Bruno Guimarães vive um início de trajetória dos sonhos no Lyon. Em quatro partidas, venceu três, sendo escolhido o melhor em campo pela torcida em todas elas, incluindo uma estreia na Champions League contra a Juventus. Mesmo a derrota no último jogo, para o PSG, pela Copa da França, não impactou a boa impressão que o brasileiro tem deixado, em um princípio de carreira na Europa arrebatador até para o próprio jogador. Isso, no entanto, é apenas o começo, e o meia afirma querer deixar sua marca na história do OL.

Em entrevista ao L’Équipe deste domingo (8), Bruno Guimarães falou sobre sua rápida adaptação e apontou a disputa do Pré-Olímpico, pela seleção brasileira sub-23, como um dos motivos para que ele chegasse voando à Ligue 1.

“Está sendo ainda melhor do que eu esperava, mas eu estava bem preparado. Quando cheguei aqui, vinha de um torneio pré-olímpico de sucesso, em que me coloquei em evidência (eleito o melhor da competição). Faltava aprender o ritmo das partidas, dos treinamentos, o jogo da equipe”, analisou Guimarães.

A presença de tantos brasileiros no plantel, como Rafael, Marcelo, Fernando Marçal e Thiago Mendes, assim como a de Juninho Pernambucano, diretor de futebol do clube, certamente ajudou nessa adaptação: “Senti-me imediatamente em casa”.

Apesar de ter chegado há aproximadamente um mês ao OL, Bruno Guimarães já observa as diferenças do futebol francês para o brasileiro, em que estava até pouco tempo atrás, representando as cores do Athletico Paranaense.

“As partidas (na França) são mais rápidas, mais disputadas. No Brasil, às vezes, temos mais tempo para pensar. Aqui, é preciso dominar a bola já sabendo o que iremos fazer. Mas eu sempre fui um jogador com poucos toques na bola. Não carrego a bola, mesmo sabendo como fazê-lo. Se não vemos as coisas com um pouco de antecipação, não dá para ficar tranquilo com a bola.”

Para contar com sua contratação, o Lyon teve que apresentar um interessante projeto esportivo. Juninho lhe disse que o transformaria no melhor volante do mundo, e o fato de que essas palavras tenham saído de um jogador que marcou época como o ídolo do OL certamente contribuiu para a decisão. O páreo, afinal, era duro, com Benfica, Atlético de Madrid e Arsenal na disputa.

“Estou feliz (por ter escolhido o Lyon), adoro o entusiasmo que vejo em torno de mim e estou muito satisfeito com meu início aqui. Mas ainda tenho muito a melhorar. Quero deixar minha marca no Lyon, conquistar títulos, colocar meu nome no museu do clube.”

Embora a Ligue 1 não seja das competições domésticas europeias mais duras, o início de Guimarães não poderia ter sido mais desafiador. Entre as quatro partidas, fez um clássico contra o Saint-Étienne (vitória por 2 a 0), um confronto contra a octacampeã italiana na Champions League, a Juventus (vitória por 1 a 0), e um duelo de semifinal de Copa da França com o PSG (derrota por 5 a 1). Em questão de semanas, se viu enfrentando nomes consagrados como Neymar e Cristiano Ronaldo.

Bruno Guimarães revela a grande admiração que tem pelos dois, mas demonstra boa cabeça ao comentar como é enfrentá-los: “São grandes jogadores, eu os admirava na minha infância, mas, se eu quero eu mesmo me tornar um grande jogador, preciso me comportar normalmente frente a eles. (…) Não posso me deixar ser controlado pela empolgação, mesmo que tenha sido uma sensação única. Cresci os assistindo, os admirei, torci por eles, e agora jogo contra eles, tento roubar a bola deles. São coisas que não poderia imaginar pouco tempo atrás. E, admito, não sabia como eu iria reagir”.

O brasileiro volta a campo neste domingo, às 17h (horário de Brasília), em jogo importantíssimo que fecha a 28ª rodada da Ligue 1. O Lyon, seis pontos atrás do quarto colocado Lille, visita os Dogues, buscando encurtar a distância para os classificados às competições europeias.