Brasil se escreve com Z. Essa semana me mostrou isso com clareza. Talvez estivemos errados desde sempre ou talvez apenas nos faltasse a consciência que o Brazil com Z é o verdadeiro. Estava na nossa cara o tempo todo. Faltava só vermos isso. O que me abriu os olhos foi a seleção brasileira e a Copa do Mundo de 2014. Me acompanhem.

Quanto tempo faz que você não vê um jogo da seleção brasileira em campo brasileiro? Difícil lembrar de cabeça assim, né? Nem faz tanto tempo assim: no dia 28 de setembro do ano passado, naquele “Desafio das Américas”, uma Copa Roca moderna. Mas a sensação é que faz mais tempo. Não é por acaso. Aquela não era a seleção principal. Os jogadores de fora do país não podiam ser chamados. Era um jogo de times “B”.

Isso nos leva a mais uma pergunta: quando foi que tivemos, então, um jogo de seleção principal aqui no Brasil? Olha, nem faz tanto tempo assim. Antes da Copa América, o Brasil jogou no Pacaembu, no dia 7 de junho. Foi o jogo da despedida do Ronaldo, lembra? Pois é, não foi um jogo muito sério. Tá, mas teve um jogo uns dias antes, contra a Holanda, no dia 4 de junho. É, aquele 0 a 0 em Goiânia. É, não foi grande coisa também. Mas foi a seleção principal e tudo mais.

Ah, você quer saber um jogo antes disso? Ok, vamos buscar. Espera um pouco, que teve a Copa do Mundo, foi antes dela. Aqui, achei: 14 de outubro de 2009. Brasil 0x0 Venezuela, eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010. É, então, é isso mesmo. Da Copa de 2010 para cá, o Brasil fez exatamente três jogos em casa. E foram três desse jeito aí: um jogo de preparação, um jogo de festa e um jogo de times com jogadores apenas locais. Nesse mesmo período, a seleção jogou as mesmas três vezes na Inglaterra. Você já entendeu o que eu quis dizer.

Dito tudo isso, quero informar que será assim até 2022. O nosso querido Ricardo Teixeira assinou a renovação do contrato com a International Sports Events (ISE), de acordo com a matéria publicada pela Folha. O que isso significa? Que a CBF terceirizou os jogos da seleção. É, isso mesmo. Basicamente, o Brasil Brazil chegará à Copa do Mundo jogando em território nacional, mas não em casa. Casa é onde vamos sempre. E a seleção não vem sempre ao Brasil Brazil (cara, difícil acostumar, mas farei meu esforço).

Outras seleções fazem isso (a campeã do Espanha, por exemplo, que adora um amistoso caça-níquel, como fez o Brasil quando era vista como a melhor do mundo). Não é novidade. Mas continua sendo ridículo. Sim, porque isso significa que o Brasil receberá US$ 1,050 milhão por partida, 20% a mais do que o contrato anterior. O mais curioso é que a ISE também “terceiriza” os jogos, dando nas mãos de uma empresa de marketing esportivo. Antes, era a Kentaro, uma empresa suíça. Agora será a Pitch International, inglesa. A matéria da Folha diz que o primeiro jogo será em outubro, provavelmente contra o Japão. Onde? Na Polônia. Pois é.

A seleção brasileira é mais Brazil do que Brasil. É como o Rock In Rio Lisboa, ou Rock In Rio Madrid. O nome remete a um lugar, mas onde o evento efetivamente acontece é outra coisa. Eis aí o primeiro sinal que, na verdade, escrevemos errado o nome do nosso país. O certo é Brazil, como aparecem nos letreiros pelo mundo anunciando os jogos da seleção brasileira. Até porque a dona dos direitos é uma empresa da Arábia Saudita, que repassa a uma empresa inglesa. Nada mais correto que chamar de Brazil.

O segundo sinal veio neste domingo. Em um programa de TV, a Adidas anunciou que o nome da bola da Copa de 2014 será “brazuca”. A grafia está errada, já que a palavra teria como raiz Brasil, com “S”. Mas não. A origem da palavra, algum dirá, é o Brazil com “Z”. Aquele que falam lá fora. Esse termo bonito que usam para designar os imigrantes brasileiros nos Estados Unidos. Faz todo sentido colocar o nome da bola da Copa do Mundo no Brasil Brazil um termo usado por gringos.

Aliás, tem a ver com o que o Marvio falou sobre terceirizar o governo brasileiro. É, chamem o ex-prefeito de Nova New York para dirigir São Paulo. Convoquem o prefeito de Londres (que nem nasceu na Inglaterra mesmo) para ser prefeito do Rio. Chamem um grupo de gestão gringa para comandar o BraZil. Aproveita que a Copa e a Olimpíada já estão aí e faz uma licitação. Quem sabe um grupo americano leva. Porque, como todo mundo sabe, especialmente o Marquinho, os americanos são muuuuuuuuuito melhores.

Essa semana temos jogo do Brazil em São Paulo, no dia da Independência (olha só que irônico) e em Recife na semana que vem. Não se acostume. O Brazil de verdade é o Brazil que joga lá fora. Como em outubro, que jogará na Polônia, contra o Japão. Esse é o Brazil. Com Z.