Um dia depois de ter mais um rebaixamento confirmado na Bundesliga, o Colônia relembra neste domingo os 40 anos da última vez em que levantou a Salva de Prata. Gigante adormecido do futebol alemão e tradicional celeiro de craques para a Nationalelf, o Effzeh levou o título da temporada 1977/78 (e o da copa nacional, em histórica dobradinha) em campanha incontestável, que encerrou período de hegemonia do rival Borussia Mönchengladbach, com direito a uma última rodada insana. Mas principalmente coroou um grupo de excelentes jogadores, de grande qualidade técnica, talento e experiência.

A história até ali

Fundado em 13 de fevereiro de 1948 da fusão de dois outros clubes – o Kölner BC e o SpVgg Sülz 07 – de uma das maiores cidades alemãs, em pouco mais de um ano o Colônia já havia conquistado o acesso à elite da Oberliga West, um dos grupos mais fortes do então regionalizado campeonato nacional. Após um vice-campeonato regional em 1953 (que o levou a disputar pela primeira vez a fase final da competição nacional) o time venceu a Oberliga West no ano seguinte. No fim da década, vieram mais dois vices regionais em 1958 e 1959, antecedendo um fantástico tetracampeonato entre 1960 e a última edição, em 1963.

Nesse período de hegemonia local, o clube chegaria ainda à final nacional em três ocasiões, perdendo para o Hamburgo em 1960 e para o Borussia Dortmund em 1963, mas levantando seu primeiro título em 1962, ao golear o Nürnberg, vencedor do ano anterior, por 4 a 0 na final em Berlim. O ótimo desempenho na Oberliga West nos últimos dez anos de torneio regionalizado valeu ao clube a liderança na classificação ponderada (à frente do Borussia e do Schalke 04) que apontaria os participantes da primeira temporada da Bundesliga, o campeonato unificado instituído para a temporada 1963/64.

A coroação do ótimo momento vivido pelo clube viria com a conquista da edição inaugural da nova liga, a qual liderou praticamente de ponta a ponta, teve o ataque mais positivo e a segunda defesa menos vazada, terminando seis pontos à frente dos segundos colocados Meidericher (mais tarde, Duisburg) e Eintracht Frankfurt. No time campeão, ponteavam nomes como o defensor Wolfgang Weber, o meia Wolfgang Overath e o experiente atacante Hans Schäfer.

Na temporada seguinte, o clube terminaria com o vice-campeonato, três pontos atrás do Werder Bremen, posição que só voltaria a ocupar em 1973, mas desta vez bem atrás do Bayern de Munique. Além dos dois vice-campeonatos, entre o primeiro título e a temporada 1977-78 o Colônia terminaria quatro vezes na quarta colocação (1968, 1970, 1972 e 1976) e outras quatro na quinta posição (1966, 1974, 1975 e 1977). Ou seja, mantinha uma regularidade de boas participações, mas não chegava a brigar mais acirradamente por mais uma salva de prata.

Nesse interim, o clube assistiu à ascensão daquele que se tornaria seu maior rival local, o Borussia Mönchengladbach, promovido à primeira divisão em 1966 e que passaria a disputar o domínio do futebol alemão-ocidental com o Bayern de Munique (que, curiosamente, subiu no mesmo ano). Comandados por um ex-jogador e treinador do Colônia, Hennes Weisweiler, os Potros conquistaram cinco vezes a salva de prata (bicampeões em 1970 e 1971 e tri em 1975, 1976 e 1977), além de uma Copa da Uefa em 1975. Chegaram ainda à final da Copa dos Campeões em 1977, derrotados pelo Liverpool.

E era exatamente esse Borussia Mönchengladbach tricampeão da Bundesliga e vice europeu que iniciava a temporada 1977/78 como favorito destacado. Agora, porém, o comandante era outro: Udo Lattek, ex-Bayern. Após deixar os Potros em 1975 com destino ao Barcelona de Johan Cruyff, Hennes Weisweiler voltara ao futebol alemão logo no ano seguinte. Para comandar o Colônia, com o qual levantaria a Copa da Alemanha Ocidental já em sua temporada de retorno ao clube.

Os Bodes faziam parte de um grupo que corria por fora na briga pela salva de prata de 1978. O Schalke, vice-campeão do ano anterior, também aparecia bem cotado. O Eintracht Braunschweig, vindo de uma surpreendente terceira colocação, apostara num reforço de peso: Paul Breitner, trazido do Real Madrid. O Hamburgo, vencedor da Recopa europeia, não ficava atrás: tirara do Liverpool nada menos que Kevin Keegan, principal astro dos campeões europeus. Por outro lado, o Bayern, grande força até a metade da década, via seu elenco envelhecer a cada temporada, embora contasse com Karl-Heinz Rummenigge.

