Não precisava ser nenhum especialista para, no começo da temporada, prever que Manchester United e Chelsea brigariam pelo título da Premier League. Afinal, os dois times tinham dado um banho nos adversários no campeonato passado e, na pré-temporada, ninguém deu sinais de que poderia incomodar os dois.

Mas, passadas cinco rodadas, esse cenário mudou um pouco. Não que Manchester e Chelsea tenham deixado de ser favoritos, mas, cada vez mais, parece que Liverpool e Arsenal têm, sim, condições de entrar na briga. Mais do que as duas primeiras posições que eles ocupam (com um jogo a menos disputado), é animador o futebol exibido até agora.

O Liverpool foi, sem dúvida, o melhor time deste primeiro mês de campeonato. Há anos não se via os Reds tão sólidos dentro de campo. Nos três últimos jogos (incluindo a LC), o time de Rafa Benítez marcou 12 gols e não sofreu nenhum. É verdade que os adversários não eram lá essas coisas – Sunderland, Toulouse e Derby. Por outro lado, o time disputou essas partidas sem Gerrard e Carragher. Resultados como esses indicam que o técnico, talvez, tenha conseguido resolver o grande problema da equipe, a falta de gols, e ao mesmo tempo manteve a solidez defensiva.

O Arsenal também vem fazendo melhor que o esperado. Ganhou de 3 a 1 do encardido Portsmouth, mesmo depois de ter jogado no meio de semana pela Liga dos Campeões. Parece que a perda de Henry não foi tão prejudicial à equipe, que já aprendeu a se virar bem sem o francês. Embora o time ainda pareça um pouco frágil, é perceptível a evolução, principalmente entre os jogadores mais jovens.

Ao mesmo tempo, vai ganhando força a suposição de que, talvez, Manchester United e Chelsea estejam com a cabeça em outro lugar: a Liga dos Campeões. É óbvio que os dois não vão desistir do Inglês assim tão fácil. Talvez tenham feito um planejamento em que supunham que poderiam poupar jogadores importantes e até perder alguns pontos no torneio, sem comprometer suas chances. Com o bom começo de Liverpool e Arsenal, Red Devils e Blues vão ter que rever esse planejamento, se não quiserem abrir mão da Premier League.

É grande a chance de que, pela primeira vez em muitos anos, tenhamos mais que dois times efetivamente brigando pelo título inglês. Liverpool e Arsenal podem nem ser campeões, mas, se permanecerem vivos até o fim, já terão feito um serviço inimaginável para a Premier League.

Nuvens negras na seleção

As notícias vindas da seleção inglesa antes dos jogos decisivos contra Israel e Rússia, pelas eliminatórias para a Euro-2008, não poderiam ser piores. Às vésperas de dois jogos razoavelmente difíceis, nos quais a Inglaterra precisa fazer pelo menos quatro pontos, era o momento para relaxar e manter o time focado, com todos os melhores jogadores à disposição. No entanto, vem acontecendo o oposto.

Com exceção da defesa, a Inglaterra tem problemas em todos os setores para esses jogos decisivos. A pior situação é no ataque. A Inglaterra já não tinha grandes opções para o setor. Para piorar, viu Darren Bent machucado e Peter Crouch suspenso. Com isso, o provável é que entre em campo a dupla Michael Owen e Emile Heskey. Sim, o mesmo Owen que mal voltou aos campos depois de quase um ano parado. E sim, o mesmo Heskey que é motivo de piada em toda a Inglaterra.

O pior é que McClaren nem está tão errado em sua escolha. Owen e Heskey, pelo menos, formam uma dupla que já deu certo no passado. As alternativas aos dois, hoje, seriam Jermain Defoe, Andy Johnson ou Alan Smith – ou seja, ninguém que empolgue minimamente.

Outra área onde faltam opções é o gol. Paul Robinson jogou mal nas últimas partidas e deve perder o posto de titular. Com isso, volta a campo o péssimo David James, que já entregou o ouro em diversas ocasiões. Ou seja, o time sai da fogueira e cai na frigideira. Apostar em um terceiro nome seria uma temeridade ainda maior.

