A partir de sua ascensão na década de 1990, o Caracas se transformou no maior clube da Venezuela. O time da capital conquistou 11 títulos entre 1992 e 2010, além de registrar boas campanhas na Libertadores. Desde então, os Rojos enfrentavam o seu maior jejum na liga nacional. O domingo, no entanto, serviu para encerrar a espera que durava nove anos. Após o empate por 1 a 1 arrancado nos minutos finais, o Caracas derrotou o Estudiantes de Mérida por 4 a 3 nos pênaltis e comemorou seu 12° troféu da liga, dentro do Estádio Olímpico de la UCV.

O Campeonato Venezuelano é decidido entre os vencedores do Apertura e do Clausura. Foi uma temporada acidentada, por toda a situação política, econômica e social do país. Mas, apesar do cancelamento de algumas partidas e da interferência direta no horário dos jogos, a competição acabou sofrendo uma interferência menor do que em outros países sul-americanos e conseguiu chegar à conclusão sem tantos sobressaltos.

O Caracas fez uma campanha de recuperação. Apesar da segunda colocação na fase de classificação do Apertura, o time caiu logo nas quartas de final dos mata-matas. Faturaria o Clausura. A equipe de novo terminou com a segunda melhor campanha e se confirmou na fase eliminatória. Superou Aragua e Deportivo Lara, até comemorar o título em cima do Deportivo Táchira, graças aos tentos fora de casa. Rosmel Villanueva definiu a taça ao clube da capital aos 45 minutos do segundo tempo, ao arrancar o empate por 2 a 2 em San Cristóbal, após o 1 a 1 em Caracas.

Já na finalíssima do Venezuelano, mais equilíbrio contra o Estudiantes de Mérida. O Caracas saiu com o empate por 1 a 1 no primeiro jogo, fora de casa, quando chegou a ficar em vantagem no placar. Neste domingo, o reencontro no Estádio Olímpico de la UCV seria mais duro aos Rojos. O Estudiantes saiu na dianteira aos 43 do primeiro tempo, com o capitão Jesús Meza concluindo o lance confuso dentro da área. A persistência do Caracas só daria resultado aos 41 da etapa final. De cavadinha, Jesús Arrieta fez o gol que deu sobrevida aos anfitriões e, com novo 1 a 1 no placar, determinou as penalidades.

Na marca da cal, o goleiro Alejandro Araque seria o principal personagem. O Caracas ficou em vantagem na terceira série de cobranças, quando Daniel Linarez isolou seu chute, mas Araque logo depois pegou a batida de Carlos Espinoza e deixou tudo igual. Porém, quando o Rojo havia convertido seu quinto tiro e retomado a dianteira no placar por 4 a 3, o próprio Araque desperdiçou o último chute do Estudiantes de Mérida. Não cobrou bem e facilitou a defesa de Alain Baroja, que confirmou a taça ao Caracas.

Baroja, aliás, é uma das principais figuras do Caracas. O goleiro é um dos nomes mais experientes do elenco e liderou a defesa ao lado do capitão Rubert Quijada. Já na frente, a dupla formada por Richard Celis e Jesús Arrieta anotou 25 gols ao longo da campanha. É uma equipe jovem, com diferentes jogadores que acumulam passagens pelas seleções de base e podem retomar a hegemonia do clube no Campeonato Venezuelano. Talvez este tenha sido apenas o primeiro passo.

No banco de reservas, o mentor da campanha foi Noel Sanvicente, o homem que liderou a ascensão do Caracas na década passada. À frente do clube de 2002 a 2010, o técnico faturou o campeonato cinco vezes com o Rojo. Depois, foi campeão mais duas vezes com o Zamora e passou dois anos treinando a seleção, antes de voltar ao Caracas em 2017. O comandante aumenta a sua idolatria e chega a 14 títulos do Campeonato Venezuelano nos últimos 32 anos – incluindo também seis como jogador, vestindo as camisas de Marítimo e Minervén. É definitivamente uma lenda.

Com 12 títulos no Campeonato Venezuelano, o Caracas abre quatro de vantagem sobre o Deportivo Táchira como maior campeão nacional. E será interessante acompanhar o retorno do clube à Copa Libertadores em 2020. Depois de um ano no qual os representantes do país fizeram boas campanhas nas competições da Conmebol, mesmo com todo o tumulto interno, a camisa mais pesada voltará a ganhar representatividade.