Aos 42 anos de idade, qualquer oportunidade de assistir a Gianluigi Buffon é uma honra. E o veterano ajudou a engrandecer o Milan 1×1 Juventus pela Copa da Itália, nesta quinta-feira. Titular na meta bianconera, o goleiro tornou a vida dos rossoneri mais difícil e impediu a vitória dos anfitriões. Foram ao menos duas grandes defesas, que mantiveram a Velha Senhora viva e permitiram que seu time achasse o empate nos minutos finais. Já na saída do estádio, Gigi carregava orgulhoso um prêmio: a camisa de Daniel Maldini. Agora, pode dizer que enfrentou mais uma dupla de pai e filho em sua longa e condecorada carreira.

Buffon passou pela zona mista com a camisa de Daniel no ombro. Quando perguntado sobre o novo artigo da coleção, até brincou com a reportagem da RAI Sports: “Na minha coleção eu tenho a camisa de Enrico Chiesa e seu filho, George Weah e seu filho, Lilian Thuram e seu filho, Paolo Maldini e seu filho. Agora estou esperando pelos netos deles!”.

E vale lembrar que a família Maldini faz parte da carreira de Buffon além de meros adversários. Paolo e Gigi foram companheiros em duas Copas do Mundo. Já o patriarca Cesare Maldini, quando técnico, promoveu a estreia do jovem goleiro na seleção italiana e o levou ao seu primeiro Mundial. Cesare, aliás, atuou ao lado do tio Lorenzo Buffon no Milan e na seleção, presentes na Copa de 1962. E um dos motivos para Gigi retornar à Juve foi a tentativa de igualar o recorde de jogos de Paolo na Serie A, o que completou em dezembro.

Em outros assuntos, Buffon falou sobre o nível que apresentou no San Siro: “A razão pela qual ainda estou jogando é que acredito que posso me apresentar em alto nível. Existem situações, como o retorno à Juve, que me dão mais motivação. Porque há relações interpessoais que tornam minha responsabilidade e minha determinação ainda mais fortes. Gostei do nosso jogo, descobrimos a fluidez no time, mas não criamos muito no ataque. O empate é bom, considerando a forma como as coisas iam, mesmo sem ser um placar que te permita relaxar”.

Durante o jogo, Buffon encontrou-se com o antigo companheiro Zlatan Ibrahimovic. Encheu a bola do sueco e falou com certo alívio sobre a suspensão do centroavante para a volta em Turim: “Não sabia que Ibra estaria suspenso. Tenho que admitir, eu sorri com isso. Muitos torceram o nariz quando ele voltou ao Milan, mas, aos 38 anos, ele está fazendo a diferença. Você precisa analisar os jogadores individualmente, não pela data de nascimento. Estou muito feliz por ele, é um campeão extraordinário”.

Por fim, Buffon também exaltou Cristiano Ronaldo, que garantiu o empate para a Juventus nos minutos finais e atravessa mais uma fase avassaladora: “Ronaldo é incrível. Devo admitir que uma das razões pelas quais voltei à Juventus foi a oportunidade de jogar e treinar com ele. Todos os dias, estar ao lado de Ronaldo é uma nova revelação”. Somando todas as competições, CR7 acumula 18 gols nos últimos 14 jogos, passando em branco apenas em um deles (a Supercopa da Itália) nesta sequência.

A partida de volta entre Juventus e Milan acontece em 4 de março, ao final de uma semana dura para a Velha Senhora. Na quarta-feira anterior, pegam o Lyon no primeiro compromisso pelas oitavas de final da Champions League. Já no domingo, o duelo é contra a Internazionale, em Turim, no confronto direto pela liderança da Serie A.