Futebol é um negócio. Você já ouviu essa expressão antes e certamente ela é inegável. O futebol gera cifras altas, o que faz com que jogadores e clubes movimentem bilhões de dólares ao redor do mundo. O escândalo do Fifagate está fazendo com que a Fifa seja obrigada a fazer mudanças em suas estruturas. E um dos candidatos a presidente da entidade, o xeique Salman Bin Ebrahim Al Khalifa, presidente da Confederação Asiática de Futebol (AFC), quer dividir a Fifa em duas como parte do seu plano para reorganização do órgão que comanda o futebol no mundo.

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A Fifa é uma das maiores corporações do mundo, mesmo sendo, em tese, uma entidade sem fins lucrativos. O escândalo do Fifagate expôs uma entidade corrompida entre seus principais dirigentes e o maior símbolo disso é o seu presidente, Joseph Blatter, e o principal candidato a sucedê-lo, o presidente da Uefa, Michel Platini, suspensos por oito anos do futebol por irregularidades. As relações promíscuas entre dirigentes e dinheiro oriundo do futebol não é nova, mas as acusações finalmente caíram nas mãos dos órgãos competentes e, mais do que isso, investigações e punições estão acontecendo.

Por tudo isso, Salman quer fazer uma separação clara na Fifa entre duas unidades. Uma, que ele chamou de “Futebol Fifa”, que cuide só do futebol, desde a governança até eventos e torneios organizados pela entidade; outra, chamada “Negócios Fifa”, que cuida de toda parte comercial e financeira.

“Apenas separando estritamente a geração de fundos e supervisão da entrada de dinheiro gasto nós podemos garantir o renascimento da nova Fifa que seja responsável e um bom cidadão corporativo que mereça o respeito de todos”, disse Salman em comunicado.

A eleição na Fifa será no dia 26 de fevereiro e tem cinco candidatos. As 209 federações filiadas à Fifa poderão votar para escolher o novo dirigente que ocupará a presidência. Michel Platini seria o candidato favorito, mas foi banido do futebol por oito anos, assim como Joseph Blatter. Desde maio quando o FBI deflagrou uma operação que investiga dirigentes da Fifa, 27 pessoas que são ou já foram dirigentes ligados à Fifa foram indiciados.

Nesta quarta, a justiça suíça entregou documentos às autoridades americanas sobre as investigações no país europeu, que focam especificamente em irregularidades nas escolhas das sedes das Copas de 2018 e 2022. Os suíços congelaram cerca de US$ 80 milhões em 13 contas bancárias dos envolvidos.

“A Fifa deve ser reestruturada para sanar seus males atuais. Nada menos do que uma completa reformulação organizacional e a introdução de mecanismos de controle rigorosos nos permitirá relançar a Fifa em sua totalidade”, diz ainda Salman em seu comunicado. Segundo o dirigente, é preciso trazer especialistas externos para ajudar no processo, incluindo um “executivo de alto gabarito que não necessariamente tenha fama em futebol, mas alguém que seja um especialista em gestão de crise”.

O príncipe herdeiro do Bahrein, que tem 50 anos, promete uma revisão profunda da gestão mais alta da estrutura da Fifa e quer ouvir os funcionários da entidade, que, segundo ele, não tenham a ver com todo o escândalo.

“A Fifa não é aqueles 40 indivíduos que foram indiciados, presos ou então condenados em várias acusações. A Fifa é acima de tudo um grupo forte de 400 empregados, de mais de 40 países, que sofreram com a confusão causada por outros que estão marginalmente ligados à organização”, afirmou o dirigente do Bahrein.

“Meu foco será fazer a Fifa merecer apoio corporativo com a introdução de estruturas e controles que geram o tipo de confiança que foi perdida. Uma boa conversa de relações públicas não irá sanar as falhas que a Fifa permitiu acontecer”, criticou Salman.

Além de Salman, os outros candidatos à presidência da Fifa são o secretário-geral da Uefa, Gianni Infantino, o ex-secretário-geral da Fifa, Jerome Champagne, o presidente da Federação de Futebol da Jordânia, príncipe Ali Bin Al Hussein, e o político e empresário sul-africano Tokyo Sexwale.