A formação do elenco

Para o Colônia, a temporada 1977/78 também significava a primeira em uma década e meia sem contar com o futebol do cerebral meia Wolfgang Overath, nome histórico do clube (e da seleção) que pendurara as chuteiras em maio, aos 33 anos. Para seu lugar, o clube vinha preparando há algumas temporadas o jovem Herbert Neumann, de técnica e visão de jogo excepcionais. Mas contra ele pesavam os persistentes problemas físicos e as acusações de falta de comprometimento.

Se Overath havia deixado o futebol, outros veteranos ainda se mantinham em atividade no elenco. Um deles era o atacante Hannes Löhr, que chegara ao Colônia logo após a primeira conquista da Bundesliga e disputara a Copa do Mundo de 1970 com a seleção. Outro era o armador Heinz Flohe, profissionalizado no clube em 1966 e que também havia disputado Mundial, o de 1974, sagrando-se campeão. Havia ainda o meia Heinz Simmet, autêntico “carregador de piano”, que aportara no Müngersdorfer em 1967.

Para o líbero Bernd Cullmann, experiente, revelado pelo clube e também campeão mundial em 1974, era o momento de tentar reconquistar um lugar na equipe, depois de ter perdido parte da última campanha por lesão. Por fim, havia ainda outro jogador lendário, que jogara toda a carreira no Colônia, mas que já se aproximava do fim dela e não chegaria a entrar em campo naquela temporada: o vigoroso defensor Wolfgang Weber, apelidado “Bulle” (touro) e que disputara as Copas de 1966 (marcara o gol de empate no tempo normal da decisão contra a Inglaterra) e 1970.

Por outro lado, além do já citado Neumann, o elenco também contava com ótimos jogadores jovens prestes a despontar – inclusive em termos de seleção. Especialmente na defesa, composta pelo goleiro Harald Schumacher, os laterais Harald Konopka e Herbert Zimmermann (que já havia defendido a Nationalelf uma vez em 1976), o líbero Roland Gerber e o stopper Gerd Strack, todos com idades entre 21 e 25 anos e bastante versáteis, capazes de trocar de posição a qualquer momento da partida.

Outro jovem talento da equipe já vivia grande fase: o centroavante Dieter Müller, 23 anos ao início da temporada, já apresentava um currículo bastante significativo. Vindo do Kickers Offenbach em 1973, já somava 89 gols pelos Bodes na liga em suas quatro primeiras temporadas. Na anterior (1976/77), havia se sagrado artilheiro da Bundesliga com espantosos 34 tentos em igual número de jogos. Como se não bastasse, ainda havia sido o goleador da Eurocopa de 1976, marcando um hat-trick na semifinal contra a Iugoslávia em Belgrado e outro gol na decisão contra a Tchecoslováquia.

O elenco também incluía alguns jogadores estrangeiros. O principal deles, e titular incontestável, era o ponta-direita belga Roger Van Gool, revelado pelo Royal Antuérpia e que havia se destacado pelo Club Brugge finalista da Copa da Uefa de 1976. Ao fim daquela temporada, assinou com o Effzeh. Outro era o meia-atacante japonês Yasuhiko Okudera, descoberto em meio a uma excursão alemã de seu ex-clube, o Furukawa Electric, e que se tornaria o primeiro asiático a atuar na Bundesliga. Por fim, também havia um jovem atacante dinamarquês que sequer chegou a ser usado naquela campanha, mas após deixar o Colônia ainda teria uma grande carreira pela frente. Um certo Preben Elkjaer-Larsen.

O começo da campanha

Mesmo com esse elenco tarimbado e qualificado, o Colônia levaria um susto na estreia. Abriu o placar logo aos dois minutos, mas acabou goleado pelo Fortuna Düsseldorf por 5 a 1. Felizmente, a recuperação não tardou. O time bateu o Bochum, com dois gols de Van Gool e emendou com uma trinca de resultados impressionantes. O primeiro seria histórico: massacrou o Werder Bremen por 7 a 2, com nada menos do que seis gols de Dieter Müller – recorde ainda vigente na Bundesliga para uma única partida. Em meio ao perde-e-ganha geral na liga, o resultado ainda catapultou o time para a segunda colocação.

