Quando a bola saiu do pé esquerdo de Fabio Grosso e morreu nas redes do Estádio Olímpico de Berlim, na final da Copa do Mundo de 2006, a carreira de Francesco Totti na seleção italiana chegou ao fim, mas pode ser retomada oito anos depois. Assim como a Roma, o atacante de 37 anos começou a temporada voando, e o técnico Cesare Prandelli considera seriamente convocá-lo para jogar novamente pela Itália na Copa de 2014.

Após o título mundial, Totti informou ao técnico Roberto Donadoni que seu corpo não tinha mais condições de se dividir entre dois mestres e decidiu priorizar a Roma. Apesar da aposentadoria da seleção, houve rumores, sondagens e conversa fiada sobre um retorno na Copa de 2010 e na Euro de 2012, mas nem Marcelo Lippi e nem o próprio Prandelli concretizaram-no.

Com Totti liderando a campanha 100% da Roma no Campeonato Italiano – sete vitórias em sete jogos -, Prandelli acena, mais uma vez, com uma convocação. Há dois anos, falou sobre isso vagamente, sem se comprometer, falando em considerar “todos os jogadores em boa forma”. Agora, foi bem mais específico.

“Se a Copa do Mundo fosse hoje, eu com certeza o convocaria, não há dúvidas sobre isso. Vamos avaliar Totti a um mês da Copa do Mundo, mas um Totti desses é um jogador para se falar, para se refletir, é um Totti fantástico. Eu ainda não falei com ele sobre isso, não há necessidade a oito meses do Mundial”, justificou.

Quando Totti assinou seu novo contrato de dois anos com a Roma, em setembro, disse que não pensava na Copa do Mundo, apenas no clube, e que queria ver como estaria “física e mentalmente” em maio. O essencial para ganhar a confiança de Prandelli será justamente manter o corpo em forma. “A prioridade é chegar na Copa com 22 jogadores em forma. A condição atlética será decisiva”, avisou.

Em sete jogos na temporada, Totti fez três gols e deu seis assistências. Seria um acréscimo de qualidade ao ataque da seleção italiana, muito dependente de Mario Balotelli, e mais um jogador experiente, ao lado de Andrea Pirlo, Gianluigi Buffon e Daniele De Rossi, em um elenco de jovens.

Poderia, no entanto, criar um problema de grupo, por passar praticamente oito anos sem atuar pela seleção, sem o incômodo de eliminatórias e amistosos, e voltar apenas para comer o filé mignon na Copa do Mundo. E Totti, idolatrado pela torcida da Roma, não é exatamente o jogador de futebol mais gente boa. A sorte de Prandelli é ter sete meses para ponderar tudo isso.