O Liverpool não estava em um bom momento na janela de janeiro de 2011. Havia ficado fora da Champions League e a decisão de escolher Roy Hodgson para substituir Rafa Benítez provara-se desastrosa. No fim do mês, mais uma notícia ruim: Fernando Torres, um dos melhores jogadores do time e entre os principais atacantes do mundo, seria vendido para o Chelsea, sublinhando o quanto o clube havia se distanciado de seus rivais.

Ou pelo menos parecia uma notícia ruim para muitos, mas não para Jamie Carragher que sabia que o Liverpool estava passando a perna no Chelsea ao receber £ 50 milhões, um valor absurdo para aquela época, por um jogador que, em suas palavras, “era uma sombra de si mesmo”, o que se comprovou nos anos seguintes em que Torres poucas vezes chegou perto da melhor forma que exibiu em Anfield.

O espanhol estava com 26 anos e havia terminado a temporada 2009/10 com uma lesão no joelho. Havia marcado nove gols em 23 partidas pela Premier League no semestre anterior à transferência para o Chelsea, inclusive dois contra o time de Roman Abramovich que, segundo Carragher, teriam sido essenciais para que o russo sancionasse a compra por um valor tão alto.

“Eu não conseguia acreditar e o que quero dizer é que eu sabia que havíamos passado a perna no Chelsea. Eu havia jogado com Torres nos últimos 12 meses e ele era uma sombra de si mesmo. Acho que durante 18 meses no Liverpool ele foi o melhor atacante do mundo e acho que tinha um retrospecto tão bom contra o Chelsea que isso ficou marcado na cabeça do dono”, disse Carragher, à Sky Sports.

Torres fez sete gols em oito jogos contra o Chelsea pelo Liverpool. “Não tanto o treinador porque o Chelsea trocava de treinador com tanta frequência. Naquele momento, o Chelsea ainda era um clube em que o dono comprava os jogadores que queria. Shevchenko foi um caso similar”, disse.

“O que aconteceu conosco foi que tivemos a sorte de, quando jogamos contra o Chelsea naquela temporada, não estávamos tendo uma grande campanha, Torres estava com muitos problemas, mas ele fez dois gols contra o Chelsea e acho que vencemos por 2 a 0 ou 3 a 0 (foi 2 a 0), com Roy Hodgson em Anfield. E acho que a decisão foi provavelmente tomada ali por Roman Abramovich. Assim que chegou janeiro, eles vieram por Fernando Torres”, completou.

Claro que o fato de que £ 35 milhões das £ 50 milhões terem imediatamente sido gastas em Andy Carroll diminuiu bastante a vantagem que o Liverpool teria levado sobre o Chelsea, mas naquele mês, os Reds também contrataram Luis Suárez, do Ajax, por aproximadamente £ 22 milhões.

“Agora, £ 50 milhões era muito dinheiro naquela época e todos ficamos em estado de choque. Tristes que Torres havia ido embora, mas acho que todos sabíamos que ele nunca mais seria o mesmo jogador. Mas nós não conseguíamos acreditar que levamos £ 50 milhões e acabamos fazendo mais ou menos a mesma coisa ao comprar Andy Carroll por £ 35 milhões, mas nós também tiramos Luis Suárez daquele negócio. O dinheiro de Torres nos rendeu dois atacantes”, disse.

“Mas não ficamos surpresos que as coisas não deram certo para Fernando Torres no Chelsea”, disse Carragher.

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