Buenos Aires respira futebol como poucas cidades no mundo. A cada esquina parece haver um clube diferente, e isso se reflete em um número bastante curioso, levantado pelo El País. Considerando sua região metropolitana, a capital da Argentina é o local com o maior número de estádios com capacidade igual ou superior a dez mil lugares. E a diferença para a segunda colocada, brasileira, é enorme.

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Ao todo, Buenos Aires conta com 36 estádios com mais de dez mil lugares de capacidade. Os maiores são o Monumental de Núñez (61688) e o Presidente Perón (51389), de River Plate e Racing, respectivamente. Além deles, são seis estádios com capacidade entre 40 mil e 50 mil, seis de 30 mil a 40 mil, oito entre 20 mil e 30 mil e mais 14 entre dez mil e 20 mil. São Paulo é a segunda cidade neste ranking, contendo 15 estádios nestes parâmetros. Londres (12), Rio de Janeiro (nove) e Madri (cinco) fecham o top 5.

Para entender a razão por trás do número surpreendente em Buenos Aires, o periódico conversou com Julio Frydenberg, professor da Universidade de Buenos Aires e autor do livro Historia social del fútbol. O historiador é sucinto em sua explicação para o fenômeno: “Buenos Aires é uma das três cidades com mais estádios de futebol de qualquer tamanho, junto com Londres e Montevideú, e uma das explicações possíveis é que aqui se manteve a tradição britânica de que cada clube tenha seu estádio. Em outros países, todas as equipes de uma cidade jogam no estádio municipal. Aqui, houve muita luta dos clubes para conseguir seu terreno e construir as arquibancadas, com a ajuda das vizinhanças e de mecenas”.

Para uma cidade que durante algumas décadas viveu o futebol como uma espécie de imposição social, como o próprio Frydenberg aponta, é até natural que o resultado seja essa presença do esporte a cada canto. “Era quase obrigatório que todos os homens jogassem no exército, na paróquia, no sindicato, nas empresas, nos colégios ou nas companhias de teatro. Nas décadas de 1940 e 1950, somou-se a isso a ‘obrigação’ de ir a campo’. Mas ambas as tradições, ainda que continuem, deixaram de supor uma imposição social. Hoje, restam os vestígios”, explica o historiador ao jornal.

É por coisas como essas que nos empolgamos quando surgiu a possibilidade de que Buenos Aires se candidatasse a ser sede dos Mundiais de Clubes de 2017 e 2018. Infelizmente, a ideia da AFA não seguiu em frente, e esse sonho de ver um dos torneios mais importantes do mundo realizados em uma cidade de aura única, que vive o futebol como poucas, ficará mesmo para depois. Quando surgir outra oportunidade, esse argumento não pode ficar de fora.


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