Contrapor seu trabalho a outros, destacando sua individualidade e aquilo em que você supera os outros é uma boa estratégia para valorizá-lo. Os dirigentes da Bundesliga sabem bem disso, porque parece não perderem uma oportunidade sequer de mostrar o quão bem estruturados estão em comparação à Premier League, ainda vista como a maior liga nacional do mundo. Sempre que os ingleses dão um deslize, os alemães estão prontos para afirmar que com eles a história seria outra. Logo após a circulação de informações da possível introdução de uma rodada extra no Inglesão a ser realizada em países estrangeiros, Christian Seifert, diretor executivo do Campeonato Alemão, cravou que nunca faria tal coisa, tendo a melhor razão possível para isso: os torcedores.

VEJA TAMBÉM: A maravilhosa história do roupeiro que se tornou ídolo do Stoke

Seifert sequer entrou no mérito de como isso seria complicado de ser posto em prática por questões técnicas, como, por exemplo, como seriam decididos os jogos a comporem essa rodada. Foi direto ao ponto: seria injusto com os torcedores. “Com 18 clubes, seria difícil termos um 35º jogo. Temos uma abordagem completamente diferente para o nosso conceito de futebol alemão. Iria contra nosso entendimento de como os torcedores devem ser tratados”, afirmou, segundo a Reuters, durante uma palestra no evento Leaders in Sports Summit, realizado no Stamford Bridge nesta quinta-feira.

O grande motivo pelo qual maior parte dos clubes ingleses – senão todos – inicialmente aprova a ideia é o sucesso financeiro que muitos deles têm experimentado durante viagens de pré-temporadas aos Estados Unidos e a países da Ásia, principalmente, e o dirigente da Bundesliga concorda que, financeiramente, traria aspectos positivos. Mas, para ele, isso não pode pesar mais que a experiência do torcedor alemão.

“Talvez por razões financeiras, pareceria uma boa ideia, mas pense nos torcedores que vão a 34 jogos em todas as condições, não importando o vento, a chuva ou o tempo. Pense nas viagens que eles fazem. Aí o clube vai para um jogo que pode decidir se será rebaixado ou não, e eles (torcedores) não podem ir porque é na Tailândia. Esse tipo de abordagem não é para a Bundesliga”, afirmou.

Mesmo que Seifert tenha aproveitado a deixa para dar uma cutucada e valorizar a Bundesliga em comparação à Premier League, seu discurso de respeito à torcida encontra respaldo nas ações dos clubes do país em seu dia a dia. A manutenção de preços de ingresso acessíveis e a política de valorizar os torcedores através de campanhas de marketing bem-feitas são um fato na liga alemã. Quando falamos nesta quarta sobre como seria ruim a ideia que os ingleses têm discutido, sequer consideramos esse aspecto no debate, e os alemães parece estarem já adiantados. Sabem que para manter a valorização de um produto, é preciso dar motivos para que os consumidores (a torcida, principalmente) se sintam também valorizados. A relação é uma via de mão dupla, e poucos entendem isso no futebol como eles.