Uns encaram como fartura de opções. Outros, como inchaço de elenco. Mas o fato é que, a não ser que o técnico Jupp Heynckes resolva mudar o esquema tático do time barrando Franck Ribéry ou Arjen Robben, o Bayern Munique terá um problema sério em 2012/12: encaixar todos os jogadores que foram contratados no mercado atual no time, que já era muito qualificado. No ataque, então, a concorrência pela única vaga disponível será acirradíssima, entre Mario Gómez, Mario Mandzukic e Claudio Pizarro.

Mario Gómez, que completou 27 anos nesta terça-feira, é o menos habilidoso, mas é de longe quem faz mais gols no grupo. Com sua malemolência de Robocop, empurra a bola para o gol de qualquer jeito na maioria das vezes. Em outras, faz golaços, e em outras ainda manda a bola na arquibancada. Vive, por isso, uma relação de amor e ódio com toda a torcida alemã, a ponto de ter sido barrado quando era um dos artilheiros da Eurocopa. Não tem ainda o mesmo cartaz de Miroslav Klose, embora tenha tomado a posição dele no Bayern.

Claudio Pizarro é um velho conhecido. O atacante de 34 anos atuou no clube entre 2001 e 2007, foi titular em várias oportunidades e teve sucesso. Mas era ofuscado, ora por Roy Makaay, ora por Miroslav Klose. Mudou-se para o Chelsea, onde não teve muito sucesso, mas renasceu no Werder Bremen, onde fez uma temporada espetacular em 2011/12. Em princípio, chega para ser reserva e se mostra conformado com isso. “Adoro ganhar”, já declarou após ser contratado, dando indícios de que não criará muitos problemas se ficar no banco. O tempo mostrará se ele está dizendo a verdade.

Mario Mandzukic, 26 anos, é o mais novo e também o mais rápido entre os três. Finalizador competente com a cabeça e com os pés, ele também mostra qualidades técnicas incomuns para um matador e pode jogar como um segundo atacante centralizado, ocupando a vaga que hoje é de Toni Kroos. Nesse início de temporada, é provável que seja reserva, mas se mostrar serviço como fez no Wolfsburg terá bons minutos de jogo.

As disputas não param por aí. Para atuar no lado direito, foi contratado o canhotinho Xherdan Shaqiri, que será reserva de Arjen Robben. Como o holandês se machuca demais, é provável que o suíço tenha várias oportunidades durante a temporada para mostrar seu futebol rápido e malemolente. Pior para Thomas Müller, que não tem mostrado serviço nos últimos anos e perde cada vez mais espaço na equipe, além de ver ameaçada a sua cadeira cativa de titular na seleção alemã. Marco Reus e Mario Götze “chegaram chegando” nos últimos anos e devem disputar o posto na Copa do Mundo de 2014.

Na defesa, a tendência é que Dante lute por uma posição com Jérôme Boateng e Holger Badstuber. Se não conquistar a posição de titular, o brasileiro pelo menos será uma excelente reposição, mais qualificada do que Daniel Van Buyten, já em fim de carreira. Na lateral direita, Philipp Lahm segue soberano, assim como David Alaba na esquerda. Rafinha é um excelente reserva, e Diego Contento quebra o galho quando necessário sem entregar a rapadura. Entre os volantes, a novidade é a subida de Emre Can, 18 anos, que é apontado como o sucessor de Bastian Schweinsteiger no clube e deu show no Mundial Sub-17 de 2011 com exibições fantásticas.

É um grande time? Sim. É uma equipe capaz de superar o Borussia Dortmund? No papel, sem dúvidas. Mas dentro de campo os bávaros precisam demonstrar essa superioridade, coisa que não fizeram nas duas últimas temporadas. E o Dortmund já mostrou no mercado de transferência que não está a fim de brincar, contratando Marco Reus. Tudo indica que as duas equipes protagonizarão novamente um grande duelo pela Salva de Prata.