O Grêmio visitou a Arena da Baixada nesta quinta precisando apenas administrar sua enorme vantagem no confronto pelas quartas de final da Copa do Brasil. A goleada por 4 a 0 em Porto Alegre permitiu que os tricolores até mesmo poupassem alguns jogadores importantes – Geromel, Edílson e Maicon ganharam um descanso no banco de reservas, enquanto Barrios se ausentou, com dores na coxa. Nada que atrapalhasse os gremistas ou os fizesse temer pela classificação. Afinal, mesmo começando em desvantagem, o time de Renato Gaúcho teve o controle da situação contra o Atlético Paranaense durante a maior parte do tempo. Virou, venceu por 3 a 2 e confirmou a classificação às semifinais, quando enfrentará o Cruzeiro. E contou com Pedro Rocha, cada vez mais maduro, para fazer a diferença diante dos rubro-negros.

A necessidade cobrava o Furacão, mas o técnico Fabiano Soares estreou preferindo não colocar o time completo, se resguardando às missões mais factíveis na Libertadores e no Brasileiro. E era o Grêmio quem tinha presença de ataque mais forte durante os primeiros minutos de jogo, criando mais chances. Não à toa, em um contra-ataque é que os anfitriões abriram o marcador. Méritos de Douglas Coutinho, com uma arrancada espetacular desde o campo defensivo, antes de cruzar na medida para Pablo na segunda trave, apenas escorando para as redes. Todavia, não era aquele tento que colocaria em xeque a supremacia tricolor no duelo.

Não demorou para que o Grêmio retomasse as rédeas. Ou que Pedro Rocha começasse a aparecer. O empate saiu aos 26 minutos. Méritos totais do atacante, que recebeu de Michel na ponta da grande área, fintou o marcador e chutou cruzado, sem chances para Weverton. Lance da mais pura confiança. Naquele momento, o Grêmio exigia cinco gols do Atlético para uma reviravolta no confronto. Do outro lado, era Felipe Gedoz quem chamava a responsabilidade, mas os rubro-negros tinham dificuldades na conclusão.

Na volta para o segundo tempo, o Furacão apareceu mais contundente, para ao menos buscar a vitória em seus domínios. Rondou a área em certos momentos e levou perigo à meta de Marcelo Grohe. Contudo, quando parecia mais próximo do segundo gol, tomou a virada. Desta vez, quem marcou foi Everton, aproveitando uma bola espirrada após cobrança de falta na intermediária. Era a deixa para que muitos torcedores começassem a sair da Arena da Baixada.

Os atleticanos não se entregaram totalmente, ameaçando sobretudo nas bolas paradas e nos cruzamentos. Faltava inventividade. Faltava um jogador como Pedro Rocha, que arrancou em contragolpe, passou por Weverton e anotou o terceiro aos 34. Nos acréscimos, o Atlético ainda descontou com Gedoz, cobrando falta. Diminuía a diferença no placar, mas não por aquilo que se viu em 180 minutos de futebol.

Protagonista na Copa do Brasil do ano passado, Pedro Rocha precisou conviver com as críticas no início deste ano. Os gols perdidos e a falta de efetividade em certos jogos tirava alguns torcedores do sério. A resposta? Trabalho. O atacante passou a se dedicar mais nos treinamentos, especialmente nas finalizações. Fruto que se nota agora. Se antes já era um atleta potente e voluntarioso, seja para se desdobrar na marcação ou para criar jogadas aos companheiros, ele também amadurece em outros aspectos. O moral está altíssimo, assim como a segurança em seu próprio jogo. A recuperação do Grêmio neste mês de julho, depois de algumas oscilações, se deve muito a ele. Os gols na Baixada demonstram bem como seu esforço vem gerando resultado, embora tenha sido participativo além dos lances decisivos, criando espaços e lutando pela bola.

O Grêmio reforça a noção de que será candidatíssimo ao título da Copa do Brasil. O Atlético Paranaense esteve longe de oferecer a maior das resistências, até porque passa por uma má fase tremenda e se preocupa com sua situação no Campeonato Brasileiro. Mas não se pode negar a seriedade dos tricolores, que partiram para cima, mesmo com o confronto praticamente decidido. Ampliaram a sequência invicta e mantém o embalo para um final de semana decisivo, quando receberão o Santos pelo Brasileirão. O ritmo forte em diferentes momentos enfatiza a posição do Tricolor como um adversário a se temer, seja qual for a circunstância, neste momento.

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