A depressão é a doença mental predominante no mundo, segundo estudos de 2013. Em 2014, 19,4% das pessoas no Reino Unido com 16 anos ou mais mostraram sintomas de depressão ou ansiedade. Em 2017, a Organização Mundial de Saúde (OMS) relatou que os casos de depressão aumentaram 20% em uma década e é a maior causa de incapacitação no mundo. A doença ainda é pouco falada e pouco tratada, menos ainda quando se trata de atletas de alto rendimento. Nesta terça-feira, o ex-meio-campista Michael Carrick revelou que lutou contra depressão por dois anos em sua carreira, quando estava no Manchester United.

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Carrick trabalha atualmente na comissão técnica do Manchester United, clube que defendeu como jogador por 12 anos, de 2006 até maio deste ano, 2018, quando se aposentou. Ele contou que a derrota para o Barcelona por 2 a 0 na final da Champions League de 2009, em Roma, iniciou o momento que ele descreve como “o ponto mais baixo” da sua carreira. O pior momento, conta o inglês, aconteceu quase um ano depois, na Copa do Mundo de 2010, na África do Sul.

“Era o meu sonho estar em uma Copa do Mundo, mas a verdade é que eu não queria estar lá. Eu queria estar em casa”, conta o ex-jogador. Carrick se sentiu culpado pela derrota do Manchester United naquela final contra o Barcelona, porque ele errou o passo que culminou no primeiro gol do adversário. “Eu me culpei por aquele gol”, ele afirmou, em entrevista ao jornal inglês The Times. “Eu fiquei me perguntando: ‘Por que eu fiz aquilo? E então a depressão foi crescendo daí. Foi um ano difícil depois daquilo. Demorou um bom tempo”.

“Eu tinha ganhado a Champions League no ano anterior, mas foi totalmente irrelevante. Eu senti que eu estava em depressão. Eu estava realmente para baixo. Eu imagino que é isso que é depressão. Eu descrevo como depressão porque não foi uma coisa de uma vez só. Eu me senti terrível depois por alguns jogos, mas então você se recupera nos dias seguintes, mas aquele eu simplesmente não conseguia ignorar. Foi uma sensação estanha”, contou Carrick.

“Eu guardei aquilo para mim mesmo na maior parte do time. Mesmo a minha família não sabia da extensão daquilo”, revelou ele. “Não é algo que se fala sobre no futebol. Eu não falei sobre isso antes. Para os companheiros que eu joguei junto que estão lendo isso, será a primeira vez que eles saberão disso. Eles não sabiam”, contou ainda Carrick.

Foram 481 jogos pelo Manchester United em uma carreira muito vitoriosa atuando pelo clube de Old Trafford. Ele chegou em 2006, vindo do Tottenham, e conquistou cinco títulos de Premier League, além da Champions League em 2007/08. Estava no elenco também nas duas finais que o Manchester United ainda chegaria da Champions, em 2008/09, citada por ele como um episódio que serviu como gatilho da sua depressão, e depois em 2010/11, quando, mais uma vez, o Manchester United acabou derrotado pelo Barcelona.