Desde a irretocável campanha no primeiro turno, era exagerado pensar que o Corinthians conseguiria passar incólume por todo o Campeonato Brasileiro. Mas parecia tão exagerado quanto isso o outro extremo: imaginar que a queda fosse brusca a ponto de colocar em risco a liderança do time do Parque São Jorge. Bem, está acontecendo. Por vários fatores, a derrocada foi maior do que se previa. E a derrota para a Ponte Preta, nesta 31ª rodada, deixou o Palmeiras – o concorrente da vez ao título, pela forte turbulência no Santos e pela preocupação maior e lógica que o Grêmio tem – com a maior das oportunidades: se vencer o Cruzeiro nesta segunda, diminuirá a vantagem alvinegra para três pontos e transformará o Derby do próximo domingo, na Arena Corinthians, em uma imperdível “decisão de campeonato”.

A queda do Corinthians é natural, antes de mais nada, porque o estilo de jogo da equipe de Fábio Carille ficou conhecido, e já foi decifrado pelos adversários. Tarefa ainda mais facilitada pela queda técnica dos vários destaques corintianos. No primeiro tempo do jogo em Campinas, essa queda ficou novamente clara: apenas tentativas esparsas pelas pontas. Ou em chutes de fora – num deles, de Jadson, rebatido por Aranha, até veio grande chance, com a bola na trave de Gabriel aos 33 minutos.

Todavia, laterais por laterais, a Ponte Preta tinha opções melhores em Nino Paraíba e Jefferson. Quase conseguiu aos 27: após bola vinda da direita, Rodrigo (impedido) cabeceou cruzado, e Cássio espalmou com a ponta dos dedos. Uma grande defesa, mesmo com a jogada irregular. E finalmente, aos 40 minutos, a justiça para a leve superioridade ponte-pretana. Em cruzamento de Jefferson, da direita, Lucca cabeceou com precisão: cruzado, na diagonal, no canto. Cássio tentou, mas não conseguiu impedir que a Macaca abrisse o placar.

Justiça seja feita, Fábio Carille percebeu a exasperante lentidão corintiana. Para o segundo tempo, Clayson entrou no lugar de Ángel Romero. Pelo menos no começo, deu certo, porque a Ponte Preta foi prensada no seu campo de defesa. E se sucederam as jogadas. Aos cinco minutos, Clayson fez a jogada pela esquerda, passou a Jô, e deste a bola foi para Rodriguinho, que se virou e bateu para Aranha fazer boa defesa. Depois, aos 10, Rodriguinho finalizou da entrada da área, e após desvio na defesa, Maycon ficou em boa condição. Mas perdeu o domínio, e Aranha pegou.

A Ponte só tentou algo aos 14 minutos, quando Lucca ganhou a dividida com Balbuena, cruzando para o perigoso cabeceio de Emerson Sheik. Depois, o time campineiro ficou mais concentrado na defesa. Pôde fazer isso, por dois motivos. O primeiro deles: aos poucos, a insistência corintiana no ataque foi amainando, pela própria queda técnica. O segundo, e mais importante: se as oportunidades da equipe paulistana dessem certo, havia Aranha em ótimo dia. O goleiro mineiro mostrou isso aos 26, defendendo bola traiçoeira vinda em desvio de Rodriguinho. No final, então, o brilho do camisa 1 pontepretano foi maior ainda. Aos 44, espalmando chute de Rodriguinho; no escanteio subsequente, sendo espetacular ao agarrar na pequena área o cabeceio de Pablo; nos acréscimos, mandando para fora outra forte bola vinda da cabeça de Jô; e no lance derradeiro do jogo, impedindo que a bola entrasse após novo chute de Rodriguinho.

Por Aranha, pela lentidão, pela falta de opções, pela falta de criatividade, o Corinthians vê seu sonho correndo cada vez mais perigo. E o Palmeiras, por sua vez, vê aumentar a inesperada chance de conquistar o seu décimo título nacional, com requintes de deliciosa crueldade (superando o arquirrival, como em 1994, mas quando ninguém pensava que seria possível). Resta ao clube paulistano da Pompeia cumprir sua parte para que todos os olhos brasileiros acompanhantes de futebol se deleitem com a expectativa do que poderá acontecer no domingo que vem, em Itaquera, na Arena Corinthians.