Em seguida, os Bodes foram a Munique e aplicaram 3 a 0 no Bayern, chegando à liderança. Para fechar o mês de agosto, outra goleada, agora sobre o Eintracht Braunschweig por 6 a 0. O começo de setembro, porém, seria um anticlímax, com três derrotas seguidas que fariam o time despencar para a nona posição após o terceiro revés, diante do Hamburgo no Volksparkstadion.

Quem comandava a tabela naqueles dias era o Schalke, embalado pelos gols de Klaus Fischer e invicto nas oito primeiras rodadas. Na nona, porém, foi arrasado pelo Bayern por 7 a 1 e começou a perder o rumo. Conservou a liderança ainda por algumas semanas, mas no fim de outubro foi destronado pelo Colônia, que retomou a ponta após golear o 1860 Munique por 6 a 2. Daí em diante, os Azuis Reais desabariam fragorosamente, assim como o Kaiserslautern, com quem chegara a dividir a liderança na 11ª rodada.

No caminho de volta à liderança, os Bodes foram colhendo mais alguns resultados bastante expressivos. A retomada começou com uma goleada de 4 a 1 sobre o Borussia Dortmund. Mas a vitória que acabaria mais tarde se tornando fundamental para o título viria em seguida, em 1º de outubro, no clássico diante do Borussia Mönchengladbach no Bokelbergstadion. Com destaque para o ponteiro-esquerdo reserva Dieter Prestin, autor de dois gols, o Colônia surrou o rival dentro da casa do adversário por 5 a 2, com Neumann, Dieter Müller e o lateral Konopka completando a goleada inesquecível para a torcida.

O returno de altos e baixos

Em 3 de dezembro, o time se confirmaria na ponta ao fim do primeiro turno batendo o St. Pauli por 4 a 1. A pausa de inverno só viria duas semanas depois, com o Effzeh ainda na frente. Na volta da paralização, a equipe visitaria o Werder Bremen, vencendo por 2 a 0 e, em seguida, abriria sua maior vantagem na liderança (ficando cinco pontos à frente do Stuttgart) ao derrotar o Bayern pelo mesmo placar.

Naquela altura, a equipe tinha dois novos titulares. Um deles, Bernd Cullmann, reconquistava a posição de volante, ganhando a parada com Heinz Simmet, formando a trinca do setor com os dois homens da criação, Heinz Flohe e Herbert Neumann. Na frente, ao lado de Roger Van Gool e Dieter Müller, a chance aparecia para Yasuhiko Okudera ocupar seu espaço como um falso ponta-esquerda, podendo se somar tanto como um segundo atacante pelo centro ou recuar para compor o meio-campo como homem de ligação.

A vantagem acumulada naquele começo de returno começaria, no entanto, a ruir aos poucos. Naquele momento, quem começava a crescer era o Borussia Mönchengladbach, tentando fazer valer mais uma vez sua tradição recente de time de chegada. Na mesma 21ª rodada em que o Colônia derrotaria o Bayern, os Potros iniciaram uma série invicta a qual sustentariam até o fim da competição. Essa ótima sequência, juntamente com os tropeços esporádicos do Colônia provocariam o desfecho inusitado que veremos.

Os Bodes sofreriam sua primeira derrota no returno logo na rodada seguinte diante do Braunschweig (1 a 0) e a segunda, dali a duas semanas contra o Schalke (2 a 0), ambas como visitante. No entanto, na iminência do que se tornava cada vez mais o confronto direto entre os pretendentes ao título, ensaiou uma recuperação ao golear o Hamburgo por 6 a 1 e bater o Borussia Dortmund no Westfalenstadion por 2 a 1.

Até que chegou o clássico do Reno, no Müngersdörfer, em 25 de fevereiro, que terminou empatado em 1 a 1. O dinamarquês Allan Simonsen abriu o placar para os Potros no primeiro tempo, mas Flohe salvou o Colônia com um gol a quatro minutos do fim, mantendo os alvirrubros em vantagem na ponta da tabela. Logo na rodada seguinte, porém, a diferença foi novamente encurtada: o Colônia deixou um ponto na visita ao Hertha Berlim (1 a 1), enquanto o Borussia Mönchengladbach goleou o Werder Bremen em casa (4 a 0).

