A história não deixa dúvidas: o Pakhtakor é o time de maior tradição e força no Uzbequistão. Com nove títulos desde a independência do país da União Soviética, em 1991, o time de Tashkent, capital uzbeque, é um dos três clubes que disputaram todas as 20 temporadas na elite nacional, ao lado de Neftchi Farg’ona e Navbahor Namangan. Entretanto, o final da década de 2000 mostrou a ascensão de um novato…

Fundado em 6 de julho de 2005, o Bunyodkor, que se chamava Kuruvchi (até o meio da temporada 2008), debutou na terceira divisão nacional, que é regionalizada, conseguindo subir via playoffs de promoção. Em 2006, a equipe jogou a segunda divisão, terminando com o título. Na temporada de estreia na elite uzbeque, o Bunyodkor alcançou o vice-campeonato, somando 71 pontos, 11 a menos que o Pakhtakor, que levantou o oitavo título da história, de forma invicta, um feito inédito.

Reforços estrelados

Em 2008, o Bunyodkor investiu pesado para trazer jogadores importantes. Na segunda metade da temporada, o veterano brasileiro Rivaldo, de 36 anos, aceitou deixar o AEK Atenas e embolsar € 10,2 milhões por dois anos. Em 11 de setembro, em sua estreia oficial, o brasileiro marcou dois gols, ajudando o Bunyodkor a ficar com o inédito título, com 79 pontos, cinco a mais que o Pakhtakor – Rivaldo anotou sete tentos na temporada.

O zagueiro Luizão, revelado pelo Cruzeiro e que atuou no Ceará na última temporada, também fazia parte do elenco que alcançou duas séries, de dez e 11 vitórias consecutivas, perdendo apenas um dos 30 jogos.

Se 2008 foi um ano de glórias para o time de Tashkent, o que dizer da temporada seguinte, em que o clube atraiu os serviços de Luiz Felipe Scolari, pentacampeão mundial com a seleção brasileira em 2002? Convencido por Rivaldo, Felipão arrumou as malas e desembarcou na capital uzbeque em junho, não sem antes acertar a “bagatela” de € 13 milhões por ano, durante uma temporada e meia.

Com a ajuda de Rivaldo e outros quatro brasileiros, dentre eles o volante João Victor, do Mogi Mirim que Rivaldo preside – defende o Mallorca há três anos –, o Bunyodkor igualou o feito do Phaktakor de 2007, terminando o ano invicto na liga nacional, com 28 vitórias e apenas dois empates (95,5% de aproveitamento, a melhor campanha da história), 22 pontos à frente do oponente – Rivaldo foi o artilheiro geral, com 19 gols.

Debandada

Na temporada 2010, o Bunyodkor também faturou o campeonato uzbeque, mas deixou de contar com Felipão na 11ª rodada, quando se encerrou o contrato por interesse mútuo – o brasileiro estava preocupado com a educação de seu filho, num país como o Uzbequistão, além da eliminação precoce na Liga dos Campeões da Ásia.

Rivaldo permaneceu no time, marcando apenas seis gols em 11 jogos, uma flagrante queda de produção, talvez por causa da idade avançada – em 18 de novembro, ao fim da temporada, ele anunciou a saída do clube. Mesmo assim, o Bunyodkor somou 65 pontos, oito a mais que o Pakhtakor, perdendo apenas um dos 26 jogos e levando dez gols.

Sem atletas brasileiros em 2011, o clube apostou nos sérvios, e um deles correspondeu às expectativas… Aos 27 anos, o atacante Milos Trifunović, vindo do Estrela Vermelha, marcou 17 vezes e terminou como o artilheiro do campeonato, em que o Bunyodkor comemorou o tetracampeonato consecutivo, um recorde igualado apenas por Neftchi Farg’ona (1992-95) e superado pelo Pakhtakor, hexacampeão entre 2002-07. Foram 61 pontos, oito de vantagem para o Nasaf Qarshi, com apenas três derrotas em 26 partidas e 14 gols sofridos.

Futuro incerto

Sem a mesma força dos anos anteriores, o Bunyodkor teve de disputar o título de 2012 ponto a ponto com o Pakhtakor. Apesar de ter conseguido uma vitória e um empate no confronto direto, o ex-time de Rivaldo e Felipão empatou um jogo a mais (seis) que o rival, exatamente a diferença de dois pontos entre as equipes ao final das 26 rodadas.

Com 59 pontos, o Pakhtakor levantou seu nono título, ignorando a presença de estrangeiros no rival, como o meia eslovaco Ján Kozák, 32 anos, que esteve na Copa do Mundo 2010, e o australiano David Carney, 29, hoje no Persepolis (Irã). Pelo menos o técnico uzbeque Mirjalov Qasimov, que também comanda a seleção nacional, tem o que comemorar em 2012: o troféu da Copa do Uzbequistão e a presença nas semifinais da Liga dos Campeões da Ásia, perdendo para o Ulsan Hyundai (Coreia do Sul), que foi o campeão.

Em 2013, é óbvio que o Bunyodkor tentará retomar a hegemonia no Uzbequistão, mas também deve se preocupar com a Liga dos Campeões da Ásia, pela qual enfrenta Sanfreece Hiroshima (Japão), Pohang Steelers (Coreia do Sul) e Beijing Guoan (China) na fase de grupos. Talvez seja o momento de contratar novos rivaldos e felipões…

Curtas

– Desde 2007, o clássico de Tashkent, entre Pakhtakor e Bunyodkor, foi disputado 17 vezes, levando-se em conta confrontos por copas e liga nacional. O Bunyodkor venceu seis jogos, perdeu apenas dois e ocorreram nove empates.

– Zico, que deixou o Iraque recentemente, já comandou o Bunyodkor, entre setembro de 2008 e janeiro de 2009, sendo campeão da liga nacional 2008 e da Copa do Uzbequistão do mesmo ano.

– Foram rebaixados para a segunda divisão FK Andijan e Mash’al Mubarek. Eles serão substituídos por Sogdiana Jizzakh, que jogou a segunda divisão soviética entre 1980-85, e FK Guliston, que não disputava a elite uzbeque desde 2003. Eles foram campeão e vice da segundona, respectivamente.