O Manchester United está em sua melhor sequência de resultados com Ole Gunnar Solskjaer desde os primeiros meses do trabalho do norueguês que substituiu José Mourinho. A chegada de Bruno Fernandes foi importante, dando um novo dinamismo e criatividade ao meio-campo da equipe, mas o ex-jogador do Sporting de 25 anos não quer receber todos os méritos.

Fernandes estreou no 0 a 0 contra o Wolverhampton, depois de vitórias do United contra o Tranmere Rovers, pela Copa da Inglaterra, e Manchester City, na Copa da Liga Inglesa, insuficiente para passar à final, após levar 3 a 1 em Old Trafford. Desde então, derrotou o Chelsea e o City novamente, agora pela Premier League, e fez 5 a 0 no LASK Linz, no jogo de ida das oitavas de final da Liga Europa.

“Vejo o mesmo time de um mês atrás. Eu acho que somos os mesmos e temos muita fome de vencer, de dar tudo, de fazer o melhor todos os jogos. Mês passado, tivemos muitos jogos realmente muito bons e acho que podemos falar sobre um novo começo depois de Bruno, mas não é sobre o Bruno, é sobre o time”, disse, à Sky Sports.

“O time precisa do foco certo, das decisões certas no momento e acho que se o Bruno não viesse, o Manchester United venceria da mesma maneira porque um jogador não muda o time. Um time muda quando todos vão na mesma direção. Quando eu cheguei, eu vi que o time estava junto indo na mesma direção para vencer jogos, melhorar e sou mais um jogador para ajudar”, completou.

Solskjaer

A sequência positiva de resultados aliviou a pressão sobre Solskjaer, que vinha sendo criticado por não conseguir fazer o seu time jogar tão bem quanto poderia. Bruno Fernandes está impressionado com o treinador, especialmente pela sua atenção aos detalhes e pela experiência que traz dos seus tempos de jogador.

“É difícil porque faz apenas um mês, mas ele é sempre cuidado com os detalhes e, para mim, isso é importante porque uma das coisas que muda o futebol agora é olhar os detalhes. Agora, cada treinador é realmente bom, eles olham uns para os outros e aprendem entre si, então o jogo fica difícil. Agora, você tem vídeos e a maioria dos times sabe o que você fará, onde você colocará a bola, onde precisam pressionar, então o jogo fica mais e mais difícil”, disse.

“Eu acho que ele é realmente bom nisso e era um jogador, então sabe quando precisa conversar com os jogadores, quando precisa dar uma palavra de incentivo ou às vezes pressionar para que você dê mais. Eu acho que quando você tem um passado no futebol, você entende essas coisas melhor do que quando não tem”.

“Mas, às vezes, você tem treinadores que nunca jogaram futebol e também sabem fazer isso, então vai de treinador a treinador, mas acho que Ole é realmente muito cuidadoso com esses pontos. Ele quer perfeição, o que é impossível, mas tenta pedir mais e mais de nós”.

“Acho que um treinador é sempre importante para um novo jogador quando você chega. Comigo, foi realmente importante porque você precisa se sentir confiança do outro lado. Quando você precisa mudar, e é uma grande mudança chegar de outro país para um grande clube com grandes jogadores, você precisa estar pronto”, afirmou.

Comparações com Pogba

Bruno Fernandes tem preenchido o vácuo deixado no meio-campo pela prolongada ausência do lesionado Paul Pogba, que jogou apenas oito vezes nesta temporada e não para de ser personagem de rumores da imprensa europeia de que gostaria de trocar de clube, mas o português não é fã de comparações.

“Eu acho que sou um jogador diferente dos outros. Todo mundo tem uma maneira diferente de jogar, talvez eu assuma mais riscos, talvez outros jogadores não assumam tantos, talvez eu chute mais, alguns jogadores passam mais, fazem mais desarmes, todos são diferentes em um clube. Alguns jogadores são parecidos, mas nunca são o mesmo jogador”.

“Sou um jogador que normalmente gosta de assumir o risco, dar o último passe e tentar dar mais assistências para meus companheiros, então preciso assumir o risco. Não importa para mim se alguém fora de campo não gostar do meu passe. Eu respeito, mas continuarei tentando”.

“Normalmente, dizem que os caras que são bons com a bola não são bons o bastante sem a bola. Eu tento ser melhor com a bola, mas também tenho em mente essas coisas, como a reação ao perder a bola, ter fome quando as coisas dão errado e fome quando você passa e a bola vai para o companheiro, mas não é o bastante e você precisa fazer um pouco melhor”.

“Eu acho que eu vejo esses detalhes porque, se você quiser ser melhor e ser um dos melhores, você precisa olhar para os detalhes. Não é sobre finalizar o jogo e, se você tiver uma assistência e um bom jogo, não precisa ver o jogo para descobrir se cometeu algum erro”.

“E quando você pensa ‘hoje eu não joguei tão bom, então preciso ver o jogo e ver onde cometi meus erros’. Às vezes, quando acho que fiz um jogo ruim, eu não o vejo (de novo). Eu tenho em mente o que preciso melhorar e sei o que fiz errado porque eu sei o que é o passe errado, o chute errado, a decisão errada e, quando você vai bem, precisa olhar.

“Talvez você tenha dado uma assistência, mas precisa olhar para ver se aquela assistência pode ser melhor. É difícil explicar, mas eu acho que preciso olhar para os detalhes para ser melhor”, encerrou.