O primeiro jogo sem Roger Machado como técnico do Palmeiras em 2018 mostrou uma esperada mudança na equipe. O técnico interino, o comandante do sub-20 Wesley Carvalho, fez algumas mudanças no time, que funcionaram muito bem. Diante do frágil Paraná, o Palmeiras venceu por 3 a 0, com tranquilidade, e contou com bom desempenho de um jogador que vem em baixa: Lucas Lima, que entrou no segundo tempo. Bruno Henrique voltou a se destacar com gols e o time teve bons destaques, mas o maior deles não balançou as redes. Foi Moisés, atuando mais recuado, que ajudou a equilibrar mais o time.

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A maior mudança feita no time que entrou em campo em relação a quem Roger escalava foi Arthur. O jovem atacante, de 20 anos, ficou pelo lado direito do ataque, dando velocidade e sendo bastante participativo. No meio-campo, sem ter Felipe Melo, suspenso – e que vinha muito mal nos últimos jogos -, o interino escalou Bruno Henrique e Moisés. Com um adversário como o Paraná, que ofereceria poucos problemas defensivos, a ideia se mostrou acertada. Tanto que Bruno Henrique voltou a se destacar pelos gols.

Nos últimos jogos, o Palmeiras teve problema na marcação no meio-campo. Os dois laterais costumam ser ofensivos e Felipe Melo e Bruno Henrique estavam sobrecarregados na marcação, sem conseguir fazer bem a cobertura. Contra o Paraná, isso sequer apareceu, até porque o adversário pouco conseguiu fazer com a bola. Com a posse, o Palmeiras conseguiu ser perigoso, atacando com quase todos os jogadores de meio-campo. Artur, pela direita, funcionava mais como um atacante. Dudu, pela esquerda, ajudava mais na armação de jogadas do time.

Posicionamento médio do Palmeiras (Foto: reprodução WhoScored)

O destaque de Bruno Henrique, com dois gols aparecendo no ataque ainda no primeiro tempo – e o segundo deles pegando um rebote no meio da área – tem a ver com a inteligência de Moisés, que se posiciona muito bem. O camisa 10 alviverde é um dos melhores jogadores do time nesse quesito. Consegue ter uma boa leitura de jogo e entender o melhor posicionamento para tentar ajudar o time, ofensiva ou defensivamente. Claro que nesse jogo especificamente, o desafio ficou só no ofensivo, já que defensivamente havia pouco a se marcar. Ele foi quem mais fez desarmes no time, com quatro, ao lado de Mayke.

Com Artur pela ponta direita, Gustavo Scarpa atuou centralizado, organizando o time. Teve a importante ajuda de Dudu, que dos jogadores do ataque, foi quem mais fez passes (39, contra 29 de Scarpa, 28 de Artur e 20 de Willian). Quem mais passou a bola, e aí faz sentido por como foi o jogo, foi Bruno Henrique, com 66. Destaque também para Moisés, com 46. Pensando em passes que viraram finalizações, Bruno Henrique, Moisés, Scarpa e Willian fizeram dois cada, criando jogadas. Dudu fez 1, Artur fez outro e Diogo Barbosa mais um. Dois jogadores que entraram no segundo tempo melhoraram a criação do time: Lucas Lima e Hyoran. Os dois fizeram três passes para finalização. Lucas Lima ainda marcou um golaço.

O trabalho de Roger ia mal nos últimos meses e a mudança indica que há muito potencial no Palmeiras para ser explorado. É claro que é impossível desconsiderar o fato que a mudança de técnico causa uma mudança de postura dos jogadores, que sabem que estão ameaçados pela chegada de um técnico novo. Os titulares podem perder suas vagas, enquanto os reservas se motivam para conseguir entrar no time.

A vitória sobre o Paraná, um dos times mais fracos do Campeonato Brasileiro, não dá muitos elementos para tirar conclusões. Só indícios e um deles era que o time precisava mesmo de uma mudança. Resta esperar agora como Luiz Felipe Scolari vai iniciar a sua terceira passagem pelo clube, que certamente causa muita expectativa no torcedor.


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