O Bayern de Munique venceu o Wolfsburg na rodada do final de semana e retomou seu lugar no G-4 da Bundesliga, embora permaneça quatro pontos atrás do líder Borussia Dortmund. Ainda assim, o triunfo não abranda o clima ruim na Allianz Arena, não apenas pela fraca sequência de resultados da equipe de Niko Kovac, como também pela desastrosa coletiva de imprensa concedida pelos chefes do clube na última sexta-feira. Além de ameaças de processos à imprensa, a hipocrisia reinou no discurso do presidente Uli Hoeness, especialmente por atacar Juan Bernat e contradizer justamente o que Karl-Heinz Rummenigge havia enfatizado pouco antes: que os atletas não deveriam ser responsabilizados individualmente pelo desempenho coletivo.

A malfadada entrevista gerou uma repercussão bastante negativa na Alemanha, sobretudo nos próprios veículos de imprensa. No entanto, outros personagens do clube questionaram a postura. Paul Breitner atuou ao lado de Hoeness e Rummenigge em seus tempos de jogador. Além disso, também trabalhou na diretoria dos bávaros em diferentes funções – de 2007 a 2017, serviu como conselheiro, chefe do departamento de observação de jogadores e embaixador. Deixou seu posto para se dedicar a negócios particulares, mas continua de olho no dia a dia dos alvirrubros. E não poupou críticas à decisão de seus colegas.

“Com essa coletiva de imprensa, Rummenigge e Hoeness arruinaram todo o trabalho duro que o clube fez nos últimos anos para remover a arrogância da imagem da instituição. Em meus 48 anos de Bayern, nunca imaginei que eles pudessem demonstrar essa fraqueza e ainda estou abalado com essa situação”, declarou Breitner, em entrevista ao BR Sport.

“Eu realmente não sei o que aconteceu. Rummenigge foi preparado, falou sobre a constituição e a dignidade dos jogadores. Então, dez minutos depois, o homem ao seu lado pisoteia na mesma constituição e crucifica um ex-jogador. Para Uli, sempre foi sobre a família do Bayern. Hoje, as crianças dessa família precisam dizer: ‘Estamos envergonhados pelo que nosso pai fez agora'”, complementou o veterano.

Breitner sempre foi reconhecido por suas posições firmes e por sua visão ampla do futebol. Não à toa, sua reaproximação ao clube na última década se deu também por essa capacidade de orientar posicionamentos. Ao que parece, os bávaros também sentirão saudades de sua presença nos bastidores. Diante dos erros sucessivos da diretoria, sobretudo de Hoeness, a crise do Bayern deixou de pertencer apenas ao departamento esportivo. Há também uma cisão institucional.