Os jogadores da seleção uruguaia e a federação do país passam, já há alguns meses, por uma disputa em torno da camisa da seleção. O elenco conseguiu uma proposta de patrocínio da Nike cinco vezes maior que a da Puma, mas a entidade, influenciada pela empresa Tenfield, que serve como intermediária nas negociações, não ficou muito seduzida pela oferta financeira. Nesta quinta-feira, os atletas subiram o tom, posicionaram-se de maneira mais firme e tomaram ações: proíbem a federação e a Tenfield de explorarem os seus direitos de imagem.

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A Tenfield pertence a um agente de futebol chamado Paco Casal e tem como um dos sócios o ex-jogador Enzo Francescoli. Ela atua como intermediária negociando, entre outras coisas, direitos de transmissão do campeonato nacional e o patrocinador da camisa. Por isso, os clubes, responsáveis por 19 votos na escolha, temem que o dinheiro de TV seque caso eles escolham a Nike, trazida pelos jogadores, e não a Puma, trazida pela Tenfield, como explicamos neste texto.

O problema é que a diferença financeira entre as duas propostas é de quase US$ 20 milhões, dinheiro que poderia ser muito bem aproveitado pela federação. Em um comunicado publicado nas redes sociais de Diego Godín, Luis Suárez, Edinson Cavani e outros, os jogadores fizeram questão de deixar isso bem claro.

“Esta semana, os jogadores integrantes da seleção principal, assim como um conjunto de ex-jogadores da mesma, intimamos a Federação Uruguaia e a empresa intermediária Tenfield para que parassem, de maneira imediata, de usar e explorar de forma ilegítima nossa imagem, fazendo expressa reserva de nossos direitos”, afirma o comunicado.

“Temos a mais absoluta convicção de que, até agora, e contra todo critério racional e justo, a empresa intermediária Tenfield teve o monopólio da exploração de todos os ativos pertencentes à AUF, e não permitiremos que essa situação volte a acontecer sem nos posicionarmos. E por isso, acreditamos que o patrimônio da Celeste tenha que ser vendido diretamente às marcas finais para obter a maior renda possível e gerar os recursos que nosso futebol merece. Também a AUF e a Tenfield vêm comercializando os direitos de imagem dos jogadores da seleção principal, sem autorização dos mesmos. Por estarmos convencidos disso, comunicamos ao nosso povo que não vamos, em nenhum caso, ceder nossos direitos de imagem a intermediários, nem vamos tolerar que eles os tentem comercializar e explorar em prejuízo ao futebol uruguaio”, completaram.

Eles exigiram uma reforma de estatuto que melhore o processo de tomada de decisões da AUF, “como a Fifa vem pedindo há muitos anos a suas associações”, e afirmaram que seguem comprometidos com a defesa da Celeste em todos os campos – inclusive no plano comercial – e que assumem os riscos de suas posições, “sempre fiéis aos nossos princípios”.

“Nosso futebol uruguaio está cada dia mais pobre e necessitado de recursos. Os jogadores locais são os protagonistas desse esporte e, no entanto, são os que mais sofrem com a situação. Foi isso que levou os jogadores aproximarem a AUF, também a pedido dela, a uma proposta cinco vezes maior que a que eles tinham em cima da mesa. Essa proposta evidencia o verdadeiro valor do patrimônio da seleção uruguaia e o preço baixo pago até o momento pela empresa intermediária Tenfield. Queremos manifestar ao nosso povo que este grupo de jogadores não vai mais tolerar que se continue vendendo o patrimônio da seleção a nenhum intermediário, para que depois este especule com os mesmos, ficando com os benefícios em suas mãos, e não nas mãos do futebol uruguaio”, disseram.

“O futebol é nossa expressão máxima popular, a Celeste é do povo e é tarefa de todos, sem ter medo, exigir e conseguir que o futebol seja exemplo de honestidade, democracia, independência, transparência, solidariedade e valores que fizeram do nosso país grande”, encerraram.