Buscando as raízes

O bicampeonato na Liga dos Campeões há muito ficou para trás. O Nottingham Forest está longe de ser considerado uma potência do futebol inglês, mas cativou por anos seu lugar na elite. Foram 56 temporadas na primeira divisão, incluindo o título do Campeonato Inglês 1977/78. A virada do século, no entanto, acabou sendo cruel para os Reds. Desde a queda na Premier League em 1998/99, são 12 anos longe do topo, passando até mesmo pelo limbo da League One.

Depois de mais uma temporada difícil, incluindo o risco de queda na Championship, os torcedores que frequentam o City Ground ao menos ganharam um motivo para renovar as esperanças. Endinheirada por negócios imobiliários no Kuwait e no Oriente Médio, a família Al-Hasawi completou a compra do clube na última semana e chegou prometendo um projeto consistente para o futuro. O plano é voltar à EPL entre três e cinco anos.

A primeira missão dos novos donos é ocupar a lacuna deixada desde o falecimento Nigel Doughty, antigo presidente do Forest, em fevereiro. Dono de uma empresa financeira e torcedor declarado dos Reds, o antigo mandatário chegou ao comando em 1999, evitando a falência do clube. Apesar dos poucos resultados em campo, Doughty gastou mais de 100 milhões em sua administração. Porém, nos últimos meses, o dirigente vinha diminuindo os investimentos no elenco, o que desagradou os torcedores.

Com a transação, os Al-Hasawi assumem as antigas dívidas e também farão injeções de dinheiro para recolocar o Nottingham Forest sob os holofotes. Entretanto, a intenção não é a de queimar milhões em novas contratações de imediato, mas de agir cuidadosamente e estudar as necessidades. A favor dos novos donos está a experiência dentro do próprio futebol. A família também comanda o Al-Qadsia, segundo maior vencedor do Campeonato Kuwaitiano e atual tetracampeão nacional.

Para iniciar a nova era, os Al-Hasawi não demoraram nem 48 horas para demitir Steve Cotterill do comando do time. Apesar de ter salvado a equipe do descenso na última temporada, depois de substituir Steve McClaren, o treinador não era visto como o homem certo para planejar a ascensão dos Foresters. Em busca de um “técnico icônico”, os dirigentes já teriam começado a negociar com nomes conhecidos.

Especulação mais forte, Mick McCarthy refutou de início a possibilidade de assumir o cargo, embora represente bastante o norte seguido pela nova direção. Em quase seis anos à frente do Wolverhampton, McCarthy fez um trabalho exemplar na reestruturação do clube, com a conquista da Championship e a permanência na Premier League por três temporadas. Além do irlandês, Glen Hoddle, Harry Redknapp, Roy Keane (ex-jogador dos Reds) e Darren Ferguson (filho de Sir Alex) são possibilidades apontadas pela imprensa local.

Outro ponto de evolução declarado pelos kuwaitianos é a construção de um novo estádio, ainda que a reforma do City Ground seja colocada entre as prioridades neste “início de era”. O projeto já tinha sido levantado em 2008 e constava nos planos da Inglaterra para sediar a Copa do Mundo de 2018, mas acabou engavetado pouco tempo depois.

Seja aonde ou com quem for, o Nottingham Forest parece ter um futuro promissor pela frente. A coletiva de imprensa dada pelos Al-Hasawi deixou uma boa impressão. Dirigentes compromissados mais com o planejamento do que com as megalomanias. E as próximas semanas serão vitais no desenvolvimento, com a nomeação do condutor deste novo trabalho.

Por enquanto, a estabilidade no início da temporada da Championship, fugindo do desespero de 2011/12, é o primeiro passo. Sem grandes estrelas, o elenco é bem mais modesto que o de outros concorrentes na segunda divisão. E, cabe lembrar, os Foresters passaram por quatro trocas de treinadores nos últimos 14 meses. Mas, pelas expectativas criadas até o momento, não custará muito aos torcedores esperar mais cinco anos para desfrutar a Premier League novamente.

Curtas

– O assunto da semana na Inglaterra foi a inocência de John Terry no caso de racismo contra Anton Ferdinand. Uma história que terá muitos desdobramentos, já que a decisão foi contestada por muitos. A FA ainda vai encerrar seu inquérito contra o zagueiro. E o reencontro em Loftus Road já está marcado para o dia 15 de setembro.

– O Liverpool fez sua primeira movimentação no mercado de transferências, confirmando a vinda de Fábio Borini. O italiano foi pupilo de Brendan Rodgers no Swansea e se encaixa bem no estilo de jogo utilizado pelo técnico, com três atacantes rápidos formando a linha de frente.

– E a novela em Anfield gira sobre a permanência de Andy Carroll. Rodgers já deixou as portas abertas para a saída do centroavante. No entanto, os Reds preferem vendê-lo a emprestá-lo, talvez na expectativa de recuperarem ao menos parte dos 41 milhões de euros gastos em sua contratação. Newcastle e West Ham estão interessados na vinda temporária do inglês, enquanto o Milan também aparece entre os possíveis destinos.

– Quem segue se movimentando bastante é o Queens Park Rangers, agora nova equipe de Park Ji-Sung. O sul-coreano é o sexto reforço dos londrinos para a próxima temporada, em gastos que totalizam 7,1 milhões de euros.

– Após o acesso, Reading e West Ham mexem bastante em seus elencos. Os Hammers trouxeram quatro novos nomes, entre eles Jussi Jääskeläinen, enquanto os Royals confirmaram cinco reforços até o momento, com destaque para Pavel Pogrebnyak. Já o Southampton preferiu gastar 8,5 milhões de euros em Jay Rodriguez, promissor atacante que defendeu o Burnley na última temporada.

– Com o rebaixamento do Rangers para a quarta divisão escocesa, a Premier League é o destino para a maioria dos destaques do clube. Até o momento, quatro já chegaram: Jamie Ness (Stoke City), Steven Whittaker (Norwich), Steven Davies (Southampton) e Steven Naismith (Everton).

– A seleção britânica perdeu seu primeiro amistoso preparatório rumo aos Jogos Olímpicos. Em partida dividida em três tempos, o Team GB foi derrotado pelo México por 1 a 0. O confronto serviu para que o técnico Stuart Pearce testasse diversas formações. O próximo compromisso do Reino Unido acontecesse na próxima sexta-feira, contra o Brasil.