais pobre e mais injusto.

Eu respeito, entendo, mas, sem achar que tenho qualquer direito de cobrá-lo, discordo.

* Tenho mais de um amigo global, antes que alguém ache que esta carta é a apenas um jornalista. Não é.