No dia 25 de março, em partida adiada contra o Fortuna Düsseldorf, os Potros viraram um jogo em casa que perdiam por 2 a 0 no segundo tempo e venceram por 3 a 2, ficando a dois pontos do Colônia. Pressionado, o time de Hennes Weisweiler tropeçou em casa na rodada seguinte, perdendo por 1 a 0 para o Eintracht Frankfurt, enquanto o rival na briga pelo título bateu o Saarbrücken fora pelo mesmo placar. Agora os dois estavam empatados na frente com 42 pontos, a três rodadas do fim do campeonato.

No dia 8 de abril, ambos venceram: o Colônia fez 2 a 0 fora de casa no Kaiserslautern com gols de Dieter Müller e Okudera, enquanto o Mönchengladbach suou para derrotar o Schalke em casa por 2 a 1. Dali a duas semanas, porém, foram os Potros que triunfaram categoricamente, aplicando 6 a 2 no Hamburgo em pleno Volksparkstadion. E foi o Colônia que sofreu, em casa, diante do Stuttgart: Flohe abriu o placar no começo, mas Ottmar Hitzfeld empatou aos 31 minutos da etapa final. Aos 35, porém, Okudera apareceu outra vez para salvar, dando a vitória por 2 a 1 que manteve os Bodes na frente pelo saldo de gols.

A incrível última rodada

Ficou tudo para uma alucinante última rodada, em 29 de maio. O Borussia Mönchengladbach recebe o Dortmund e tem 46 pontos, com 74 gols marcados e 44 sofridos (30 gols de saldo, portanto). Já o Colônia sai para enfrentar o St. Pauli e soma os mesmos 46 pontos, tendo anotado 81 gols e levado 41 (40 de saldo). A expectativa é a de que uma vitória do Colônia lhe dará o título, já que ninguém acredita na reversão da enorme vantagem na diferença de tentos. Só que quando os Bodes saem na frente em Hamburgo, aos 28 minutos de jogo, com um gol de Flohe, o Mönchengladbach já está vencendo o Dortmund por 4 a 0.

Antes do fim do primeiro tempo no Bokelbergstadion, Nielsen e Wimmer já aumentam a vantagem dos Potros para 6 a 0, enquanto o Colônia vai para o intervalo em vantagem mínima diante do St. Pauli. Na volta, Heynckes faz o sétimo aos 14 minutos, enquanto Okudera marca o segundo do Colônia. O Mönchengladbach avança e marca mais duas vezes antes dos 25, com Nielsen e Del’Haye, chegando a 9 a 0, antes de Flohe fazer o terceiro para o Effzeh. É um absurdo pega entre gato e rato, separados por algumas centenas de quilômetros entre um estádio e outro.

Aos 32 minutos, Heynckes completa uma dezena de gols no jogo para o Mönchengladbach, que chega a 40 de saldo contra 43 do Colônia. Naquela altura, tomando como suspeito o placar arrasador que os Potros vinham aplicando no outro jogo, os próprios torcedores do St. Pauli passam a encorajar o Colônia a seguir marcando. É quando Cullmann aos 38 e Okudera aos 42 anotam mais dois para arrematar a vitória dos Bodes em 5 a 0. Os Potros ainda insistem e marcam com Lienen e Kulik, colocando uma dúzia de bolas no gol do Borussia Dortmund. Vencem por anômalos 12 a 0 (um placar que só era comum nas primeiras fases da copa nacional, contra adversários amadores), mas ainda assim não é o suficiente.

O título fica mesmo com o Colônia, coroando a equipe mais regular e consistente da competição, ocupando a liderança em 24 das 34 rodadas da Bundesliga, sendo 22 delas de maneira consecutiva, da 13ª rodada em diante, o equivalente a seis meses na ponta. Foi a segunda volta olímpica da equipe naquela temporada: duas semanas antes da vitória sobre o St. Pauli, o Effzeh havia levantado também o bicampeonato da Copa da Alemanha Ocidental, a terceira conquista do torneio na história do clube.

Na copa, o outro título da temporada

A campanha do bi havia começado já em 29 de julho de 1977, quando o time bateu o Kickers Offenbach fora de casa por 4 a 0. Na etapa seguinte, foi a vez de receber o Eintracht Bad Kreuznach e vencer por um placar mais modesto, 3 a 1. O adversário da terceira fase foi o FSV Frankfurt, derrotado em seus domínios por 3 a 0. Já nas oitavas de final, foi a vez de golear o Karlsruher em casa por 4 a 0. Mas a vitória mais dilatada do Colônia naquela campanha viria nas quartas de final, quando a equipe demoliu o Schwarz-Weiss Essen por 9 a 0. Todos estes adversários (exceto o Eintracht Bad Kreuznach, da categoria amadora) disputavam na época a 2. Bundesliga, então dividida em dois torneios, norte e sul.

