Bruno Guimarães não precisou de tempo para se adaptar ao Lyon. Muito pelo contrário, logo após voltar do Torneio Pré-Olímpico, o meio-campista ganhou a posição como titular na equipe de Rudi García. Teve uma elogiada atuação na estreia, contra o Metz. E o desempenho do brasileiro impressionou ainda mais nesta quarta-feira, em sua primeira aparição pela Champions League. Se os Gones derrotaram a Juventus por 1 a 0, dentro do Estádio Groupama, o novato foi um dos principais responsáveis pelo resultado. Dominou o meio-campo e teve clara importância na atuação superior dos franceses ao longo da noite.

Bruno Guimarães compôs uma dupla ao lado de Lucas Tousart, no 3-4-3 utilizado por Rudi García. Dentro do sistema, os volantes tinham sua responsabilidade defensiva, mas também poderiam se revezar nas subidas ao ataque e contavam uma proteção extra no trabalho de conduzir a saída de jogo. Como já era evidente desde os tempos de Athletico Paranaense, o brasileiro distribuiu os passes com muita facilidade. No embate direto com Miralem Pjanic, o camisa 39 se deu bem melhor na tarefa de ditar o ritmo da partida.

A influência de Bruno Guimarães ficou mais clara durante o primeiro tempo, quando o Lyon realmente se impôs na partida. Nenhum outro jogador em campo distribuiu mais passes que o brasileiro, 37 no total, com um bom aproveitamento de 89%. De área a área, o volante se apresentou bastante. E, ainda que ele não tenha servido finalizações dos companheiros, foi importante na criação. Quase dois terços de seus passes foram para frente e dez deles se deram no terço ofensivo. Os números endossam a forma como Bruno Guimarães ajudou a empurrar os Gones mais à frente. Até finalizou uma vez, mas sem tanto trabalho a Wojciech Szczesny.

Os passes de Bruno Guimarães durante a partida: onipresente (Fonte: WhoScored)

Durante o segundo tempo, quando o Lyon se conteve mais, Bruno Guimarães ressaltou seus predicados na saída de bola e também no combate defensivo. Seus números na marcação foram bons: o brasileiro terminou a partida com quatro desarmes, quatro passes interceptados e dois chutes bloqueados. Contribuiu à manutenção do resultado, ainda que tenha se envolvido em uma controvérsia nos minutos finais.

Em uma disputa de bola com Paulo Dybala dentro da área, Bruno segurou o atacante, que também se projetou para trás e forçou a queda. De frente para o lance, o árbitro avaliou que o tranco não foi suficiente para render o pênalti e o VAR respeitou sua visão. A decisão, porém, desagradou a Juve, com os seus motivos – o contato é claro, embora o juventino de fato tenha valorizado. O lance permite diferentes interpretações, e a do juiz concedeu o benefício ao Lyon.

E não é o lance, de qualquer maneira, que menospreza os méritos do Lyon na partida. Isso também não apaga a ótima exibição de Bruno Guimarães. Chamou a atenção, sobretudo, a segurança do volante, representada por um lance específico durante o segundo tempo: em uma bola na área contra o seu time, o brasileiro iniciou o contra-ataque com um chapéu em Juan Guillermo Cuadrado, antes de um corte seco no colombiano e do passe na sequência.

Enquanto o prêmio de melhor em campo da Uefa terminou entregue a Houssem Aouar, a revista francesa SoFoot deu nota 7,5 a Bruno Guimarães. Escreveu que ele “se divertiu contra o campeão italiano, como se já estivesse em casa” e que “já é um dos preferidos da torcida”. E a tradicional pontuação do jornal L’Equipe levantou ainda mais o moral do brasileiro. Ele foi um dos melhores do time, com nota 8, empatado com Tousart e Rudi García. “Não esqueceremos de assinalar o seu erro na recuperação, que ofereceu uma cobrança de falta a Cristiano Ronaldo, porque é preciso lembrar que o brasileiro ainda tem falhas. Mas seu segundo jogo com a camisa do Lyon foi brilhante. Por sua segurança técnica e a velocidade de seus passes, ele mudou o jogo”, escreveu o periódico.

Inegavelmente, encarar uma Juventus ou disputar uma Champions pela primeira vez não pesou sobre os ombros de Bruno Guimarães. Parecia um veterano no torneio continental. E, a quem acompanhou sua trajetória no Athletico Paranaense, isso nem surpreende tanto – por mais que não deixe de ser uma prova mais forte de seu talento, na melhor competição de clubes do mundo. O Lyon sabe que realizou um excelente negócio.