No meio-campo, as notícias também são ruins. Frank Lampard está fora pelo menos do jogo contra Israel, e Steven Gerrard só poderá jogar se tomar injeções para mitigar as dores que vem sentindo – possibilidade à qual o Liverpool, obviamente, se opõe. Beckham também está fora. Assim, sobra apenas Joe Cole como jogador ‘de criação’.

Enquanto os ingleses já começam a se acostumar com a idéia de um possível vexame, nos outros países das Ilhas Britânicas o clima ainda é de otimismo. As duas rodadas da próxima semana servirão para ratificar algumas zebras – ou então acabarão com o sonho dos azarões britânicos.

A Irlanda do Norte tem jogos tranqüilos, contra Letônia e Islândia, os dois últimos colocados de sua chave. Se fizer seu papel e der sorte com os resultados das outras partidas (especialmente Suécia x Dinamarca), pode ficar numa posição bem confortável, na liderança, antes dos três jogos de vida ou morte nas rodadas finais.

A Escócia passará por uma semana crucial. No sábado, a equipe tem uma partida supostamente tranqüila contra a Lituânia. Uma vitória colocaria os escoceses na zona de classificação, já que França e Itália enfrentam-se no fim de semana. Na quarta, é a hora da verdade: a Escócia jogará contra os Bleus, em pleno Stade de France (enquanto isso, a Itália se mata com a Ucrânia). Se descolar um empate na França, os escoceses ficarão em posição muito boa para chegar à Eurocopa.

A Irlanda terá, na próxima quarta, um teste definitivo para sua recuperação: enfrentará a República Tcheca. Se vencer, fora de casa (e também ganhar da Eslováquia), assumirá surpreendentemente a condição de favorita à segunda vaga do grupo D. Ok, não é muito provável que isso aconteça, mas não se pode esquecer que os irlandeses venceram seus quatro últimos jogos. Até um empate em Praga manteria a Irlanda com chances de classificação.

No mesmo grupo, Gales dá seu último tiro: precisa surpreender a Alemanha, no fim de semana. Não são boas as chances, mas os galeses gostam de incomodar justamente quando já parecem mortos – na rodada anterior, empataram com a República Tcheca, resultado que embolou o grupo. Se fizer seis pontos na semana (a Eslováquia é o outro adversário), Gales segue vivo na briga. Se não, é hora de começar a pensar na Copa de 2010.

Já imaginou a gozação para cima dos ingleses se a Eurocopa tiver, por exemplo, Irlanda do Norte e Escócia, e o English Team ficar de fora. Pois é, pode acontecer…

CURTAS

– A política interna no Arsenal está pegando fogo.

– David Dein, ex-vice-presidente do clube, vendeu seus 14,5% de ações dos Gunners para um consórcio liderado pelo russo Alisher Usmanov (por € 111 milhões).

– Mas isso aumentou o poder de Dein: ele foi designado presidente do consórcio e, por isso, deve voltar ao conselho administrativo do Arsenal.

– Usmanov é um bilionário russo da área de mineração e metalurgia. Por enquanto, ele diz que não tem intenção de comprar o Arsenal, embora queira aumentar sua participação acionária no clube.

– A situação dentro do Chelsea anda estranha, para dizer o mínimo.

– A última novidade foi que o clube não inscreveu Michael Ballack para a primeira fase da Liga dos Campeões.

– O alemão está machucado, mas a perspectiva é que ele perderia, no máximo, as duas primeiras rodadas da LC.

– Embora o Chelsea jure que Ballack ficou de fora da lista apenas por questões físicas, crescem os rumores de que o jogador poderá deixar o clube em janeiro.

– O Campeonato Inglês começou equilibrado. Já o Escocês…

– Em cinco rodadas disputadas, o Rangers fez 15 pontos. O Celtic fez ‘só’ 13, mas marcou 17 gols em seus últimos quatro jogos.

– Se os dois primeiros colocados, somados, só perderam dois pontos, os dois últimos, somados, só ganharam um.

– O Inverness dá vexame, com cinco derrotas em cinco jogos. O recém-promovido Gretna fez um pouquinho melhor: empatou um e perdeu quatro.