A tragédia de Port Sair, na qual morreram 74 pessoas durante partida entre Al Masry e Al Ahly, continua trazendo graves desdobramentos ao futebol egípcio. Neste sábado, a Corte Egípcia confirmou as sentenças de morte dadas a 21 envolvidos com o massacre, bem como condenou à prisão outros 24 réus. Entretanto, a absolvição de 28 acusados causou mais violência no país.

Revoltados com a decisão, membros de torcidas organizadas do Al Ahly incendiaram a sede da Associação Egípcia de Futebol (EFA). Além disso, outros confrontos foram registrados nas proximidades da praça Tahrir, no Cairo. Três pessoas morreram – entre elas, uma criança de oito anos – e outras quinze pessoas ficaram feridas durante os protestos.

Entre os absolvidos estão sete policiais e dois dirigentes do Al Masry. Principal grupo de torcedores do Al Ahly, o Ultras Ahlawy se manifestou em sua página no Facebook, recriminando a decisão: “As absolvições da maioria dos cães da polícia são sinais claros de que o julgamento foi uma farsa. O que aconteceu hoje no Egito é apenas o início de nossa raiva”.

Já o executivo-chefe da EFA, Sarwat Swelam, lamentou as perdas materiais: “A situação é muito difícil. A sede da federação foi totalmente incendiada e o presidente Gamal Alaam retornará de uma viagem ao exterior para uma reunião de emergência. Um grande número de membros do Ultras Ahlawy queimaram todos os documentos e também roubaram os troféus. A história do futebol egípcio está perdida agora e não pode ser recuperada”.

Em janeiro, o anúncio da sentença de morte a 21 envolvidos com a tragédia havia causado mais vítimas em Port Said. Cerca de 40 pessoas morreram durante os protestos. Familiares dos réus tentaram invadir a prisão onde eles estavam detidos, bem como o tribunal de justiça onde o caso era julgado.

Já entre os condenados deste sábado, cinco receberam prisão perpétua, entre eles dois policiais. Antigo diretor de segurança de Port Said, Essam Samak permanecerá recluso pelos próximos 15 anos, assim como outros nove outros acusados.

Cancelado após o desastre, o Campeonato Egípcio teve nova temporada iniciada em fevereiro, mas ainda sem público por questões de segurança. A estimativa da federação era reabrir os portões a partir do segundo turno. Entretanto, o porta-voz da EFA, Azmy Megahed, voltou a cogitar a interrupção do futebol no país: “Vamos discutir algumas propostas para evitar a repetição de uma nova tragédia”.