Gianluigi Buffon tinha 17 anos quando disputou a sua primeira partida na Serie A. O garoto entrou na meta do Parma contra o esquadrão do Milan e, naquele momento, já demonstrou todo o seu potencial, com uma atuação estrondosa contra os rossoneri. Desde então, a rotina de treinamentos e de viagens tomou o cotidiano da lenda. Ele apenas olhava para a tabela esperando qual seria o próximo desafio a superar. Algo que não acontece mais nesta temporada. Depois de 23 anos, Gigi pode se redescobrir como um mero torcedor do Calcio. De longe, no Paris Saint-Germain, se acostuma a rever o torneio no qual, em outros tempos, apreciou tantos jogadores históricos.

Nesta semana, Buffon comentou sobre a sensação diferente em acompanhar o Campeonato Italiano neste momento. E se mostrou, acima de tudo, um aficionado pela competição na qual detém vários recordes e na qual é o segundo atleta que mais vezes entrou em campo – com 640 jogos disputados, apenas sete a menos que Paolo Maldini. Por sua postura, é de se imaginar que, depois de pendurar as luvas, a TV italiana ainda pode contar com um comentarista.

“Vou confessar isso: há um certo efeito diferente quando eu assisto à Serie A como espectador. Eu não estava mais acostumado a isso. Tenho dificuldades para me lembrar a última vez que havia acontecido, eu ainda era um garoto! O campeonato sempre tem o seu charme. Estranhamente, não consegui ver um jogo da Juventus ainda, os horários das partidas acontecem quase sempre próximos dos compromissos do PSG”, declarou Buffon.

O goleiro ainda comentou o início da temporada, com Juventus e Napoli despontando mais uma vez entre os favoritos: “Não me surpreenderá ver o time do Allegri conquistando o máximo de pontos. A fome e o desejo de alcançar novos objetivos estão sempre no centro do projeto. Já o Napoli manteve o seu elenco intacto, então a grande mudança foi a chegada de um técnico experiente e vencedor, como Carlo Ancelotti. Nas duas viradas sobre Lazio e Milan, eu vi muito do caráter de Carlo”.

Por fim, o goleiro ainda analisou as diferenças no ambiente de trabalho entre a Itália e a França: “Estou feliz e entusiasmado neste momento, devo a isso a meus novos companheiros de equipe e à atmosfera nos vestiários. Há muito bom humor. Existe menos estresse aqui do que na Itália, isso é novo para mim. No futebol italiano, às vezes somos excessivos em certas coisas e um pouco obcecados com futebol. A abordagem nas partidas e nos treinamentos, por exemplo, não é a mesma aqui. É mais sereno, mais relaxado, mais alegre. Em casa, e não apenas na Juve, a mentalidade é única, muito mais estressante. Mesmo quando você joga contra times mais fracos, a preparação à rodada pode ser desgastante”.


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