O Campeonato Sueco encerrou neste sábado uma temporada inesquecível. A competição chegou à sua rodada decisiva com três times lutando pelo título – todos com mais de 72% de aproveitamento dos pontos. E o Djurgarden, líder da liga durante mais da metade das rodadas, quase pôs tudo a perder. Jogando fora de casa contra o Norrköping, o clube de Estocolmo tomou dois gols nos primeiros 14 minutos de partida e, ao final do primeiro tempo, ocupava a terceira colocação na tabela. Contudo, a equipe reagiu e buscou o empate por 2 a 2, suficiente para terminar um ponto à frente de Malmö e Hammarby, seus concorrentes. O apito final provocou uma enorme invasão de campo, dimensionando bem o que representa o fim do jejum que perdurou por 14 anos ao Djurgarden.

A corrida pelo título do Campeonato Sueco contou com quatro concorrentes principais nesta reta final. O Djurgarden era o favorito, na liderança a partir da 18ª rodada (num total de 30), embora tenha perdido o posto brevemente para o Malmö na 27ª rodada. Por sua vez, o próprio Malmö também se estabeleceu na segunda colocação durante a maior parte deste período. Mais abaixo, os principais rivais do Djurgarden vinham colados: enquanto o Hammarby ascendia rumo às primeiras colocações, o atual campeão AIK (que liderou durante o início do segundo turno) indicava o seu declínio.

Restando seis rodadas para o fim, a disputa parecia limitada ao quarteto, separado por seis pontos. Neste momento, o Hammarby venceu o clássico contra o AIK, entrando de vez na briga. O ritmo era alto e todos mantinham um ótimo aproveitamento. Isso até que, a quatro rodadas do fim, o Hammarby balançasse de vez as estruturas. Os alviverdes derrotaram o líder Djurgarden fora de casa. Com isso, Malmö e Djurgarden dividiam o topo da tabela com 59 pontos, enquanto AIK e Hammarby apareciam logo abaixo com 56. Qualquer deslize a esta altura custaria caro.

O Malmö daria um passo para trás na antepenúltima rodada, ao ser derrotado na visita ao Hammarby e cair para a terceira colocação. Já na penúltima rodada, o AIK deu adeus às chances do bicampeonato, batido em sua visita ao Malmö. Djurgarden, Malmö e Hammarby entrariam no último compromisso podendo terminar com a taça. Líder, o Djurgarden tinha a vantagem do empate por somar 65 pontos, contra 62 dos oponentes. No entanto, o saldo de gols parelho transformava o cenário totalmente aberto em caso de empate duplo ou tripo no topo da tabela.

O Djurgarden encarava justamente o adversário mais difícil. Pegava fora de casa o Norrköping, quinto colocado. E os mandantes pareciam dispostos a impedir a comemoração dos líderes, ao abrir dois gols de vantagem com 14 minutos de jogo. Rasmus Lauritsen e Sead Haksabanovic balançaram as redes. Neste momento, o título da equipe de Estocolmo dependia de uma complicada reação, já que seus concorrentes faziam suas partes. O Malmö terminou o primeiro tempo vencendo por 2 a 0 o Örebro, nono colocado, fora de casa. Já o Hammarby abriu o placar em casa contra o Häcken, sexto na tabela, aos 35 minutos. Com o empate triplo no topo da classificação, o troféu ia ficando com o Malmö, graças ao saldo de gols favorável.

No início do segundo tempo, Jesper Karlström descontou ao Djurgarden, enquanto o Häcken empatou contra o Hammarby. Enquanto as duas equipes lutavam, o Malmö chegou a abrir 4 a 0 sobre o Örebro e botava a mão na taça. No entanto, o gol do título do Djurgarden não tardaria, diante da enorme pressão sobre o Norrköping. Aos 20 minutos, o serra-leonês Mohamed Buya Turay surgiu como herói para desviar a bola na área e garantir o empate. Pouco adiantou ao Malmö fechar a contagem em 5 a 0 ou ao Hammarby golear por 4 a 1. Com um ponto a mais, o troféu ficava mesmo com os líderes.

Antes de celebrar, o Djurgarden ainda dependeu de meia hora de angústia até o apito final. Viu sua zaga salvar uma bola na pequena área, mas também desperdiçou a chance da virada no fim do tempo regulamentar. E quando o título se confirmou, uma massiva invasão de campo aconteceu. Mesmo fora de casa, a equipe de Estocolmo levou uma quantidade expressiva de torcedores a Norrköping, mais ao sul da capital. Os visitantes embelezaram a cena de entrega da taça, com os jogadores rodeados pela multidão.

Com um aproveitamento de 73,3% dos pontos, o Djurgarden conquistou 12 vitórias nas 15 rodadas do segundo turno. Além disso, a equipe teve campanhas idênticas em casa e fora, garantindo estabilidade. O comando técnico foi dividido de maneira curiosa por dois treinadores, Kim Bergstrand e Thomas Lagerlöf. Companheiros de elenco no AIK durante o início dos anos 1990, ambos levaram o Sirius da terceira à primeira divisão sueca, antes de iniciarem a empreitada vitoriosa em Estocolmo a partir de 2018. Já dentro de campo, enquanto Buya Turay terminou como artilheiro do campeonato, com 15 gols, o capitão Marcus Danielson foi eleito o melhor jogador da competição, essencial ao ótimo rendimento defensivo.

Este é o 12° título do Djurgarden no Campeonato Sueco, o quarto neste século. O clube estabeleceu uma hegemonia notável com três títulos entre 2002 e 2005, mas desde então havia acumulado uma porção de campanhas medianas. O troféu desse sábado recobra a grandeza da agremiação, que se torna a quarta mais vitoriosa do país, igualando o número de conquistas de AIK e Örgryte – maior vencedor, o Malmö possui 20 no total. E o esperado grito, que não vinha há 14 anos, terminou por desatar de uma maneira que os torcedores do Djurgarden recontarão por décadas.