O primeiro rival de elite enfrentado pelos Bodes veio na semifinal, disputada em 25 de janeiro: o Werder Bremen, que havia despachado o Borussia Mönchengladbach na fase anterior. O Colônia venceu por 1 a 0 e credenciou-se para defender o título, enfrentando na decisão o Fortuna Düsseldorf, que batera com facilidade o Duisburg na outra semifinal por 4 a 1. Era também mais uma possibilidade de revanche sobre o clube que o havia goleado na primeira rodada da Bundesliga.

A final foi disputada em 15 de abril, no campo neutro do Parkstadion de Gelsenkirchen. Os principais nomes do Fortuna eram o líbero e capitão Gerd Zewe, o meia austríaco Josef Hickersberger e os atacantes Wolfgang Seel e Klaus Allofs. A equipe dirigida por Dietrich Weise era consistente e vinha de boa campanha na Bundesliga, perdendo a terceira colocação para o Hertha Berlim apenas na última rodada.

Por tudo isso, a final da copa foi um jogo muito equilibrado, com grandes chances de parte a parte, e que só começou a ser decidida aos 26 minutos do segundo tempo, quando Bernd Cullmann abriu o placar para o Colônia, ao concluir de cabeça uma cobrança de falta para a área. E apenas no último minuto, a tensão chegou ao fim com o segundo gol do Effzeh, anotado pelo belga Roger Van Gool.

De lá para cá

Ao fim daquela temporada, o Colônia foi o clube que mais cedeu jogadores (cinco) para a seleção da Alemanha Ocidental que disputaria a Copa do Mundo na Argentina: Konopka, Zimmermann, Cullmann, Flohe e Dieter Müller integrariam os 22 convocados de Helmut Schön (Bayern e Schalke viriam logo depois, com três relacionados cada). Mais tarde, outros daquela equipe chegariam ao time nacional, com destaque para Schumacher, que assumiria o posto de titular absoluto do gol no lugar do lendário Sepp Maier.

Depois daquela dobradinha nacional (na época, apenas a terceira na história do futebol do país, depois do Schalke em 1937 e do Bayern em 1969), o Colônia levantaria apenas mais um troféu nacional, a da Copa da Alemanha Ocidental de 1983, vencendo o vizinho Fortuna Köln na decisão. Na Bundesliga, bateria na trave pela salva de prata mais três vezes, embora contasse com dois timaços.

Em 1982, ainda com Schumacher, Konopka, Strack e Cullmann e também com Pierre Littbarski, Klaus Fischer, Rainer Bonhof, Paul Steiner, Klaus Allofs e o inglês Tony Woodcock, a equipe dirigida pelo holandês Rinus Michels ficaria atrás do Hamburgo, numa história já contada aqui. E em 1989 e 1990, de novo com Littbarski e Steiner, além de Bodo Illgner, Jürgen Kohler, Thomas Hässler, Thomas Allofs e os dinamarqueses Morten Olsen e Flemming Povlsen, perderia o título nos dois anos para o Bayern.

No âmbito europeu, aquele título da Bundesliga levou o Colônia a disputar pela última vez a Copa dos Campeões. Nas duas primeiras fases, passou sem dificuldade por IA Akranes e Lokomotiv Sofia. Nas quartas de final, em duelo mais disputado, eliminou o Rangers. Nas semifinais, chegou a surpreender o Nottingham Forest de Brian Clough abrindo 3 a 1 em pleno City Ground no jogo de ida, mas permitiu o empate em 3 a 3. Na volta, a derrota por 1 a 0 em casa frustrou o sonho do título continental.

Além daquela Copa dos Campeões de 1979, o Colônia alcançou outras sete semifinais europeias em sua história, mas apenas em uma delas avançou à final, na Copa da Uefa de 1986, derrotado pelo Real Madrid da ‘Quinta del Buitre’. Já na Bundesliga, a partir de 1998 – ano de seu primeiro rebaixamento – o clube se tornaria cada vez mais um “ioiô”, alternando acessos e descensos quase consecutivos, sem conseguir ficar mais de quatro temporadas seguidas na elite e sempre longe de brigar pelo título.

Confira o trabalho de Emmanuel do Valle também no Flamengo Alternativo, no Mundo Rubro-Negro e no It’s a Goal, página especialmente voltada à história do futebol inglês.


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