O inevitável rebaixamento do Palmeiras foi confirmado neste fim de semana. Junto com ele, veio o aumento das vozes dizendo que o rebaixamento é uma grande oportunidade, que é uma chance do time se reorganizar, se refundar ou se reerguer. Dizem que fez bem a esse, aquele ou aquele outro. Dizem que o rebaixamento pode fazer bem ao clube. Que é bom, no fim das contas. Não acreditem. Não é. Nunca é bom cair.

Quando um time grande como o Palmeiras cai, não é sinal que o Campeonato Brasileiro é equilibrado, ou que os times com orçamentos menores também conseguem montar times bons, competitivos e que derrubam os maiores. Também não quer dizer que o Brasil tenha dezenas de times grandes.

Na verdade, a queda de um time como o Palmeiras é uma senhora obra de incompetência. Estamos falando do time que é a quinta maior torcida do Brasil. Que ganha milhões em patrocínios. Que tem uma torcida fiel, que dá retorno ao time. Que ganha cotas de TV muito maiores que seus concorrentes ao rebaixamento. É uma vergonha achar que o rebaixamento tem que ensinar algo a um time desse tamanho. Não ensina nada. Não tem absolutamente nada de bom.

Virou um chavão dizer que o rebaixamento ensina depois que vencemos as viradas de mesa. Ao mesmo tempo, o Campeonato Brasileiro tornou-se cada vez mais importante, a ponto de um time que ganhar o Estadual não ter nenhum alívio por já ter ganhado um título no ano. Ao menos não um time grande. Não um time como o Palmeiras.

Alguém irá dizer: ser rebaixado foi bom para o Corinthians. O time se reorganizou, se reergueu. Não, o rebaixamento não foi bom para o Corinthians. O que foi bom foi a mudança de gestão que aconteceu antes do time cair, quando o caos político e o inconformismo expulsaram Alberto Dualib do clube.

Andrés Sánchez nunca foi flor que se cheire, mas é inegável o bem que fez ao Corinthians. Mudou a gestão do clube em diversas áreas, profissionalizou, tornou o marketing ativo, mudou muita coisa internamente. Não foi capaz de evitar o rebaixamento, mas o processo de mudança já estava em curso quando o time caiu. O presidente já tinha mudado, muita coisa no clube já estava diferente. Quando o rebaixamento foi decretado, os problemas do clube já estavam sendo tratados. Tanto que o time lançou a campanha “Eu nunca vou te abandonar” e foi um sucesso absoluto.

O Corinthians voltou rápido para a primeira divisão e tornou-se um time forte por isso e por ter contado com a grande contratação de Ronaldo, uma máquina de fazer dinheiro – e de ter grandes atuações em seu início, é bom lembrar também -, que fez um time que subiu da segunda divisão ser muito forte no seu primeiro ano na volta. Nem sempre é assim. Atlético Mineiro e Botafogo quase voltaram à segunda divisão. A vida é dura. Nem sempre se volta como o próprio Palmeiras voltou, saindo da Série B em 2003 para ser o quarto colocado. O normal é voltar e ainda precisar de um tempo para se estabilizar, antes de brigar nas primeiras posições. Times grandes, como Palmeiras e Corinthians, podem voltar com muita força. Mas esperar por isso é arriscado.

É claro que o rebaixamento é uma chance de mudar tudo que está errado. Mas é uma chance extrema. É como dizer que para uma pessoa mudar de vida, precisa ser demitida do emprego. É claro que é uma chance, mas é uma situação extrema. Muitas pessoas mudam suas vidas depois de serem levados a situações terríveis, como a perda de um familiar ou um acidente que a torna deficiente físico. Nem por isso as pessoas dizem que isso foi bom para elas, porque não foi. Apenas souberam tirar algo de bom entre muitas coisas ruins.

O rebaixamento, além da vergonha pelo fracasso, desvaloriza sua marca. O orçamento diminuiu, os grandes jogadores são menos atraídos para jogar por lá. O prestígio cai. Os prejuízos são muitos. Não há qualquer garantia de melhora. É possível que haja um choque de gestão por estar em uma situação difícil, mas o próprio Palmeiras já passou por isso e não mudou muito.

É claro que o Palmeiras tem uma chance de resolver os problemas. Uma chance criada na dor, em algo terrível, em um sofrimento dos seus torcedores. Ninguém quer resolver seus problemas pela dor. Pergunte a um torcedor do Santa Cruz, do Guarani, do Coritiba e tantos outros. Ser rebaixado nunca é bom. Que em meio a tantas coisas ruins, o Palmeiras tire algo de bom e consiga se reerguer. Porque os seus torcedores certamente não irão abandonar o time, mesmo que a situação consiga ser ainda pior.