Atualizado às 17h30

Horas depois da publicação deste texto, na tarde desta quinta, a CAF bateu o martelo sobre as mudanças na Copa Africana de Nações. O torneio de 2019 já será disputado entre junho e julho, com a participação de 24 seleções. Com as eliminatórias em andamento, a única mudança ocorrerá na classificação garantida de todos os segundos colocados, e não apenas dos três melhores via ranking, como aconteceria com 16 equipes. Além disso, outra mudança significativa abarca a Liga dos Campeões da África, que será disputada de agosto a maio, entre um ano e outro, e não mais seguindo o calendário solar. Abaixo, a matéria original. Apenas o título foi modificado.

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A Copa Africana de Nações é um dos torneios de seleções mais legais que existem. Tecnicamente, nem sempre impressiona. Porém, sempre vem recheada de grandes histórias em torno de suas seleções. O problema maior se concentra no calendário. A realização no começo do ano transforma a competição numa pedra no sapato para os clubes europeus. Muitos perdem seus destaques e precisam se virar em semanas decisivas para as ligas nacionais. De tantas reclamações, a Confederação Africana de Futebol, enfim, parece ter ouvido o outro lado. E ensaia uma mudança, transferindo a copa para o pós-temporada, quando não mais desfalcará as equipes.

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“É a primeira coisa a se conversar. Não podemos fugir disso. Temos muitas sugestões”, declarou Ahmad Ahmad, recém-eleito presidente da CAF, encerrando o “reinado” de Issa Hayatou que perdurou por 29 anos. Na última CAN, o torneio sofreu várias baixas por causa dos atletas que se recusaram a deixar seus clubes e se juntar às seleções. O caso mais emblemático foi o de Camarões, com sete desconvocações após pedidos de dispensa, embora isso não tenha atrapalhado a conquista dos Leões Indomáveis.

A justificativa da CAF para manter o torneio no início do ano, segundo o antigo presidente, era para evitar condições climáticas adversas em certas regiões do continente. Todavia, o tema também era visto como uma questão de soberania, sem se curvar aos interesses dos clubes europeus para mudar as tradições da competição. O problema é quando essa política começa a atrapalhar a própria Copa Africana. A Premier League e a Ligue 1 foram os campeonatos nacionais que mais cederam jogadores à CAN 2017, ainda que a maioria absoluta das ligas europeias tenha recebido convocações entre seus clubes.

Além do calendário, há outras transformações na Copa Africana que estão sendo estudadas pela entidade. Uma delas é a mudança nas exigências ao país-sede, o que aumentaria o escopo de realização do torneio em diversas partes do continente. Também se aponta para o aumento no número de seleções participantes, de 16 para 24. Assim, as realizações em conjunto entre diferentes países se tornariam mais comuns. Outra pauta que não foi levantada, mas seria pertinente, é a realização do torneio de maneira bienal, o que diminui o interesse ao seu redor.

Presidente da federação de Madagascar, Ahmad Ahmad conquistou a presidência da CAF com uma série de promessas de modernização do futebol africano. Nesta semana, acontece um simpósio no Marrocos para discutir os rumos da entidade, com a participação de dirigentes, treinadores e até mesmo estrelas locais, convidadas para dar suas opiniões nas mudanças. Entre os presentes no evento estão Jay-Jay Okocha, Samuel Eto’o, Hossam Hassan, Rabah Madjer, Badou Zaki, entre outros. Presidente da Fifa, Gianni Infantino também apareceu na plateia.

“Nunca antes algo do tipo foi organizado na África. Nós estamos aqui para um capítulo histórico e para realizar grandes mudanças. Essas decisões irão determinar o futuro do futebol em nosso continente. Minha ambição é dar efeito a uma profunda transformação na CAF e estou pessoalmente determinado a ver isso seguir em frente com todos os membros”, declarou Ahmad. Discurso para encher de esperanças, diante de todos os desmandos e politicagens que atravancaram o futebol africano por décadas.