Cada vez mais, é preciso apreciar. Todos sabem que a aposentadoria de Gianluigi Buffon se aproxima. O goleiro tinha sinalizado que sua despedida aconteceria ao final da temporada, visando sua sexta Copa do Mundo. No entanto, a queda da seleção italiana ainda nas Eliminatórias modificou completamente o cenário. E nas últimas semanas, a imprensa italiana passou a cogitar a hipótese de que a lenda possa jogar além do próximo semestre. Nesta semana, a Gazzetta dello Sport publicou uma longa entrevista com o camisa 1. E ele indicou que sua decisão segue em aberto, embora esteja tranquilo sobre o momento de pendurar as chuteiras.

“Nenhum jogador deseja parar, mas não. Estou muito feliz porque cheguei a um ponto importante da minha vida e estou calmo. Encarar uma conjuntura tão crucial com harmonia interior é o que mais importa, e isso é realmente belo. Eu sei como o campo funciona e poderia dizer que aos 60 anos continuarei como sou agora. Mas há muitas avaliações a serem feitas, não apenas o fato de que sou sortudo o suficiente em estar num clube no qual sou apreciado e no qual tenho um vínculo muito forte com todos”, declarou.

“Eu me sinto totalmente aberto ao projeto. O presidente Andrea Agnelli tem sido extraordinário comigo, e por cinco anos repetiu: ‘Em algum ponto na temporada, venha a mim e diga-me se você quer continuar ou não’. É o que eu farei desta vez também. Em certo momento você precisa entender em qual tipo de papel será mais útil à causa, não quero me tornar um fardo. A única certeza é a de que continuarei jogando se a Juventus conquistar a Champions, para disputar o Mundial de Clubes”, complementou o veterano.

Buffon também ressaltou a importância da Juventus no desenvolvimento de sua carreira: “A Juventus mudou a minha vida, mudou a forma como vejo o meu trabalho e o caminho para atingir meus objetivos, mesmo que eu tivesse um pouco disso em minha família. Eu tenho pais e irmãs com um passado no esporte, eles nunca foram condescendentes comigo. Há uma maneira de se pensar na Juventus e isso foi bom para mim. Ser da Juventus não é para todos, porque isso te suga, mas também forja o seu caráter. Provavelmente eu teria mais diversão em outros lugares, mas teria menos sucesso”.

Assunto inescapável nos últimos meses, Buffon foi questionado sobre a eliminação da Itália na repescagem da Copa do Mundo. Disse que não desejaria disputar novamente a partida contra a Suécia, ao contrário do que faria se tivesse uma chance de reencontrar o Real Madrid na final da Champions League de 2017. Além disso, o goleiro reiterou o seu discurso sobre a maneira como assumiu as responsabilidades ante o fracasso com os azzurri.

“Eu não repetiria o Itália e Suécia. Nós não perdemos no espírito, na atitude ou na unidade, mas porque revelamos algumas limitações. Eu jogaria novamente a final da Champions em Cardiff. Nós demos 80 ou 90% contra a Suécia, mas faltou solidez contra o Real Madrid no segundo tempo, e essa vinha sendo a nossa força. Talvez pensamos que pudéssemos fazer um jogo aberto, e não era assim”, apontou.

“Muitas pessoas me disseram: ‘Você exagerou em suas declarações sobre a seleção’, mas como um homem de 40 anos eu preciso ter um senso de responsabilidade. Eu sei que posso ser um peso, prefiro dar um passo para o lado. Nunca serei um fardo, mas sempre estarei lá para qualquer função àqueles que me deram tanto, seja a Juventus ou a seleção”, finalizou.

Por fim, questionado pela reportagem diante das recorrentes comparações, Buffon comparou o final de sua carreira com a de Kobe Bryant, por toda a repercussão que tem gerado. Mas enfatizou que não quer confetes quando pendurar as chuteiras: “Eu sinto a afeição das pessoas e isso é gratificante, mas não sou capaz de dizer adeus da maneira como ele fez. Mesmo comemorar o meu aniversário me aborrece, porque eu sei de antemão que serei o centro das atenções e não gosto disso. Se ficar no centro das atenções é algo casual, posso lidar bem com isso, mas se for algo construído, isso me mata. Eu vivo nas emoções”.


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