Bundesliga endurece regras contra investimento estrangeiro nos clubes, mas nem tanto assim

Liga alemã limita número de clubes e a porcentagem das ações que uma mesma empresa pode ter, como uma forma de proteger o campeonato

Quando se fala em bilionários comprando clubes, a maior parte dos exemplos que imediatamente vêm à memória são os ingleses. Chelsea, Manchester City e até os mais tradicionais Manchester United e Liverpool possuem altas fatias de investimento do exterior. Na Bundesliga, porém, esse cenário será mais possível. A liga anunciou nesta quinta-feira a mudança de algumas das regras que limita o investimento de empresas de outros países nos clubes filiados. Pelas novas regras, será mais difícil que investidores façam uso dos clubes.

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Pelas novas regras divulgadas nesta quinta-feira, investidores (pessoas ou empresas transnacionais) só poderão se envolver em no máximo três clubes e poderão ter mais de 10% das ações em apenas um deles. A Bundesliga afirma que essa mudança é para “proteger a integridade e credibilidade da competição esportiva”. “Ninguém será permitido a estar envolvido, direta ou indiretamente, em mais de três clubes no futebol profissional”, diz o comunicado.

A regra, porém, terá uma exceção. Os chamados “clubes Volkswagen” poderão continuar como estão. A Volkswagen é a dona do Wolfsburg, enquanto uma subsidiária da empresa, a Audi, tem cerca de 10% das ações do Bayern de Munique. O Ingolstadt, clube da segunda divisão, é apoiado por uma subsidiária da Áudia, a Quattro GmbH.

Uma das razões que levaram a Bundesliga a tomar essa decisão de endurecer as regras foi diminuir a animosidade contra o Red Bull Leipzig, que está na segunda divisão e é sempre alvo de controvérsia. Também quer evitar o ódio dos torcedores contra clubes como o Hoffenheim, que passará, a partir de julho, a ser oficialmente comandado por Dietmar Hopp. Antes, o clube tinha Hopp como maior acionista individual, mas ele só mandava no clube extraoficialmente. Passará a fazê-lo oficialmente em julho.

Hopp se enquadra em uma regra comum na primeira divisão alemã. Nenhum indivíduo ou empresa pode ter mais de 49% do controle de um clube, obrigando que torcedores tenham 50% + 1 dos clubes. A exceção à regra é que o maior investidor pode tomar o controle do clube depois de 20 anos na posição de acionista. Por isso clubes como o Bayer Leverkusen – que tem a gigante farmacêutica Bayer por trás – e o Wolfsburg podem ter uma empresa no comando. Ingolstadt, como citado acima, é controlada pela Quattro GmbH e o Red Bull Salzburg, como o nome revela, tem como dono a empresa de energético austríaca.

Com a decisão desta quinta-feira, a ideia é impedir que as empresas espalhem a sua influência em muitos clubes, o que poderia afetar seriamente a credibilidade esportiva. A Bundesliga quer que clubes como o Hoffenheim e o Red Bull Leizpig tenham o direito de existirem, ainda que com investimento de um dono – seja uma empresa ou indivíduo. A liga sabe que brigar contra o investimento estrangeiro é inútil e, mais do que isso, seria impossível. Concorrer com a Premier League e seu contrato bilionário de direitos de TV será difícil. O investimento de empresas é necessário, então a Bundesliga tratou de ditar as regras.