A Ligue de Football Professionnel (LFP), que dirige as duas primeiras divisões do Campeonato Francês (Ligue 1 e Ligue 2, respectivamente), quer criar uma espécie de Fair Play Financeiro para diminuir a dívida dos clubes. Segundo a Direction Nationale du Contrôle de Gestion (DNCG), a dívida dos clubes das duas primeiras divisões francesas chegou a € 176 milhões. Por isso, a entidade que dirige a liga profissional francesa quer criar um sistema preventivo para limitar o endividamento dos clubes franceses, similar ao Fair Play Financeiro já usado pela Uefa, segundo informado pelo L’Equipe.

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“Nós temos que nos preparar para o futuro que pode ser mais complicado”, afirmou Jean-Marc Mickeler, presidente do DNCG. “No sistema de controle da Uefa há algumas coisas muito boas, incluindo o uso de índices preventivos”, continuou o dirigente, que acredita que é preciso ter um sistema que vincule mais os clubes e que haja mais disciplina e consistência para “definir as regras do jogo para novos investidores que cheguem amanhã no futebol francês”.

Para isso, o índice que a LFP pensa em usar, segundo Mickeler, é um índice que leve em conta a folha de pagamento total em relação à receita gerada pelo clube, excluindo transferências. “Isso dará origem a um grupo de trabalho liderado pelo DNCG, com os clubes, para pensar na definição e evolução dos seus índices”, afirmou Didier Quillot, executivo-chefe da LFP. A entidade quer tratar sobre o assunto no segundo semestre para implementar o sistema a partir da temporada 2020/21.

Com isso, os clubes teriam gastos de folha salarial limitados ao que declararem ter de receita, dentro de uma proporção, ainda a ser definida. No Brasil, por exemplo, o programa de licenciamento irá limitar os clubes a gastarem até 80% do seu orçamento com salários. O Brasil tem um projeto de licenciamento de clubes, ainda pouco fiscalizado pela CBF, que o implantou que limita o gasto com futebol a 80% (e isso engloba todo o gasto com futebol, não apenas folha salarial).

Para que isso funcione, é preciso ter um controle maior sobre as finanças de cada clube, com padrões a serem seguidos, por exemplo – algo que o Brasil não fez, o que faz com que vários clubes apresentem balanços completamente diferentes. Na França, isso pode significar que os times não poderão fazer um gasto acima da média para tentar um tiro curto, por exemplo. A ideia é evitar que os clubes se endividem, que não consigam pagar salários e mesmo dívidas com o fisco, também impondo um pouco mais de controle para os donos de clubes e como se dá o gasto, algo que é sempre perigoso do ponto de vista da liga – afinal, já vimos casos de clubes que foram à falência quando seus donos abandonaram as agremiações.