O futebol brasileiro saiu das condições de mero exportador de jogadores ao futebol europeu nos últimos anos. Os clubes do país passaram a ter influência econômica e, não à toa, alguns nomes que ainda tinham mercado na Europa vieram jogar no Brasil. Na recente janela de transferências, entretanto, o Brasileirão se colocou como um dos grandes fornecedores do mercado e atingiu o maior balanço positivo de uma liga nacional neste século.

Segundo o site Transfermarkt, o superávit dos times da Série A do Campeonato Brasileiro chegou a € 185,47 milhões. As vendas alcançaram € 205,87 milhões, impulsionando o número, enquanto os modestos € 20,4 milhões gastos em reforços ajudaram a manter o saldo bastante positivo. A partir da temporada 1999/00, quando os registros passaram a ser mais confiáveis, nenhum outro campeonato nacional tinha lucrado tanto em um mercado. O recorde era mundial era do Campeonato Português 2012/13, com € 150,395 milhões de lucro, enquanto o nacional era de 2006/07, com € 123,325 milhões.

Em contrapartida, a Premier League também quebrou em 2013/14 o recorde de balanço negativo neste século. Os ingleses somaram € 760,03 milhões na contratação de jogadores e nem mesmo a venda recorde de Gareth Bale ajudou a alavancar a balança. O déficit de € 485,738 milhões  supera o registrado em 2007/08, até então o maior de uma liga nacional neste século.

As explicações para o superávit brasileiro

A fortuna brasileira foi possibilitada principalmente pela venda de Neymar ao Barcelona. Por € 57 milhões, o atacante é o jogador mais caro já vendido por um clube nacional e o segundo brasileiro a movimentar mais dinheiro em uma transferência, atrás de Kaká ao Real Madrid, em 2008/09. Além do Santos, outros quatro clubes brasileiros quebraram seus próprios recordes de maior venda da história: o Atlético Mineiro, com Bernard; o Botafogo, com Vitinho; o Corinthians, com Paulinho; e o Grêmio, com Fernando.

Entre as principais ligas nacionais, o Campeonato Holandês é o que teve um superávit mais próximo do Brasileirão e, ainda assim, bastante inferior. A Eredivisie lucrou € 110,950 milhões com a venda de jogadores. Já La Liga é a terceira da lista, com € 101,620 milhões. Não fosse a compra de Bale, os espanhóis poderiam até deter esse recorde, graças à atuação dos clubes médios e pequenos da Espanha. Excluindo Real Madrid e Barcelona, os outros 18 times do Campeonato Espanhol tiveram superávit de € 207,52 milhões. Valor explicado pela profunda crise financeira que vivem, precisando vender seus destaques para fechar as contas.

Já em sua história, o Brasileirão até registrou montantes de venda de jogadores maiores que o desta temporada. Em 2012/13, por exemplo, os jogadores que mudaram de clube renderam € 214,665 milhões. Contudo, o balanço positivo ficou em € 106,345 milhões, reduzido pelos € 108,32 milhões investidos em contratações.

Como as atividades dos times da Série A no mercado são mais intensas em janeiro, o volume de dinheiro envolvido deverá aumentar significativamente na janela de meio de ano. Contudo, se o padrão das últimas temporadas for seguido (a exceção nos últimos cinco anos é 2011/12), a janela de inverno da Europa deverá render um saldo ainda mais positivo aos brasileiros, podendo até ultrapassar a simbólica marca dos € 200 milhões pela primeira vez. Sinal de que, se tem maior poder de compra, o Brasileirão agora também conta com maior capacidade de barganhar seus destaques – e lucrar cada vez mais.

O saldo das principais ligas do mundo no mercado 2013/14