Com apenas 17 anos, Eduardo Camavinga já é um dos destaques da Ligue 1. Meio-campista titular do Rennes, terceiro colocado do Francesão, o garoto foi eleito pelo rigoroso L’Équipe para a seleção da temporada 2019/20. O bom ano apenas reforça o interesse de gigantes em seu futebol, entre eles o Real Madrid. Mas Camavinga não parece muito preocupado com isso e muito menos faz projeções para o futuro, exceto por uma: quer terminar a carreira no modesto Drapeau Fougères.

Nascido na Angola, Camavinga mudou-se para a França com os seus pais quando tinha dois anos de idade. Quatro anos mais tarde, em 2008, juntou-se às categorias de base do Drapeau Fougères, equipe da cidade de Fougères, próximo a Rennes, na Bretanha. O garoto passou cinco anos no time, indo para o Rennes em 2013, aos 11 anos. Porém, carrega consigo uma forte identificação com o primeiro clube. Ao ponto de dizer que gostaria de se aposentar por lá, jogando de graça, com uma simples condição.

“O que eu sei sobre o meu futuro é que vou para o Fougères de graça e vou terminar minha carreira lá. Só vou pedir uma bebida grátis no bar de refrescos depois dos jogos. Um suco de maçã, melhor dizendo”, riu, em entrevista ao jornal Ouest-France.

A fala de Camavinga deu-se em um momento da entrevista em que o jogador respondia sobre o interesse de gigantes do futebol europeu em seu futebol e se ele acompanhava os rumores que surgem sobre ele. O meia diz não buscar saber, mas que é difícil evitar ficar sabendo, revelando até mesmo uma anedota de uma partida recente.

“Eu não olho muito, mas ainda assim eu vejo. Na verdade, não consigo evitar. Às vezes, estou rapidamente nas redes sociais e vejo coisas ou amigos me mandam algumas coisas. Uma vez, contra o Amiens, na Copa da Liga, um adversário me disse: ‘Temos que trocar de camisa antes que você vá para o Real Madrid’. Mas eu não estava para brincadeira, tínhamos acabado de ser eliminados. Depois, voltei a pensar nisso e dei risada”, relembra.

Em suas palavras, Camavinga mostra a mesma maturidade precoce que demonstra ter dentro de campo, como quando jogou como um veterano ao enfrentar o PSG e dar uma assistência, quando tinha apenas 16 anos, na vitória por 2 a 1 ainda na segunda rodada da Ligue 1. Fica lisonjeado, sim, com o interesse de equipes como Real Madrid, Liverpool, PSG e Dortmund, mas deixa isso para seus representantes.

“Sinceramente, não me concentro muito nisso. É bom ter grandes clubes como esses interessados em mim, mas eu não estou muito interessado nisso. Especialmente por estar bem no Rennes. Vamos ver o que acontece a seguir… Eu deixo meus pais e meus agentes cuidarem disso.”

Um dos rumores que correm pela imprensa local é de que Camavinga teria um acordo verbal com o Rennes de que permaneceria na equipe por mais uma temporada caso o time se classificasse para a Champions League 2020/21. Com a Ligue 1 encerrada mais cedo e o Stade Rennais classificado com terceiro colocado do Francês, o objetivo estaria cumprido. Porém, o jogador afirma não saber de nada parecido.

“Quando a temporada começa, eu me concentro exclusivamente no futebol, deixo meus agentes e meus pais resolverem todo o resto e depois falamos sobre isso juntos no final da temporada, quando necessário. Mas se tivesse havido um acordo tão importante no meio da temporada, francamente, eu teria sabido disso”, explicou.

Independentemente de qual seja sua escolha, Camavinga parece ter um futuro brilhante pela frente, reforçado pela mentalidade que demonstra também quando está longe dos gramados. O Rennes certamente se beneficiaria de sua permanência, mas trabalhar com Zidane pode ser bastante atrativo, assim como no Liverpool de Klopp ou no potencializador de talentos Borussia Dortmund, onde certamente teria mais tempo de jogo do que na Espanha ou na Inglaterra.