Bicampeã da Copa do Mundo e eleita a melhor jogadora do planeta, Carli Lloyd, do Sky Blue, tem 37 anos e precisa pensar no que fazer quando pendurar as chuteiras do futebol profissional. Talvez calçar outras? Depois de um vídeo em que a atacante acerta um chute de 55 jardas durante um treino o Philadelphia Eagles ser bastante compartilhado, Lloyd afirmou que recebeu contatos da NFL para se tornar a primeira mulher da história da elite do futebol americano e, em entrevista à NBC, falou a sério sobre o assunto.

O futebol universitário teve algumas experiências com mulheres, mas nenhuma chegou a ser incorporada a um elenco da NFL. “Quando chegamos ao carro, foi inacreditável. Os textos, os vídeos, tudo viralizando. Eu não fazia ideia. Foi louco. Ainda é louco. Eu tive uma conversa com Randy (Brown, assistente do Baltimore Ravens, que estava treinando junto com os Eagles). Os treinadores e o general manager, todos eles viram o vídeo. Eles estavam, tipo, ‘o que ela fará semana que vem?’. Estou dando risada sobre isso, mas, quanto mais eu penso, tem a chance de ser uma espécie de momento pioneiro para mulheres”, disse, segundo o Washington Post.

Lloyd contou que estava de folga e, por ser torcedora do Philadelphia Eagles, decidiu fazer uma visita a um treinamento semana passada. Ao fim dele, recebeu a companhia dos kickers Jake Elliot, dos Eagles, e Justin Tucker, dos Ravens. Começou a chutar da linha de 25 jardas e foi recuando. Uma das tentativas foi curta demais, algumas não pegaram a trajetória correta. Chegou às 55 jardas e ainda tentou outro chute de 57, que teve força suficiente, mas não direção.

“Eu poderia chutar field goals o dia inteiro. Eu amo. Há muita semelhança com chutar uma bola de futebol. Eu amo chutar bolas longas de futebol. A técnica é a mesma e acho que sou muito precisa”, disse. “Acho que tudo é possível. Tem sido realmente muito interessante porque, para mim, sou apenas um atleta, uma competidora, mas, para muitas outras pessoas, acho que estão começando a pensar se haverá uma jogadora mulher na NFL em algum momento”, disse, desta vez à Sports Illustrated. “E acho que estamos em uma encruzilhada, do ponto de vista da igualdade e do empoderamento feminino. Eu definitivamente recebi algumas consultas. Algumas pessoas falando. Tudo é possível, mas, no momento, sou uma jogadora de futebol e vamos ver o que acontece no futuro”.

Uma ponderação válida é que Lloyd conseguiu acertar um field goal longo em um treinamento, sem nenhuma pressão, o que é bem diferente de um chute em um jogo para valer. A função do kicker no futebol americano é uma das que mais tem a influência do psicológico.

“Eu abraço a pressão. Amo a pressão. Depende da mente, treinar a mente. Vale a pena ter algumas conversas sobre isso. Com treinamento e alguém me mostrando, eu sei que consigo. Eu tenho um dos chutes mais precisos no nosso jogo. O grande negócio seria me acostumar com os caras grandes, mas nada me assusta. Você se reprime se fica assustada. O que é o pior que pode acontecer? Não ser contratada pelo time? Vamos dizer que eu tente. Talvez eu mude muito o panorama”, disse.

“Eu sei que eu provavelmente conseguiria. Colocar o capacete, a proteção e mandar ver. Com a mentalidade que eu tenho, com treinamentos, eu sei que poderia trabalhar nos passos e na minha técnica, mas eu acho que conseguiria fazer isso e fazer bem. Poderia ser um momento muito significativo. Não há nenhum motivo para uma mulher não conseguir fazer isso”, encerrou.

Lloyd recebeu o apoio de Gil Brandt, dirigente do Hall da Fama da NFL que trabalhou com o Dallas Cowboys de 1960 a 1988. “Honestamente, acho que não demorará muito para uma mulher quebrar a barreira da NFL. Eu a daria um teste a sério se fosse, digamos, o Chicago Bears”, escreveu Brandt.